A Suíça realiza hoje um referendo nacional que poderá implementar uma renda mínima universal para todos os cidadãos, independentemente da riqueza de cada um.

Uma alternativa às falhas do capitalismo 

A proposta foi lançada ainda em 2010 por oito professores universitários e se resume ao seguinte:

“O Estado deve adotar uma lei que assegure, sem quaisquer condições, uma renda permanente a qualquer cidadão suíço, que lhe permita viver com esse dinheiro”.

Os especialistas justificaram a ideia pelo fato de o trabalho e a renda virem no futuro a estar inevitavelmente desassociados, pois cada vez mais a tecnologia está substituindo a atividade humana nos países desenvolvidos. Eles propõem ultrapassar desta forma as falhas do capitalismo e libertar as capacidades humanas das obrigações econômicas.

A medida, que suscita admiração e inveja na Europa de Leste, também fará os cidadãos mais felizes: eles poderão ter a profissão que quiserem sem se preocupar com o salário.

Experimentos deram certo

Projetos semelhantes à escala regional foram testados em diversos países — mas a possibilidade de tal ser implementado em larga escala é inédita.

O pioneiro foi o Canadá. Em 1974, na cidade de Dauphin, província de Manitoba, foi lançado um experimento com a renda mínima obrigatória, finalizado em 1979 pelo governo conservador. Os cientistas provaram o seu impacto positivo na sociedade: a situação das mulheres solteiras melhorou (elas puderam deixar o trabalho), os hospitais passaram a ter menos doentes. 

Os experimentos realizados mais tarde mostraram que a renda mínima universal ajudará o Estado a cortar os gastos na esfera social. Os lares e centros de abrigo poderão cobrar o pagamento pelos serviços e, consequentemente, concorrer. E não há melhor método de cortar os custos do que a concorrência.

O Governo está contra

O governo da Suíça pronunciou-se abertamente contra a proposta. Segundo eles, os subsídios existentes não podem ser substituídos por uma renda fixa, isso não irá suprir todas as necessidades sociais.

Além disso, o governo destaca que parte da população com renda inferior a 2500 francos não teria mais incentivos para trabalhar e, para além disso, vai atrair imigrantes indesejados.

Opinião dos eleitores

Com uma renda per capita estimada em US$ 59 mil ao ano (R$ 211 mil) e taxa de desemprego inferior a 4%, o país não carece de políticas públicas de combate à pobreza. 

Segundo as últimas sondagens, cerca de 72% da população e uma grande maioria dos cantões deverão rejeitar a proposta no referendo (as iniciativas devem ser aprovadas não só pela maioria dos eleitores, mas também por mais de metade dos cantões).

Enquanto a esquerda considera a ideia uma “limitação dos direitos dos pobres”, os partidos de direita opinam que representará uma ameaça ao crescimento econômico. No final, parece que só os românticos e radicais vão votar a favor da renda mínima universal.

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