Os meios de pagamento "sem contato" chegaram para revolucionar o mercado. Foto: Pexels
Os meios de pagamento “sem contato” chegaram para revolucionar o mercado. Foto: Pexels

Carlos Netto *

Os avanços tecnológicos e o cenário econômico mundial mudaram a forma de se comunicar, vender e consumir. O varejo é um dos mais afetados por essa constante transformação, pois concilia as tendências de mercado, internet, economia e a realidade do consumidor, em busca da melhor experiência de compra, visando estabelecer um bom relacionamento com o cliente – envolvendo as melhores ofertas pelo menor preço possível.

Os meios de pagamento “sem contato”, ou seja, que não precisam da digitação de senha em pinpads ou mesmo dos próprios cartões de plástico, chegaram para revolucionar o mercado e estabelecer um diferencial competitivo, utilizando dessas novas tecnologias para agilizar processos (pagamentos “frictionless”) ou até coletar informações sobre o comportamento de compra do seu cliente. Ofereça ao consumidor um benefício relevante (cashback, ofertas e descontos personalizados, pontos, crédito a um custo mais baixo, order ahead) e a fidelização será quase garantida. Na era da internet, os consumidores não buscam apenas qualidade do produto ou serviço, querem também ser reconhecidos, avaliar, escolher, experimentar coisas novas, comparar, se divertir e fazer tudo, o máximo possível, em menos tempo e com um custo-benefício atraente.

É possível notar a diferença através de um exemplo bem simples. Considere os custos que envolvem um equipamento do tipo POS (“maquininha”), sua manutenção, os custos das operações de pagamento realizadas por ele (“taxa de adquirência”), e o tempo necessário para que o consumidor, retire sua carteira do bolso, insira o cartão, digite a senha para fazer o que necessita, como o pagamento de uma compra em loja. Agora imagine um método em que ele não utilize nada disto, simplesmente aproxime o seu smartphone de um scanner, webcam ou outro smartphone que faz a leitura de um QR Code gerado pelo próprio dispositivo móvel do consumidor, que inclusive pode estar sem acesso à internet. A redução do tempo do “pagamento” reduz filas e, além disto, os custos de “adquirência” do lojista tendem a ser bem menores com este novo modelo. O resultado final é uma redução drástica dos custos operacionais e uma grande melhoria na experiência de uso.

Quem acha que existe fricção em pegar o celular no bolso e destrava-lo (fricção seria ter a carteira só para guardar o plástico), considere que na verdade ele já está na mão do usuário e já está destravado. Ao mesmo tempo, sumindo o dinheiro, o cartão e com os documentos na forma digital, é bem possível que a carteira deixe de existir com o tempo. Outra vantagem do celular é a possibilidade de interagir com o usuário. Sendo o trade marketing uma receita relevante para os varejistas, não dá para ignorar este espaço para publicidade personalizada. Por fim, evitar a poluição com plástico e lixo eletrônico é sempre uma boa ideia.

Na China, os restaurantes já disponibilizam o pagamento e acesso ao cardápio através de um único código, por celular. Aqui no Brasil, virtualmente todos os smartphones já possuem tecnologia para leitura em QR Code, e a partir do próximo ano essas mudanças devem ser mais intensas, pois teremos uma nova rede de pagamentos, online, 24×7 e acessível a todos os participantes do mercado de pagamentos (varejistas, fintechs, bancos) a um custo bem mais baixo que os modelos (“payment rails”) atuais.

O maior desafio talvez não seja entender a tecnologia ou ter acesso a ela, que já existe e tem um conceito bem fundado na cabeça dos bancos e startups, mas sim o varejo sair da negação e do medo para se tornar um explorador e protagonista deste mundo em transformação.


  • Carlos Netto é CEO da Matera, empresa de tecnologia para os mercados financeiro, fintechs e de riscos

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