Nesta semana, as nossas conversas sobre o futuro são abertas com o cooperativismo de plataforma, uma alternativa para as transformações do mercado de trabalho.
Carlos Plácido Teixeira
O empreendedorismo, como ação isolada e individualizada, não será capaz de solucionar a crise do mercado de trabalho do futuro. O que pode realmente ajudar a reduzir os impactos das transformações dos sistemas de produção de bens e serviços é o cooperativismo de plataforma. A expansão do conceito tende a ser mais difundido nos próximos anos com o início das atividades do Observatório do Cooperativismo de Plataforma, projeto financiado pela Fundação Rosa Luxemburgo com fundos do Ministério Federal para a Cooperação Econômica e de Desenvolvimento da Alemanha (BMZ).
O Observatório será um hub para o cooperativismo de plataforma no Brasil. O projeto vai contribuir para a produção e circulação de princípios e práticas por meio de vídeos e curadoria de conteúdo – em termos de notícias, pesquisas, e outros recursos e ferramentas. Além disso, será um lugar estratégico para publicação de resultados de investigações sobre o tema.
O termo foi popularizado em 2014 por Trebor Scholz, professor The New School, nos Estados Unidos, ativista e autor de um livro pioneiro. Na prática, propõe que trabalhadores se juntem para se apropriar e desenvolver plataformas tecnológicas próprias, reduzindo a dependência de informações dos grandes proprietários internacionais de sistemas de organização do trabalho.
Por que é importante
A proposta confronta o monopólio da “economia do compartilhamento”, que tem o Uber como principal exemplo, como algo que possa realmente dar condições dignas de sobrevivência para quem precisa ter renda para sobreviver. Já as “plataformas digitais controladas por trabalhadores e/ou pelas comunidades locais”, como define o laboratório, são uma saída para a adoção de ferramentas de trabalhos conjuntas, em que ganhos maiores ficam com os trabalhadores.
Tendências
Passeios de carona virtual
Vontade de passear por Paris, mas sem condições de viajar porque as fronteiras estão fechadas para brasileiros? Contrate alguém com uma câmera 360% e proponha a ela um passeio pela cidade. Da sua casa, você acompanha com seus óculos de realidade virtual. Direciona o seu olhar. E aproveita. Isso mesmo, as pessoas estão começando a pensar mais amplamente sobre como podem viabilizar o desejo de viajar enquanto estão presas em casa. Viagens virtuais , câmeras de animais ao vivo e até mesmo algumas (muito melhores) experiências de realidade virtual estão atraindo interesse de um público muito mais disposto a experimentar e abraçar tecnologias disruptivas. Muita coisa experimentada hoje seguirá como serviço especial.
Olhe para o futuro para sobreviver
As organizações estão usando análise de dados e inteligência artificial para tomar decisões e definir estratégias que antecipam o futuro.
Em vez de focar no passado em busca de insights, as organizações estão cada vez mais olhando para o futuro. O conselho de graça é dado pela multinacional da tecnologia Accenture, que está desenvolvendo uma abordagem aprimorada de tomada de decisão baseada em “aprender com o futuro”. Confira
Instagram sente o peso da concorrência
Mudanças do modelo de negócios do Instagram apontam para a tendência de substituição e incorporação gradual dos feeds estáticos pelas imagens com som e movimento. A era do compartilhamento de fotos quadradas está ficando para trás. Com a pressão da concorrência, como o sucesso do Tik ToK, o Instagram prepara a apresentação de novidades, como a liberação para publicação de feeds pelos computadores desktop.
McKinsey: grandes tendências até 2030
Nos próximos dez anos, a tecnologia vai remodelar os setores de saúde, energia, transporte e criar novos materiais. As empresas que antes forneciam materiais e peças devem assistir a uma disrupção na cadeia de suprimento, em que será possível construir as próprias peças a partir da combinação de impressão 3D ou 4D com novos materiais. As projeções são da pesquisa “The Top Trends in Tech”, da McKinsey.
Ainda de acordo com o estudo, vamos assistir à combinação de sensores, visão computacional, Inteligência Artificial (IA), Realidade Aumentada (AR) e computação imersiva e espacial por varejistas que vão entregar designs com experiências semelhantes às de um videogame. As organizações dos setores farmacêutico, químico e outros associados às ciências poderão contar com funções virtualizadas de P&D ou uma função financeira totalmente automatizada.
Miniaturização: rumo aos equipamentos flextrônicos
Cientistas da Universidade Stanford, nos EUA, desenvolveram uma nova técnica que permite a fabricação mais eficiente de transistores flexíveis de espessura atômica, com menos de 100 nanômetros de comprimento e um alto nível de desempenho energético. O avanço na miniaturização é um passo importante para a criação dos chamados dispositivos “flextronics”, ou flextrônicos. A tecnologia possibilita a fabricação de circuitos de computador dobráveis que conservam a eficiência energética e podem ser implantados no corpo humano ou utilizados na Internet das Coisas (IoT).
Indicadores
Onde trabalhar – Uma pesquisa americana que acompanha milhares de trabalhadores desde maio de 2020 perguntou como as pessoas gostariam de trabalhar depois da vacina. O estudo descobriu que 32% não querem nunca mais voltar para o escritório. Outros 21% querem ter um escritório onde ir todo dia. Homens são maioria entre os que desejam um endereço fora de casa.
Concentração da renda – A pandemia ampliou ainda mais o distanciamento entre ricos e pobres na região mais desigual do mundo – a América Latina e o Caribe. É o que mostram o relatório do Banco Mundial, sob o título “O crescimento gradual e o rápido declínio da classe média na América Latina e Caribe” e os estudos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A classe média encolheu em 2020 para 37% do total da população. O número de pessoas vulneráveis aumentou para 38,5%, na outra ponta o número de bilionários cresceu 40%. A maioria dos novos bilionários, que aumentaram suas fortunas graças à revalorização das bolsas de valores, são empresários dos setores financeiro, telecomunicações, meios digitais de pagamento e saúde.
5G e os veículos conectados e autônomos
Em 2025, 20 milhões de veículos totalmente autônomos representarão cerca de 1% de todos os veículos nas estradas do mundo, graças ao 5G
Insights
Mudanças aceleradas
Para o cofundador da Singularity University, Peter Diamandis, o mundo terá em uma década mais progresso do que nos últimos 100 anos combinados.
Poder de destruição
Matéria do site BBC Brasil diz que uma nova ameaça global capaz de destruir a vida na Terra — desconhecida para muitas pessoas — está se formando nas sombras da nossa vida cotidiana. Ela é movida pelo imenso desejo humano de consumo material. E, paradoxalmente, uma consequência da própria vida humana. Confira
Impactos do clima em crise
O Canadá enfrenta uma onda de calor sem precedentes. As altas temperaturas causaram dezenas de mortes. No vizinho Estados Unidos, fenômeno semelhante preocupa especialistas. Eles atribuem os registros às mudanças climáticas ligadas ao aquecimento global, sinalizando a possibilidade de um aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como as ondas de calor.
Conversas sobre o futuro e a sua dúvida
Psicologia como segunda carreira
Penso em fazer o curso de psicologia como uma segunda carreira. Já sou formada em direito. Será que vale a pena mudar de área?
Silvia
Se você se formar por volta de 2026 você tende a encontrar um mercado com algumas transformações importantes em comportamentos individuais e sociais e, em especial, no impacto das tecnologias. Do ponto de vista das inovações, a perspectiva de consolidação do teleatendimento. Pode ser que as redes de internet estejam entrando na velocidade 6G, de ultra velozes. O que possibilita a evolução de sistemas de realidade virtual. Inclusive de hologramas, que possibilitam a sensação de presença das pessoas.
A sociedade estará colhendo os efeitos negativos da crise da primeira metade da década. A tentativa, de verdade, de revisão de crenças e valores e a tentativa de enxergar o que levou o mundo a ter queda da qualidade de vida apesar da tecnologia prometer melhoras. A Organização Mundial de Saúde prevê que esta é a década da depressão.
A influência das tecnologias vai gerar o paradoxo da valorização das funções humanas. Imagine os efeitos da quantidade de pessoas que já encaram a relação com o Smartphone como vício. Com questões climáticas à frente, envelhecimento se acelerando, pelo menos em tese, a sociedade precisará mais de psicólogos do que de advogados — que hoje já são muitos.
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Em resumo
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