Como o metaverso impacta o futuro das atividades humanas

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Ambiente virtual baseado em sistemas de realidade virtual, o metaverso terá força para mudar hábitos e criar novos padrões sociais

Imagem ilustrativa: metaverso
casal em ambiente de floresta, usando óculos de realidade virtual
Ilustração: Pixabay.com

Carlos Plácido Teixeira
Jornalista I Radar do Futuro

Um dia você se lembra como ficava incomodado porque os seus filhos e os amigos deles, todos adolescentes, não desgrudavam os olhos dos celulares. Era como se o mundo não existisse ao redor. Em todos os momentos dia. Recorda também da febre do Pokémon Go, a brincadeira baseada em inteligência aumentada, que, em 2016, mobilizou grandes grupos de pessoas, inclusive adultos, na caça por animais fantasiosos e virtuais. Achava tudo aquilo uma bobagem. Ou até mais: um idiotice da nova era da humanidade.

No futuro, em 2024, você consegue entender a força dominante daquele tempo, nem tão distante assim. Como os outros, você também foi abduzido. Não por extraterrestres, mas pela tecnologia, que combina pessoas e coisas em terceira dimensão, os seus “gêmeos digitais”, e um novo mundo de oportunidades e desafios emocionantes. Mais extrovertido com a sua versão em bites, você está até mais envolvido com os seus equipamentos do que aquelas pessoas que geravam irritação há alguns anos.

Desde o final de 2022, sua vida passou a ter uma referência no ambiente do “metaverso”. E em pouco tempo o hábito estava consolidado. A pandemia finalmente acabou, mas o seu trabalho continuou a ser feito em casa. O cotidiano é marcado por acontecimentos digitais, como encontros com amigos, conversas, jogos de futebol, reuniões de trabalho, demonstrações, compartilhamento de vídeos, e testes de produtos e, até mesmo aquisição de produtos, como quadros e novos brinquedos. As aventuras de todos os tipos, inclusive aquelas que demandavam coragem.

O que é metaverso

Para quem ainda tem dúvidas sobre o que é o “metaverso”, pense em um mundo paralelo. Um lugar onde podemos interagir com outras pessoas usando um óculos de realidade virtual e acesso a uma internet de alta velocidade. Interagimos por voz ou com gestos. O mouse vira peça de museu. Os elementos de som e outros sensoriais darão ao usuário a experiência da realidade no mundo paralelo. O ambiente virtual é um espelho do mundo real, graças à tecnologia de simulação disponível. As pessoas criam personagens cada vez mais realísticos, assim como os objetos em volta.

Em uma comparação superficial, jovens acostumados com os jogos virtuais pela internet já “praticam o metaverso”. Bastante populares no mercado, as disputas em redes antecipam um pouco do cenário do que pode acontecer nos próximos anos: a disseminação do uso de novas plataformas e a corrida das empresas pelo lançamento de suas plataformas e inovações e pelo posicionamento no mercado como vencedores da disputa de mercados.

Todos os “moradores do cenário digital” interagem por meio de seus avatares 3D, os personagens de uma história que se desenvolve nas redes de internet, com o uso de tecnologias de realidade virtual e aumentada. Os nossos gêmeos digitais poderão visitar o Museu do Louvre, em Paris, com cicerones especiais. E com tradutores de qualquer idioma para visitas a qualquer lugar do mundo. Você pode ter uma aula de filosofia oriental com uma professora tailandesa, que vai fazer os participantes se sentirem integrados ao ambiente rústico de uma praia.

Ao buscar definições sobre “metaverso”, talvez seja mais importante entender que estamos diante da criação de um novo momento da história das tecnologias informatizadas. No grande palco global e digital, a nova interface que dá acesso ao ambiente de simulação da realidade inclui a criação de novos modelos de negócios, com o desenvolvimento de novos produtos e serviços, divulgação e comercialização. Operações de compra e venda utilizam criptomoedas, que permitem aos usuários interagir virtualmente, bem como usá-las como moedas. 

Desafios

Metaverso é um conceito anterior à decisão de Mark Zuckerberg de divulgar os seus planos para a nova plataforma. Ao anunciar a mudança do nome do Facebook para Meta, em novembro de 2021, o executivo demonstrou, na verdade, a importância estratégica que os sistemas de realidades simuladas terão nos próximos anos.

O início do conceito remonta ao romance distópico de ficção científica Nevasca, de Neal Stephenson, publicado em 1992. Ele cunhou o termo metaverso no romance, como um mundo virtual de avatar 3D. A ficção está presente em outras obras, inclusive no filme Matrix.

Iniciativas semelhantes às plataformas atuais já foram desenvolvidas na internet também. O exemplo mais poderoso foi o Second Life ambiente virtual, semelhante a um jogo, criado no final da década de 1990 e lançado para o público em 2003. Foi um sucesso transitório. O que tende a garantir resultados de longo prazo para o metaverso, agora, é o fato de que as tecnologias disponíveis hoje são alguns milhares de vezes melhores do que no início do século.

Outro dado de diferenciação é o fato de que, agora, as condições ideais das redes de transmissão de dados e o poder de processamento e de armazenamento de informações induzem a uma luta pelo protagonismo no mercado tecnológico. Zuckerberg, com a nova marca Meta, aparentemente tentou marcar posição como inovador e pioneiro. As grandes empresas — big techs — estão investindo muito em desenvolvimento de produtos e histórias inovadoras. E todas querem uma participação e controle sobre o ambiente de simulação do mundo real.

Oportunidades

A Microsoft já dá passos largos para não repetir erros de avaliação do passado, quando subestimou a importância da internet. A dona do Windows enxerga o metaverso, agora, como o local onde o futuro está ganhando forma e conteúdo. A imaginação de seus técnicos leva à simulação do funcionamento de mercados, com lojas, fábricas e suas linhas de produção.

Novas oportunidades de negócios envolveriam, então, a possibilidade de realização de testes e treinamentos de equipes. Ou a preparação para a prevenção contra acidentes. As inovações têm o objetivo de aproximar o eu físico do real digital, aumentando os recursos à disposição dos usuários. E pretendem convencer o mercado e os usuários das tecnologias sobre a emergência de uma “corrida pelo ouro”.

Não será difícil. Os momentos seguintes à divulgação da mudança de nome do Facebook foram seguidos pela profusão de projetos envolvendo o ambiente digital. Negócios já começaram a ser realizados. Segundo uma matéria publicada pelo site da emissora norte-americana CNBC, um mercado imobiliário paralelo, sem existência no mundo físico, real, começou a se aquecer, com alguns endereços virtuais chegando a ser vendidos por milhões de dólares.

Metaverso em ebulição

  • Negócios que movimentam o ambiente virtual
    • Os imóveis estão em processo de valorização. Ao descobrir que o rapper Snoop Dogg estava construindo uma mansão virtual no ambiente Sandbox, um investidor e fã fez uma oferta de 450 mil dólares para comprar um “terreno ao lado” e ser vizinho da estrela
    • O escritório de advocacia Grungo Colarulo, especializado em seguros de acidentes pessoais, anunciou recentemente o lançamento de uma sede no metaverso
    • A banca de Nova Jersey (EUA) alega ser a primeira do mundo a abrir um escritório no universo virtual. A nova sede foi desenvolvida dentro da plataforma de realidade virtual Decentraland
    • NFT de iate de luxo é vendido por R$ 3,6 milhões
    • Marcas de luxo estão ganhando no metaverso
    • Startup britânica é conhecida por ser a primeira ‘loja de departamento digital’
    • Gamers já compram ‘roupas’ no mundo digital; metaverso vai aumentar número de compras
    • Empresas começaram a hospedar festivais e shows do metaverso

Impactos

Não há qualquer dúvida de que o metaverso tende a se consolidar como ambiente de oportunidade de negócios. Para empresas de todos os portes, um campo a ser explorado com a geração de projetos criativos, que explorem tanto o espaço virtual quanto a integração do real com o digital. Trabalhadores terão novos campos de atuação. Especialistas poderão ser gestores de propriedades ou cidades virtuais, por exemplo. Para o consumidor, um novo lugar de experimentação. O cidadão ganha alternativas de relacionamento social.

Mas as preocupações também devem ser levadas em consideração. Em especial, com as consequências da migração para ambientes virtuais nas relações humanas. A história do início do texto, em que o adulto sucumbe à sedução da internet, tende a gerar problemas como os que colocam as mídias sociais como forças de distanciamento, isolamento e dificuldades de interação. Hoje, a convivência física foi transferida para espaço virtual. 

Na avaliação sobre o cenário onde o metaverso se insere é necessário que a sociedade entenda que há outras variáveis de mudanças. A pandemia acelerou as etapas da revolução digital, ou quarta revolução industrial, como alguns preferem. O mercado vive a transição de novas gerações, com acesso a oportunidades diferentes dos seus pais e avós, que estão se aposentando em melhores condições financeiras e com boa saúde. A crise climática tende a se aprofundar, enquanto as instituições são cada vez mais desacreditadas, diante da crise política e econômica que se prolonga nas últimas décadas. Não há, então, ilusões, metaverso é mais uma peça de jogo de grandes transformações do futuro.

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