business ilustracao rhAssistentes de RH têm 90% de chance de perder os seus empregos

Carlos Teixeira
Editor – Radar do Futuro

Trabalhadores da administração de recursos humanos têm 90% de chances de ver suas atividades automatizadas nos próximos anos. Gerentes e diretores de RH têm melhores chances de sobrevivência no mercado do futuro. A probabilidade de ver a função perder espaço nas empresas do cenário do sistema produtivo das próximas décadas é de 32%.

Boas e más notícais sobre o futuro das áreas de RH são extraídas de um estudo realizado a partir de parceria entre a Universidade de Oxford e a consultoria Deloitte.As instituições mediram a chance de substituição de pessoas por máquinas em mais de 700 profissões, nos próximos 20 anos, concluindo que cerca de 35% dos empregos no Reino Unido podem ser extintos. Números que podem ser generalizados, mas nem tanto.

Por que os assistentes de recursos humanos, do nível operacional, devem ser mais afetados do que outras categorias? Em síntese, porque eles estão inseridos no grupo de trabalhadores responsáveis por tarefas rotineiras. Daí a alta probabilidade de substituição por sistemas inteligentes de coleta, registro, recuperação e transmissão de informações sobre os dados dos outros funcionários das empresas onde atuam. Aliás, esta é uma boa chave para compreender o futuro das atividades profissionais. Pense nas rotinas.

Já os gerentes e diretores têm melhores possibilidades de sobrevivência porque estão envolvidos com níveis decisórios. Precisam se envolver, por exemplo, com negociações com executivos e profissionais. E tomam decisões que envolvem habilidades humanas. Tudo bem que a inteligência artificial está por aí a desafias a todos. Mas o “feeling” na contratação de um trabalhador ainda parece importante. Além disso, de acordo com a pesquisa dos britânicos, especialistas envolvidos com funções criativas terão uma boia adicional de sobrevivência nos mares dos mercados de trabalho da revolução digital.

Acomodar com os ventos mais brandos é a única coisa que os gestores de RH não devem fazer. A começar pela compreensão de que a mudança que ocorre no mercado de trabalho não está limitada às transformações tecnológicas. Ao contrário, há uma influência profuda das mudanças econômicas e sociais que impactarão o relacionamento entre trabalhadores e empresas. 

Contextos desafiadores

Repare bem. Talvez nem falamos, e nem falaremos, em empregados e empregadores. As relações de trabalho estão em mutação. Pela simples razão de que um dos efeitos já visíveis no sistema é a eliminação dos processos de intermediação. Os melhores profissionais de Recursos Humanos serão aqueles capazes de gerenciar bancos de dados. Portanto, serão exigidos em entender sistemas de análise vinculados ao “big data” e com abrangência global.

O fim dos vínculos empregatícios afetará inclusive os profissionais da área de recursos humanos. O administrador de recursos humanos será, cada vez mais, um trabalhador autônomo, especialista detentor de contratos para administração de redes de outros trabalhadores autônomos especializados. Será o resultado de duas forças centrais no cenário do futuro. A indústria 4.0 e a expansão do setor de serviços, como área predominante na geração de oportunidades de trabalho. 

Com elevada informalidade no mercado de trabalho e a terceirização indiscriminada, a microempresa será a pessoa jurídica predominante, formada por trabalhadores independentes. Não sócios, necessariamente. Serão representantes, verdadeiramente, da economia compartilhada. Trabalhadores que permanecem atuando individualmente, mas que priorizam determinados parceiros no desenvolvimento de demandas específicas. 

O gestor de recursos humanos deverá desenvolver as habilidades específicas para lidar com uma geração que vai ganhar menos, trabalhar mais e ter menor segurança quanto ao futuro. E vai concorrer com estrangeiros. Gente mais insatisfeita com a vida — já em 2020 teremos  um surto de depressão, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho. E que vai integrar equipes temporárias em contatos quase sempre virtuais. 

Uma das características centrais, por sinal, será o crescente relacionamento com trabalhadores que usam o sistema de home-office. A adaptação será feita com o estabelecimento de tarefas como estratégia de controle. Será um ambiente desafiante para quem não entender que a revolução digital já está afetando toda a sociedade.