Desemprego em alta e mudanças em setores produtivos serão intensificados

Carlos Plácido Teixeira
Editor / Colunista Radar do Futuro

Em 2025, um quarto dos empregos será substituído por softwares ou robôs. A previsão  varia de acordo com as instituições, mas há um certo consenso de que os cortes das carreiras tradicionais vão ocorrer inevitavelmente. E não só as profissões, mas também as organizações serão profundamente afetadas pela entrada em cena de recursos tecnológicos inovadores.

Responsável por um destes estudos, o Boston Consulting Group aposta nos cortes de 25%. Já um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, aponta que 35% dos atuais empregos no país encaram a possibilidade da obsolescência diante da evolução das tecnologias. A automação é a palavra-chave do processo a ser intensificado nos próximos anos, até meados da próxima década.

Motoristas de taxis que atualmente travam batalhas contra o aplicativo de “carona paga” Uber talvez nem imaginem a quantidade de matérias sobre um futuro onde carros vão dispensar condutores. O próprio Uber, fabricantes de veículos e outras empresas de tecnologias investem em pesquisas, já com protótipos nas ruas.

A expectativa é de que em alguns poucos anos os taxistas se envolverão em novas disputas por espaço de trabalho. Em Milton Keynes, na Inglaterra, táxis automatizados começam a operar até o final de 2015, oferecendo corridas pela cidade. O governo britânico está atualizando as placas de trânsito para viabilizar o funcionamento dos carros sem motoristas.

Taxistas e, também, motoristas de caminhões, integram um grupo específico de atividades mais susceptíveis à automação. Operadores de máquinas em geral — o carro é uma máquina sobre rodas, no final das contas — estão na mira da revolução tecnológica. É o que acontece especialmente com operários de fábricas. Na cidade de Dongguan, na China, reconhecida como polo operário, uma fábrica em construção será operada no futuro exclusivamente por robôs. Dos atuais 1,8 mil funcionários, 90% serão dispensados.

É curioso constatar que a China, ainda identificada como um país comunista, tem diversos exemplos de investimentos em projetos de automação industrial. Um total de 505 fábricas em Dongguan investiu cerca de R$ 2,6 bilhões na aquisição de robôs. Segundo as autoridades da região, mais de 30 mil operários serão substituídos.

Assim como os operadores de máquinas, montadores e manipuladores de pequenos objetos são fortes candidatos à perda de suas atividades. Também fazem parte da lista os trabalhadores que atuam em espaços apertados ou tem atividades em ambiente insalubre. Alguns dos estudos estimam que prestadores de serviços de limpeza têm mais de 50% de chance de serem substituídos por robôs nos próximos 20 anos.

Pelo menos em tese, atividades intelectuais estariam mais resguardados. Como no caso de jornalistas. Profissões que envolvem negociações, a ajuda humana a outras pessoas e a apresentação de ideias originais integrariam o grupo de menor risco de automatização.

Porém, ainda no caso do jornalismo, hoje já existem softwares capazes de coletar dados e gerar textos com informações bem construídas e perfeitamente compreensíveis. Em entrevista para o site da BBC, Kristian Hammond, cientista da Narrative Sciense, plataforma que gera conteúdo narrativo automatizado, estima que, em 15 anos, 90% das notícias serão escritas por máquinas.

Na mesma reportagem da BBC, Martin Ford, autor do livro Rise of the Robots (“Ascensão dos Robôs”, em tradução livre) prevê que o mundo viverá um processo de desemprego em massa e um colapso financeiro, a menos que sejam implementadas mudanças radicais, como a garantia de um salário mínimo.

 

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