A longevidade favorece as mudanças radicais na metade da vida

Carlos Teixeira / Designer do Futuro

Pense bem. Há cerca de meio século, uma pessoa aos 35 anos já estaria começando a pensar seriamente, e com medo, na aposentadoria. Fichado em uma mesma empresa, onde entrou ainda jovem, evoluindo passo a passo na carreira, não teria preocupações maiores em suas rotinas de trabalho e casa, além de cumprir fielmente as atribuições definidas pelo empregador. A expectativa média de vida da população, em 1960 era de 48 anos.

Hoje, o brasileiro médio vive 73,4 anos, segundo as estimativas do IBGE. Considerando as condições de avanço da medicina, muito mais gente chegará a essa idade com saúde para dar e vender, andando de bike e viajando pelo mundo.

Não é possível mais ficar imaginando que alguém continuará em uma mesma profissão repetindo apenas rotinas sádicas. Esperando a sexta-feira chegar e temendo o fim do final de semana. E reclamando da vida, dos chefes, dos colegas. De tudo.

Reclamar da profissão é uma religião que une mentalmente mais gente que a maioria das religiões de fato. Segundo uma pesquisa Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (Ipom), realizado entre os meses de fevereiro e março de 2014, de cada 10 profissionais, sete confessam a insatisfação com a carreira ou emprego. E que gostariam de trocar de função ou empresa.

Outro dado que demonstra grande insatisfação com o trabalho é o fato de que 65% das pessoas não fazerem o que gostam, mas tolerarem exercer uma atividade remunerada sem prazer, em função de questões financeiras, familiares ou por imposição da sociedade. Se submetem à tristeza, considerando-se injustiçados por um sistema que não reconhece méritos.

Segundo uma outra pesquisa, do Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (Ibope) para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os brasileiros nunca estiveram tão insatisfeitos com a vida. As pessoas mesclam o medo de perder o emprego em tempos de crise com uma visão negativa sobre as perspectivas pessoais.

A hora de repensar

Entendendo o cenário de gente que vive mais e da insatisfação crescente, nada melhor do que encarar a verdade: o melhor momento para parar e pensar em novos rumos é por volta dos 35 anos. Membros desse grupo têm até uma categorização própria, são da geração do milênio, os nascidos entre 1985 e 2000.

Aqui vão algumas razões para eles repensarem o futuro:

1 – Você já tem experiência de vida

Com 35 anos, você já teve boas oportunidades para entender como o mundo funciona. Ao contrário dos seus 17 a 19 anos, quando foi obrigado a fazer uma escolha sem grandes alternativas. Segundo pesquisas de cursos pré-universitários, 50% dos jovens definem um curso a seguir sem ter a menor noção do que está sendo oferecido.

Em síntese, pessoas fazem escolhas na pior fase da vida — mesmo que seja a melhor fase da vida. Explicando, é a pior fase da vida para alguém tomar uma decisão para os 50 anos seguintes, no mínimo.

Por que? Porque falta a tal experiência de vida. Muitas pessoas já têm a bagagem de conhecimento aos 35, quando já aprenderam temas como responsabilidade individual, responsabilidade social, a importância das decisões e os efeitos práticos que certas loucuras da adolescência podem ter para o futuro. 

2 – Você já tem experiência profissional

Na meia idade dos tempos atuais, considerando alguém que tenha se formado até os 25 anos, já deu um bom tempo para entender como funciona o trabalho.

Saber que há empregadores, há chefes e colegas de trabalho. Há reconhecimento para alguns e para outros não.

Há sucesso, claro. E sistemas de recompensas. Há oportunidades e ameaças.

E já você contabiliza história em seu currículo.

Já é possível saber o que você gosta e desgosta. Se estiver no time dos que reclamam, ou seja, dos acumuladores de experiências profissionais negativa, tem melhores condições para identificar coisas que gostou de fazer e as que não gostou. O que foi bom para você. O que definitivamente não é, mas mesmo assim anda fazendo.

Já teve como eliminar as fantasias da profissão. Como aquela em que você se imaginava construindo uma mega hidrelétrica. E hoje acompanha obras da casa populares mal acabadas. 

3 – Você já valoriza o (auto)conhecimento

Na adolescência você gostava mesmo de plantar orquídeas. E de viajar. Acabou se formando em farmácia e vive enfurnado em laboratório. Vê luz do sol apenas no início e no final do dia.

Hoje, você possui melhores condições de conhecer o que você, indivíduo, pessoa, gosta de fato de fazer. Voltando lá atrás, ao contrário do passado, quando você tinha aquela arrogância adolescente, do “ih mãe, já sei como faz”.

Você tem mais possibilidade de olhar para dentro e identificar suas competências, habilidades e valores. Já tem alguma sabedoria, a capacitação para discernir qual o melhor caminho a seguir, a melhor atitude a adotar nos diferentes contextos que a vida nos apresenta.

4- Há uma nova consciência

No passado, nossos pais viviam um conformismo religioso, cristão, digamos. “As coisas funcionam assim”, diziam os nossos pais (Tudo bem, há muitas coisas que ainda funcionam dessa forma). Mas há mais gente acreditando que o mundo pode e deve mudar. Que não precisamos ser fadados a reclamar do trabalho, a viver mal uma relação, a aceitar injustiças. A viver eternamente no mesmo lugar, no mesmo emprego. Na mesma profissão.

O consumo de massa está mudando.

Mais que qualquer outro membro de outras gerações, os integrantes do grupo dos “quase 35 anos” são beneficiados pelo aceitação natural da mudança. A predisposição para dizer: legal, José largou a engenharia e foi plantar orquídeas”.

5 – Há um novo futuro

Quem tem 35 anos tem enormes vantagens competitivas. Como membro do que chamam de geração do milênio, teve boas noções sobre como funcionava o mundo analógico de seus pais. E domina, com olhos fechados, as inovações digitais.

Para os nascidos na primeira metade dos o início dos anos 1980, os produtos e serviços que estão amadurendo nos tempos atuais, de disrupção da quarta revolução industrial são conhecidos. São contemporâneos, na verdade.

Aprender a rever a profissão atual e recombinar as experiências pessoais e profissionais e o autoconhecimento com internet das coisas, com inteligência artificial, com drones, com biotecnologia e nanotecnologia é algo quase natural.

Só é necessaria a consciência para entender que esse é o grupo com maiores vantagens competitivas para viver o futuro como oportunidade para ser feliz.

Aproveite e conheça agora as propostas dos Designers do Futuro. Venha com a gente desbravar as oportunidades do futuro.

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