Santa Rita do Sapucaí será um laboratório para desenvolvimento de iniciativas de internet das coisas - Imagem: Pixabay
Santa Rita do Sapucaí será um laboratório para desenvolvimento de iniciativas de internet das coisas

Junho de 2018 é a data em que a internet das coisas (IoT, da sigla em inglês) ganha condições ideais de temperatura e pressão no Brasil. A tecnologia assume a maturidade para ser utilizada plenamente como fonte de negócios. E de oportunidades. O grande marco da inovação é a instalação em Santa Rita do Sapucaí, no interior de Minas, da primeira rede 4G comercial no Brasil. A iniciativa possibilita, de fato, a implantação dos projetos de conexão entre objetos, utilizando a internet como meio de integração e funcionamento.

Viabilizada pela operadora de telefonia celular TIM Brasil, em parceria com a Ericsson e a Universidade Federal de Santa Rita de Sapucaí, a rede de Narrow Band IoT da TIM vai possibilitar o primeiro exemplo concreto de cidade inteligente do país. A cidade será o laboratório de iniciativas como o monitoramento e controle de sistemas de trânsito, abastecimento de água e energia, entre outras soluções urbanas integradas de forma tecnologicamente inteligentes.

“A instalação da rede 4G propicia a geração de novos modelos de negócios”, avalia Janilson Bezerra, diretor de Innovation e Business Development da TIM Brasil. O executivo da TIM Brasil salienta as oportunidades que serão criadas em “todos os verticais”. Desde as cidades inteligentes e agronegócios, passando por casas conectadas e a área de saúde, negócios dependem da disposição de inovadores e investidores. E da consolidação da estrutura de apoio, que inclui a adesão de empresas e das universidades.

Maturidade tecnológica

Está mais próximo o dia em que um proprietário de terras terá condições de implantar integralmente o conceito de “fazenda inteligente”. Um empreendimento agropecuário onde a saúde de bois e vacas estará monitorada continuamente, sensores reagirão às mudanças do clima para irrigar a plantação e decisões sobre aplicação de fertilizantes vão seguir, com a inteligência das máquinas, a análise das condições do solo.

Para entender a relevância do momento é interessante lembrar de tempos passados, quando alguém tentava instalar um software novo no computador e a máquina não suportava. Faltava poder de processamento. De forma semelhante, agora a internet das coisas ganhou as condições de fato e terá a capacidade de tráfego de informações necessária para funcionar efetivamente. O investimento fornece inclusive condições para o alavancamento do conceito da indústria 4.0, que demanda a combinação de tecnologias maduras.

A TIM Brasil projeta a presença com a tecnologia das redes em 4 mil cidades brasileiras até 2020. O que possibilitará a expansão das técnicas desenvolvidas no Sul de Minas para outros locais. Entre os setores que tendem a acelerar a adoção de inovações está a saúde. A internet das coisas permitirá, por exemplo, a geração de novos projetos de controle de inventários de máquinas. “Hoje há mais equipamentos portáteis e inteligentes que podem ser gerenciados com o apoio da inteligência artificial”, assinala o executivo.

A escolha de Santa Rita do Sapucaí tem razões bem fundamentadas. O município, no Sul de Minas, abriga uma instituição de ensino superior federal com unidades de engenharia e tecnologia de referência para a produção científica e para o mercado. E é sede do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), parceiro da TIM e da Ericsson para a criação de tecnologias da internet das coisas para as cidades inteligentes.

Viabilidade

A Narrow Band IoT amplia entre 30% e 40% a cobertura tradicional em relação ao uso dos smartphones, aliando ainda, como vantagem, o baixíssimo consumo de energia nas aplicações de internet das coisas. É possível desenvolver dispositivos com baterias com tempos de duração entre cinco e dez anos, algo fundamental para os projetos que devem ser desenvolvidos nos próximos anos.

Há desafios pelo caminho. Particularmente, haverá necessidade de gente qualificada — papel que será desempenhado em parte, pelo menos, pela universidade de Santa Rita do Sapucaí. Mas a demanda tende a ser maior que a capacidade de formação. O executivo da TIM Brasil acredita que o Plano Nacional de IoT, discutido pelo governo federal com a iniciativa privada deve ter papel essencial.

No cenário traçado para o futuro, a TIM Brasil se posiciona para ser pioneira, antecipando tendências. “Vamos gerar iniciativas que vão além da simples oferta de conectividade”, resume Janilson Bezerra. Agregar valor será algo cada vez mais relevante para a operadora de telefonia, que pretende atuar como geradora de insights em tempo real.