Conversas sobre o futuro: as frustrações em tempos de desalento

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O ritmo lento de vacinação no Brasil e a ausência de iniciativas firmes do governo prenunciam novos tempos de frustrações da população brasileira

Oi, como vai?

Eu sou o Carlos Plácido Teixeira, jornalista e editor do Radar do Futuro

Vamos conversar hoje como a visão antecipatória auxilia a todos para enfrentar desafios futuros.

É improvável o desaparecimento dos hábitos e restrições impostos pela pandemia de Covid-19 em nosso cotidiano tão rapidamente quanto desejamos. Precisamos estar conscientes quanto às frustrações que isso vai causar. O alerta me pareceu necessário ao ouvir, recentemente, uma cunhada relatar a angústia da filha diante das experiências vividas em 2019. A adolescente, de espírito alegre e muita energia, não aguenta mais os dias de privação de aulas e dos encontros com amigas e amigos. Claro, na transição dos 15 para os 16 anos, está ansiosa para retornar para a sala de aula. Não suporta mais o isolamento, a convivência restrita ao Instagram e Zoom e os raros encontros fora de casa.

Em quase um ano de pandemia, os impactos psicológicos são, em si, preocupantes. Um motivador para enfrentar a rotina é, sem dúvida, a possibilidade de imunização. Porém, no cenário de expectativas, a preparação para as possíveis frustrações é essencial. Ok, há uma chance de retorno de aulas em escolas privadas, principalmente, com protocolos de segurança, mesmo antes da vacinação. A distribuição das primeiras doses de vacina no Brasil criou a ilusão de que finalmente estamos perto da liberdade. Pelo andar da carruagem, entretanto, a história da pandemia ainda tende a perdurar bom um tempo. Um tempo maior, por sinal, podendo passar até para 2022. E o retorno às aulas não acontecerá tão rapidamente quanto a adolescente gostaria.

Isso significa que as restrições permanecerão. Inclusive para os pais e mães, de crianças e adolescentes. Para os trabalhadores, a instabilidade dos empregos seguirá. E o lazer continuará regulado, entre novos surtos do vírus e a lentidão da distribuição das vacinas. Muitos ainda não poderão dar abraços em seus amigos e parentes. Consideremos os fatos: a pandemia continua a deixar suas marcas nos corpos e nos sentimentos.

Prepare-se para o futuro

É necessário estar atento e forte. Os próximos meses serão marcados por muita frustração, estado emocional que ocorre quando um desejo ou uma necessidade não são realizados. Sua intensidade está diretamente relacionada ao tamanho das expectativas: quanto mais energia você investe para que algo aconteça, mais frustrado se sente quando as coisas não saem como planejado. Precisamos todos estar preparados para os desafios que ainda virão pela frente. O sentimento de que há um processo a cumprir, com novas perdas.


Insights

Para pensar

A tecnologia é exponencial, mas a humanidade é linear. A tecnologia não é, por princípio, libertadora. Ao contrário, ela pode ser extremamente opressiva. E controladora.

Expansão solar

Para baixar os gastos com a conta de luz, condomínios do Rio têm recorrido a uma nova modalidade de acesso a sistemas de energia solar: o aluguel tanto dos equipamentos quanto do serviço. Uma vez contratados, os projetos permitem uma redução entre 10% e 20% do valor da despesa dos edifícios, mas, em alguns casos, a economia pode chegar a 30%. O uso de energia solar no Brasil dobra no País com a queda do preço dos equipamentos.

Ataque ao aquecimento global

Em uma de suas novas empreitadas, Gates está financiando o desenvolvimento de uma tecnologia capaz de escurecer o Sol e que poderia refletir a luz solar para fora da atmosfera da Terra, segundo informações da revista americana Forbes. O objetivo disso tudo é diminuir o aquecimento global, deixando o planeta mais gelado.

Carne sem carne no mercado

A startup de carnes à base de plantas Fazenda Futuro acaba de lançar Futuro Burger 2030, um hambúrguer com sabor e textura que pretende ser ainda mais similar ao de origem animal. Para isso, todos os hambúrgueres da versão anterior foram retirados das prateleiras.

Indicadores: tendências em dados

Desindustrialização

O Brasil perdeu em média 17 fábricas por dia nos últimos seis anos. Em 2020, foram 5,5 mil fábricas. Ao todo, entre 2015 e 2020 foram 36,6 mil. Os dados de um levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ilustram o processo de desindustrialização no País. Entre 2002 e 2014, o número de fábricas apresentava crescimento.

Consumo de carne em queda

O consumo de carne bovina no Brasil deve voltar em 2021 ao patamar de duas décadas atrás. Em 2020, a alta dos preços foi de 18% e a perspectiva para os próximos 12 meses é de continuidade da alta. Há uma combinação de demanda da China com a queda da renda da população brasileira, desemprego recorde, avanço da pandemia e fim do auxílio desemprego.

Venda de vinhos tem alta de 31% em 2020, impulsionada pela quarentena. Mas a queda da renda, por conta da crise econômica e perspectiva de retomada de algumas rotinas, deve inibir a continuidade do crescimento.

Casamentos: aumento das separações

No Brasil, o número total de divórcios extrajudiciais feitos diretamente em Cartórios de Notas, no segundo semestre de 2020, foi de 43.859, 15% maior do que as 38.174 dissoluções matrimoniais ocorridas no segundo semestre de 2019. A variação anual de um ano para outro é ainda 13 pontos percentuais superior à média histórica nacional, que apontava crescimento anual de 2% nos divórcios em Cartórios desde 2010. O mês de outubro foi aquele com maior número de divórcios desde 2007, com mais de 7,6 mil divórcios no País em um período de tempo de 31 dias.

Por que ser otimista sobre o futuro

Eduardo Fernandez, diretor de neuroengenharia da Universidade Miguel Hernández em Elche, na Espanha, antecipam a possibilidade de regeneração da visão, diz matéria publicada pelo The Guardian. Em vez de desenvolver uma retina artificial, ele criou um dispositivo que restaura a visão alimentando sinais diretamente para o cérebro. Como a maioria das pessoas cegas tem danos ao sistema nervoso que conecta a retina e o cérebro, o trabalho de Fernandez pode ajudar mais pessoas do que desenvolver um olho artificial.

Enquanto a busca por vacinas contra o Covid-19 chamavam a atenção do mundo, pesquisadores responsáveis por um estudo conhecido como HPTN 084 também publicaram resultados espetaculares de enfrentamento ao HIV. Segundo o The Guardian, o ensaio, realizado em sete países da África Subsaariana, descobriu que uma injeção de oito semanas com um medicamento chamado cabotegravir foi mais eficaz do que a medicação diária em forma de comprimido oral na prevenção do HIV em mulheres.

Um estudo inovador de uma equipe de neurologistas da Universidade de Stanford afirma ter descoberto uma maneira pela qual as células imunes se tornam disfuncionais à medida que envelhecemos, levando ao hiperdrive inflamatório que desempenha um papel na maioria das doenças relacionadas à idade, do câncer ao declínio cognitivo. O estudo preliminar sugere que essa disfunção imunológica pode ser revertida, apontando para futuras terapias anti-envelhecimento atraentes.

Profissões & Setores

6 tecnologias para o varejo

Em 2021, os empresários do comércio devem ser convencidos a continuar seus investimentos em tecnologias. A pandemia tende a prevalecer como um problema limitante para a circulação de pessoas. O investimentos em inovação deve ser a saída. Confira seis tecnologias que podem fazer a diferença no dia a dia do comércio.

Como antecipar o futuro

Como imaginamos o futuro: Antropólogas analisam a influência da mídia

Antropóloga Rosana Pinheiro-Machado iniciou há seis meses um projeto de estudo sobre discursos do mundo pós-covid. “Tudo que é imaginado e descrito na mídia sobre o futuro do mundo resulta, em grande medida, numa forma de intervenção – nada desinteressada – sobre a própria realidade”, dizem as autoras.

O que estudos sobre futuro são e não são

“Não é verdade que seja impossível tentar antecipar as coisas que estão por vir. Mas há limites”, afirma Jim Dator, professor e diretor do Centro de Pesquisa de Estudos Futuros do Havaí. Para ele, os estudos de futuro são geralmente mal entendidos. Há duas perspectivas conflitantes. Os que acreditam que tudo é possível, usando a ciência preditiva, como uma ciência exata. E há os que defendem a impossibilidade de previsões. Confira aqui

Sugestões de leitura

PARA ENTENDER O BRASIL
República das milícias – dos esquadrões da morte à era Bolsonaro

O jornalista Bruno Paes Manso revela como as milícias dominam regiões do Rio de Janeiro. Dos esquadrões da morte formados nos anos 1960 ao domínio do tráfico nos anos 1980 e 1990, dos porões da ditadura militar às máfias de caça-níquel, da ascensão do modelo de negócios miliciano ao assassinato de Marielle Franco, este livro joga luz sobre uma face sombria da experiência nacional que passou ao centro do palco com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência em 2018. Mistura rara de reportagem de altíssima voltagem com olhar analítico e historiográfico, A república das milícias expõe de forma corajosa e pioneira uma ferida profundamente enraizada na sociedade brasileira.

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