praia de Ipanema, no Rio de janeiro, lotada no último dia do ano, apesar da pandemia - Foto: Fernando Frazão - Agência Brasil
Praia do Leblon, no Rio, movimentada no último dia do ano apesar das restrições e fiscalização da Prefeitura, e do cancelamento da festa de Réveillon pela pandemia.

Acontecimentos que marcaram o noticiário político e econômico da semana

Paulo Roberto Bretas
Economista e Conselheiro do Corecon-MG

Economia em Atraso: O Credit Suisse calcula que o Brasil só chegará à imunidade de rebanho (pelo menos 70% da população imunizada) no quarto trimestre de 2021. Isso se o governo conseguir adquirir nos prazos previstos as vacinas produzidas pelos laboratórios Sinovac (Instituto Butantan), AstraZeneca (Fiocruz) e Pfizer / BioNTech. O recrudescimento da pandemia no Brasil, ao mesmo tempo em que o país fica para trás de outras nações no plano de vacinação, reforça a percepção dos analistas de quanto uma questão sanitária mal resolvida pode segurar o processo de retomada da atividade em 2021. (Valor)

Ailton Krenak: “Vivemos uma fase grotesca do capitalismo, mas não acho que estamos em uma crise que vai diminuir a potência dele. O capitalismo tem produzido uma mudança em si mesmo porque não fomos capazes de produzir uma mudança fora. Ele vai destruir o mundo do trabalho como conhecemos, e vai dispensar a ideia de população. Essa, para mim, é a próxima missão do capitalismo: se livrar de ao menos metade da população do planeta. O que a pandemia tem feito é um ensaio sobre a morte. É um programa do necrocapitalismo. A desigualdade deixa fora da proteção social 70% da população do planeta. E, no futuro, não precisará dela sequer como força de trabalho. Quem promete um mundo de pleno emprego é cínico ou doido. Não existe nenhuma possibilidade material de as coisas voltarem a funcionar assim.” (Carta Capital)

Ambiente econômico

Consórcios em 2020: Um produto antigo e até subestimado pelos grandes bancos vem batendo recordes durante a pandemia: os consórcios. Sem necessidade de entrada e com parcelas que cabem no bolso, são uma forma de investir em um bem sem se descapitalizar. No ano, até novembro, foram vendidas 2,77milhões de cotas, um recorde, 4,9% acima do mesmo período de 2019. O total investido chegou a R$ 150,5 bilhões (alta de 23,4%). O número de consorciados subiu a 7,71 milhões (cota média de R$ 63,78 mil). Veículos leves, motos e imóveis tiveram o maior número de adesões. Serviços, veículos pesados e eletroeletrônicos cresceram percentualmente mais, na casa dos dois dígitos. São boas as perspectivas para 2021. (Valor)

Inovações em Seguros: As inovações à vista em seguros prometem impactar o setor como um todo. Se depender das empresas selecionadas para o sandbox da Susep, o objetivo é mudar tudo, desde a relação que o brasileiro tem hoje com os seguros até os serviços oferecidos nas apólices. A expectativa é que os produtos serão mais inclusivos, com preços acessíveis a toda população. Isso sem contar a possibilidade de se proteger contra riscos hoje ainda não cobertos pelas apólices tradicionais, como pandemias e deslocamentos multimodais. O futuro do mercado segurador tende a ser promissor com a ajuda da tecnologia, que caminha para que as soluções sejam ainda mais proativas. Em muitos casos, conseguirão até se antecipar ao cliente. (Valor)

Finanças

Apostas contra o Dólar: Operadores especulativos encerram o ano com mais apostas contra o dólar. Posições futuras não comerciais líquidas que apostam na queda da moeda americana atreladas ao índice ICE U.S. Dollar aumentaram para o maior nível desde março de 2011, segundo os dados mais recentes da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês). O indicador da moeda americana acumula queda superior a 6% em 2020, como reflexo do afrouxamento monetário sem precedentes do Federal Reserve (Fed) e menor demanda por ativos vistos como seguros.

Cheque especial 1: O estoque de crédito no cheque especial contratado pelo conjunto de instituições financeiras encolheu em 24,2% no último ano, mostram estatísticas do Banco Central. A redução ocorreu depois que o governo fixou um teto para os juros dessa modalidade de crédito e após a pandemia atingir a economia. O Banco Central tem várias hipóteses que ajudam a entender essa queda, mas por enquanto nenhuma definitiva. Grandes bancos relataram a redução da demanda por essa linha de crédito, o que em tese pode ser um reflexo do aumento de renda e da poupança da população provocada pelo pagamento do programa de renda emergencial e pela retração do consumo nas faixas de renda mais alta. (Valor)

Cheque especial 2: Na avaliação do Banco Central, o limite de juros pode ter tido algum “efeito técnico” na redução do estoque contratado, mas sem relação aparente com uma possível restrição de crédito. Isso porque taxas mais baixas levam a um menor volume de encargos acumulados ao principal no decorrer do prazo do empréstimo. No último ano, as taxas médias cobradas pelas instituições financeiras encolheram de 264% ao ano para 113,6% ao ano, na comparação entre novembro de 2019 e novembro de 2020. (Valor)

Pagamento de Juros 1: De acordo com dados do Banco Central, de janeiro a outubro, o gasto com juros do setor público ficou em R$ 286,5 bilhões, ante R$ 304,5 bilhões em igual período do ano passado – dado mais recente disponível.

Apesar do endividamento em alta, a queda da taxa básica de juros (Selic) pesou mais e reduziu essa despesa, que tem sido historicamente uma das maiores das contas públicas. (Valor)

Pagamento de Juros 2: O Brasil pela primeira vez tem uma taxa de juros básica que em termos reais está negativa – a Selic foi fixada em 2% ao ano e a inflação, que vinha em queda no meio do ano, ficou mais alta recentemente e deve fechar o ano acima de 4%, e para o ano que vem, acima de 3%. E isso ocorre em um ambiente no qual o país tem seu maior gasto da história e sua dívida pública já tendo subido 15 pontos porcentuais, superando os 90% do PIB. (Valor)

Poupança 1: O estoque da poupança deve terminar o ano acima de R$ 1 trilhão pela primeira vez na história. Números do Banco Central (BC) mostram que até o dia 22-12-2020 o saldo estava em R$ 1,032 trilhão. No acumulado de dezembro, a poupança registrava captação líquida de R$ 17,3 bilhões e rendimento positivo de R$ 1,3 bilhão. Os dados completos serão divulgados na semana que vem. (Valor)

Poupança 2: A alta desses recursos tem sido um dos principais fatores a influenciar a construção de cenários econômicos para 2021. Isso porque a fatia da poupança acumulada que se converter em consumo ajudará a determinar o ritmo da retomada, principalmente com o fim de medidas emergenciais adotadas na pandemia. (Valor)

Inflação do IGP-M: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou inflação de 0,96% em dezembro, percentual inferior ao apurado um mês antes, quando havia apresentado taxa de 3,28%, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). No acumulado de 2020, a chamada “inflação do aluguel” ficou em 23,14%, abaixo da mediana das projeções, de 23,40%. É a maior taxa anual desde 2002, quando subiu 25,31%. (Valor)

Boletim Focus 1: A mediana das projeções do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2021 voltou a subir, de 3,46% para 3,49%, no Boletim Focus, do Banco Central (BC). A mediana das expectativas dos economistas do mercado para a inflação oficial em 2021 caiu, de 3,37% para 3,34%. (Valor)

Boletim Focus 2: A mediana das estimativas para a taxa básica de juros no fim de 2021 subiu de 3,00% ao ano para 3,13% ao ano entre os economistas do mercado. A mediana das estimativas para o dólar no fim deste ano foi ajustada para R$ 5,14, de R$ 5,15 na sondagem anterior. Para 2021, o ponto-médio das projeções permaneceu em R$ 5,00 entre uma semana e outra. (Valor)

Indicadores

Desemprego 1: A taxa de desemprego do país fechou o trimestre móvel encerrado em outubro em 14,3%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) referente ao trimestre encerrado em outubro. O índice supera aquele registrado no trimestre finalizado em outubro de 2019 (11,6%) e ficou acima daquele registrado no trimestre de maio a julho (13,8%). (Valor)

Desemprego 2: Nos três meses até outubro, o país tinha 14,1 milhões de desempregados, ou seja, pessoas de 14 anos ou mais que buscaram emprego sem encontrar. É um contingente 7,1%% maior do que o observado no trimestre entre maio e julho (931 mil pessoas a mais); e 13,7% superior ao contingente nesta situação no mesmo período de 2019 (1,7 milhão de desempregados a mais). (Valor)

População Ocupada: No trimestre móvel até outubro de 2020, a população ocupada (empregados, empregadores, funcionários públicos) era de 84,3 milhões de pessoas. Isso representa alta de 2,8% em relação ao trimestre móvel encerrado em julho (2,3 milhões de pessoas ocupadas a mais), mas queda de 10,4% na comparação com igual período em 2019 (menos 9,8 milhões de pessoas). (Valor)

Força de Trabalho: A força de trabalho (soma das pessoas ocupadas ou em busca de empregos com 14 anos ou mais de idade) estava em 98,4 milhões de pessoas nos três meses até outubro, 3,4% a mais do que no trimestre finalizado em julho, mas 7,6% a menos que em igual período em 2019. (Valor)

Fora da Força de Trabalho: O contingente fora da força de trabalho caiu a 77,2 milhões, um recuo de 2,2% na mesma comparação. Foi a primeira queda para um trimestre móvel neste ano, após altas de 7,9% e de 11,3% do indicador. De todo modo, o número de pessoas fora da força de trabalho nos três meses até outubro ainda está 19% acima do registrado em igual período de 2019. (Valor)

Rendimento Médio: O IBGE informou que o rendimento médio real habitual dos trabalhadores (considerando a soma de todos os trabalhos) foi de R$ 2.529 no trimestre móvel até outubro, abaixo dos R$ 2.568 registrados nos três meses até julho, mas não a ponto de significar diferença estatística relevante, segundo o instituto. Esse montante ficou 5,8% maior contra o mesmo trimestre de 2019 (R$ 2.391). (Valor)

Massa de Rendimentos Real: A massa de rendimento real habitualmente recebida por pessoas ocupadas em todos os trabalhos no país foi de R$ 207,9 bilhões no trimestre de agosto a outubro de 2020. Esse valor ficou “estaticamente estável” na comparação com o registrado no trimestre móvel anterior, até julho, mas caiu 5,3% em relação ao observado no trimestre móvel encerrado em outubro de 2019. (Valor)

Balança Comercial 2021: Mesmo com divergências sobre o ritmo de retomada da atividade doméstica e sobre a evolução da pandemia e seus impactos no comércio internacional, projeções de analistas convergem para uma balança comercial em 2021 com dinâmica diversa da de 2020, ano marcado por superávits gerados por queda de importações e de exportações. Para o ano que vem os analistas esperam saldo positivo resultante de crescimento nas duas pontas, com superávit estimado entre US$ 40 bilhões e US$ 69 bilhões. (Valor)

Confiança na Indústria: O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) avançou 1,8 ponto em dezembro, para 114,9 pontos, o maior patamar desde maio de 2010 (116,1 pontos). O ICI encerrou o quarto trimestre com média de 113,1 pontos, 14,7 pontos a mais do que a média do terceiro trimestre (98,4 pontos). Tendo atingido o fundo do poço em abril de 2020, a recuperação da confiança, impulsionada pelos bens intermediários, indica que o setor esteja em uma conjuntura favorável, com aceleração da demanda e estoques ainda em nível considerado baixo. (Valor)

Índice de Confiança de Serviços: O Índice de Confiança de Serviços (ICS), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu 0,8 ponto em dezembro, para 86,2 pontos, após dois meses de quedas consecutivas. O índice encerra o ano 10 pontos abaixo do nível registrado em 2019 (96,2 pontos). Em médias móveis trimestrais, o índice cedeu 0,5 ponto. (Valor)

Indicador de Incerteza: O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), recuou 3,5 pontos em dezembro, para 142,3 pontos. O índice está 27,2 pontos acima do nível de fevereiro, último mês antes do início da pandemia de covid-19 no Brasil, e 5,5 pontos acima do nível máximo anterior a esse período, alcançado em setembro de 2015. O recuo foi influenciado pelo início da vacinação em vários países e pelo aumento das expectativas, ainda que modestas, sobre a possibilidade de uma recuperação econômica e social nos próximos meses. O IIE-Br termina o ano de 2020 em patamar superior a 140 pontos, nível ainda bastante desfavorável, que reflete as incertezas em torno da piora sanitária no Brasil e o conturbado cenário da vacinação no país. (Valor)

Nuci da FGV: O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) cedeu 0,4 ponto percentual, para 79,3%. Apesar do resultado negativo pelo segundo mês, a média do Nuci do quarto trimestre (79,6%) ficou 4,3 pontos acima da média do terceiro trimestre (75,3%). (Valor)

Custo da Construção Civil: O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 8,1% de janeiro a novembro, acima da variação do IPCA (3,13%) no mesmo período. A alta foi provocada pela desvalorização do real, a elevação dos preços de commodities, a restrição de oferta de alguns insumos provocada pelo impacto da pandemia na produção e o aumento inesperado da demanda. (Valor)

Setores

Companhias Aéreas: As companhias aéreas viveram em 2020 o ano mais difícil da história do setor, chegando a reduzir suas operações em 95% em abril, por causa da covid-19. Desde então, as empresas se recuperam gradualmente. Para 2021, a expectativa das empresas é retomar os níveis de operação doméstica de 2019 no primeiro semestre. As aéreas também esperam ver uma reação positiva no preço das ações nos próximos meses, acompanhando a retomada do setor. (Valor)

Setor Comércio 1: O setor do comércio deverá entrar em 2021 ainda com as sequelas do coronavírus, mas com expectativas de recuperação, na medida em que as ações de combate à pandemia, em especial a vacinação, sejam colocadas em prática e flexibilizem as normas de distanciamento social e de horários de funcionamento do comércio varejista. De acordo com relatório elaborado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), com base na Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, já há uma tendência de recuperação no comércio ampliado (comércio restrito, mais material de construção e carros, motos e peças automotivas), que superou em 4,9% os níveis de venda de fevereiro, mês que antecedeu a pandemia. (Valor)

Setor Comércio 2: A alta nas vendas, no entanto, vem sendo puxada por segmentos específicos, como móveis e eletrodomésticos (10,8% no período janeiro/outubro), artigos farmacêuticos e de perfumaria (7,2%) e alimentos e bebidas (5,7%). (Valor)

Vendas de Medicamentos: Mesmo com a pandemia, as vendas de medicamentos no mercado brasileiro cresceram 10,6% no ano. De acordo com levantamento da consultoria especializada no setor farmacêutico, IQVIA, divulgado pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), o faturamento gerado foi de R$ 75,66 bilhões nos doze meses terminados em novembro.

Vendas On Line no Natal: A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) informou que as vendas on-line no Natal atingiram R$ 21,7 bilhões, alta nominal de 54% sobre 2019. Parte dessa demanda se refere a transferência das compras que ocorrem em lojas físicas, canal de venda que registrou retração nos resultados na data. (Valor)

Vendas no Natal: As vendas em shopping centers caíram 12% neste Natal em relação a 2019, segundo a Abrasce, a associação brasileira do setor. A retração no auxílio emergencial, a escalada da inflação em diversos setores e as incertezas geradas com frequentes mudanças no funcionamento do comércio afetaram o mercado de consumo neste fim de ano, dizem especialistas.(Valor)

Ambiente social

Governo Digital: O Brasil ficou em 16º lugar num ranking de governo digital elaborado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A classificação ficou acima da média do bloco e superior à de países como Alemanha, Estônia, Holanda, Áustria e Irlanda. No ranking Índice de Serviços Online (OSI) realizado pela ONU em 2020, o Brasil está na 20ª posição entre 193 nações. É classificado como nível “muito alto” de desenvolvimento do governo eletrônico e ocupa o segundo lugar no continente americano, atrás apenas dos EUA. (Valor)

Crime de Ódio: No ano de 2020, o Brasil continuou no topo do ranking de países que mais matam transsexuais no mundo. Segundo levantamento da ONG Transgender Europe, morreram neste ano 152 pessoas trans vítimas de crime de ódio no país. (Carta Capital)

Voto Obrigatório: Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada pelo jornal “Folha de S.Paulo” dia 26-12-2020 mostra que mais da metade dos brasileiros é contra o voto obrigatório no país. De acordo com o levantamento, 56% dos entrevistados são contrários ao voto obrigatório, enquanto 41% se dizem favoráveis à obrigatoriedade. Os que não souberam responder representam 1%, e 1% se disse indiferente ao tema. (Valor)

Ambiente político

Ilusão do Presidente da Caixa: Depois de nove meses e R$ 298 bilhões em pagamentos, o auxílio emergencial chegou ao fim, deixando em aberto como a economia reagirá sem esse aditivo. À frente da operação, que atendeu 67,9 milhões de pessoas, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, descarta um baque no nível de atividade. “Não vejo um impacto relevante porque já vejo uma retomada da economia e de empregos.” (Valor)

Situação dos estados: A retomada da atividade e o aumento de impostos locais não têm sido suficientes para compensar o fim das transferências da União para os Estados, afirmou o chefe do departamento de estatísticas do Banco Central (BC), Fernando Rocha. Ele destacou que, apesar de os governos estaduais continuarem apresentando superávits primários, o resultado de novembro ficou abaixo do mesmo período de 2019.

Compensações da Lei Kandir: O Tesouro Nacional creditou, dia 31-12-2020,  R$ 3,119 bilhões nas contas de Estados e municípios referentes à lei que cria um mecanismo de compensação aos entes pelas perdas de receita provocadas pela Lei Kandir. São R$ 630,379 milhões a municípios e R$ 2,488 bilhões a Estados e Distrito Federal. Serão repassados R$ 58 bilhões para compensar as perdas com a isenção de ICMS nas exportações até 2037. O projeto é fruto de um acordo entre os estados e o governo federal que põe fim a um impasse de mais de 20 anos. A negociação foi intermediada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). (Valor)

Tributação de Dividendos: A tributação de lucros e dividendos das pessoas físicas ganhou participação maior na taxação global sobre lucros distribuídos. Extinta no Brasil em 1996, a tributação sobre dividendos a pessoas físicas é uma das propostas em estudo para ser incluída na reforma tributária. (Valor)

Start Ups: Foi enviado ao Congresso Nacional o substitutivo ao texto original do Projeto de Lei que criará o Marco Legal das Startups no Brasil. Baseado no PLP 146/2019 (Câmara) e no PLC 249/2020 (Poder Executivo via Ministérios da Economia e Ciência, Tecnologia e Inovações), com objetivo de fomentar o ambiente de negócios, aumentar a oferta de capital para investimentos no setor (nacional e internacional), incentivar a internacionalização de empresas nacionais e regular a licitação e contratação de inovação pela Administração Pública. (Valor)

Governo

Déficit Primário: O déficit primário do governo central atingiu o valor recorde de R$ 699,1 bilhões no acumulado do ano até novembro, informou o Tesouro Nacional. A secretaria destacou que as contas públicas devem fechar o ano com um resultado melhor do que o projetado, mas chamou atenção para o fato de que, para 2021, é observado um aumento nas incertezas em relação à segunda onda de covid-19. Isso em um cenário apertado para novas medidas de enfrentamento à pandemia. O resultado primário exclui despesas com juros. (Valor)

Economia nas Compras Públicas: O governo federal estima ter economizado R$ 1,2 bilhão em suas aquisições de bens e serviços em 2020. De acordo com o Ministério da Economia, a pandemia de covid-19 estimulou processos de compras compartilhadas e foram atingidos valores recordes no que diz respeito à quantidade de processos e valores economizados. Quase metade do montante economizado é referente à compra centralizada de notebooks, desktops e monitores, que reduziu os gastos em R$ 515 milhões. São R$ 420 milhões pelo ganho de escala e R$ 93 milhões pela redução de processos licitatórios. (Valor)

Salário Mínimo 1: Bolsonaro assinou a medida provisória (MP) que estabelece o salário mínimo no valor de R$ 1.100 a partir de 1 de janeiro de 2021. Atualmente, o mínimo é de R$ 1.045. O novo valor é superior aos R$ 1.088 previstos pelo governo federal na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A alta recente da inflação fez a equipe econômica rever a sua estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado para definir o reajuste. (Valor)

Salário Mínimo 2: Segundo estimativas do governo, para cada R$ 1 de aumento no salário mínimo há uma alta anual de R$ 330 milhões nas despesas da União.

Memorando de Cooperação: O Brasil e o Reino Unido assinaram nesta terça-feira (29) memorando de entendimento para impulsionar a cooperação entre os países na área de transformação digital, informou o Ministério da Economia. Segundo a pasta, o país europeu passará a colaborar com a criação de estratégias e aplicação de soluções “em prol dos serviços públicos brasileiros”.

Leilões de Rodovias: A esperada onda de leilões de rodovias prevista para 2020 não se concretizou, por conta da pandemia, mas virá ainda maior nos próximos dois anos. A avalanche de novas concessões promete ser tão numerosa que alguns questionam se haverá concorrentes para todos os projetos – principalmente nos Estados. (Valor)

Ambiente internacional

China: O Fundo Monetário Internacional (FMI) previu em outubro que o Produto Interno Bruto (PIB) da China crescerá 1,9% neste ano, para se expandir 8,2% em 2021. A entidade estima que a economia global terá uma contração de 4,4% em 2020, a pior queda desde a Grande Depressão de 1930. Num feito histórico o país retirou 100 milhões de chineses que vivem áreas rurais da pobreza, nos últimos oito anos. (Valor)

Alta do Minério de Ferro: O preço do minério de ferro confirmou as previsões mais otimistas para 2020 e encerrou o ano no nível de US$ 160 por tonelada no mercado à vista, o mais alto desde fevereiro de 2013. Restrições na oferta, em particular da commodity de origem brasileira, e demanda mais aquecida do que o esperado na China explicam o ganho anual expressivo, de 74%. (Valor)

Big Techs na Pandemia 1: Facebook, Amazon, Apple e Google tiveram um bom desempenho financeiro, com o preço das ações e o lucro de cada empresa aumentando consideravelmente desde o início do ano. Elas ganharam usuários, lançaram novos produtos e recursos e continuaram contratando, mesmo quando outras empresas e setores enfrentaram cortes significativos. (Valor)

Big Techs na Pandemia 2: Mas nem tudo está bem no mundo das Big Techs. Os órgãos reguladores estão pressionando crescentemente as empresas e é improvável que isso diminua em 2021. O Google enfrenta um processo antitruste do Departamento de Justiça dos EUA. E o Facebook foi atingido por um da Federal Trade Commission, juntamente com quase todos os estados dos EUA, que buscam levar a empresa a se desfazer do WhatsApp e do Instagram. Congressistas americanos passaram meses investigando as ações da Apple e da Amazon, além do Facebook e do Google, e chamaram os CEOs das quatro empresas para testemunhar. (Valor)


Fontes: Jornal Valor, Canal Meio Newsletter, FGV, Folha, Carta Capital, Blog do Paulo Gala e Globo

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