Até 2025, mesmo um estudante formado hoje deve estranhar a universidade do futuro
Até 2025, mesmo um estudante formado hoje deve estranhar a universidade do futuro

Carlos Teixeira
Radar do Futuro

O tempo pode parecer curto. São apenas mais oito anos até 2025. Uma criança com dez anos hoje será um candidato a uma vaga nas universidades de meados da próxima década. As mudanças serão grandes, para o jovem e para os seus pais. Enormes diferenças. No cenário do curtíssimo prazo traçado pela influência exponencial das tecnologias e pela introdução de novos modelos de negócios, o sistema de ensino superior terá uma aparência surpreendentemente diversa da atual. Dentro e fora de sala de aula.

Conglomerados de ensino possuirão os seus próprios bancos. O sistema privado será cada vez maior. Haverá mais gente se formando em cursos à distância do que em atividades presenciais. Realidade virtual e aumentada serão regra comum nas estratégias de professores. Na verdade, a sociedade viverá, em 2025, sob o signo da tecnologia em todas as coisas.

Estas são algumas das forças de mudanças descritas e analisadas pelo estudo “Dez tendências estratégicas que moldarão o ensino superior em 2025”, produzido pela Nous Sense-Making com o objetivo de contribuir para o debate — urgente — sobre o tema. O documento, que contou, em sua elaboração, com a participação direta ou indireta de mais de 50 especialistas, a partir da aplicação de metodologias de cenários, mostrou a expectativa de que, em 2025, o setor de ensino superior no Brasil estará consolidado sob novos modelos de negócios.

Um dos destaques é a constatação de que universidades terão seus próprios braços financeiros para financiar as suas clientelas. Serão grupos gigantes privados, globais, altamente dominantes e concentradores de influência no mercado de ensino e na sociedade. E usuários intensivos das tecnologias.

A tentativa do grupo Kroton de comprar o controle da Estácio, abortada pelo Conselho Administrativo de Ordem Econômica (Cade), é um indicador claro da estrutura em formação no mercado. A união das duas redes privadas de ensino reuniria 1,5 milhão de alunos e a criação de uma rede detentora de 23% do mercado. Pequenas redes de ensino identificam, diante de tal abordagem, riscos enormes, contra os quais não conseguirão resistir nos próximos anos.

Não há como evitar as transformações e seus impactos disruptivos. Já em 2023 a graduação on-line será a responsável pela formação da maioria dos estudantes. Será o resultado do fato de que a internet estará presente em todos os cantos — ubíqua, por definição.

A atualização tecnológica, reivindicada, hoje, por professores e especialistas em educação como uma necessidade prioritária, terá se consolidado nesses próximos anos nas salas de aula do ensino superior. Os universitários, integrantes da geração dos “centennials”, as primeiras turmas dos nascidos após 2010, terão crescido com um smartphone e um tablet nas mãos. A internet em todas as coisas será fato, realidade concreta.

Necessariamente, decisores das organizações de ensino, pesquisadores e gestores das organizações de políticas públicas no campo da educação precisam reconhecer as hipóteses para o futuro a partir da identificação dos principais drivers que possibilitam a compreensão do ambiente de negócios do segmento. As forças das mudanças já estão ativas. As peças se movem para construir o futuro do sistema educacional.

Entre os drivers de mudanças imediatas, há a formação das “escolas-banco” pelas grandes instituições privadas de ensino. Recentemente, o mesmo grupo Kroton, citado acima, fez parceria com um banco para financiar estudantes. A rede de universidades é, hoje, um dos principais players do ensino no Brasil, com vínculos globais. E o Banco Votorantin entrou no mercado de crédito estudantil com uma nova unidade especializada. São estratégias que se intensificarão nos próximos anos, como um efeito da redução drástica do financiamento público e um possível esvaziamento da rede pública de universidades federais.

AS 10 TENDÊNCIAS DO ENSINO SUPERIOR EM 2025

  • Educação virtualizada
  • Educação one-to-one
  • Wazeirização
  • Ensino baseado em projetos
  • Novos mestres
  • Novas habilidades, novos desafios
  • Mercado de gigantes
  • Desafio do foco-atenção
  • Ensino em rede
  • Escolas-banco