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Turismo em 2023: indicadores e tendências do setor no início do ano

As perspectivas para o turismo em 2023 no Brasil são positivas. Mas sem afastar os desafios gerados pelas crises dos cenários externo e interno

Mulher com mala diante de painel de voos de aeroporto- foto: Pixabay
O cenário do futuro do turismo é complexo. foto: Pixabay

Radar do Futuro

Após todos problemas criados pela pandemia do Covid-19, no setor de turismo não existem convicções absolutas sobre o futuro, seja de curto ou longo prazos. Na era das crises em série, nenhuma variável oferece garantias de normalidade. Mais que nunca, o retorno ao passado foi cancelado.

Fornecedores de produtos e serviços turísticos devem contar com mudanças permanantes no mercado e na sociedade, o que exige a construção de novos padrões de demanda e oferta, adaptados a tempos de transformações tecnológicas, econômicas, sociais, comportamentais e políticas, entre outras.

Mercado interno: novas prioridades da economia

Com a mudança de governo, as prioridades da gestão da economia tendem a favorecer o turismo regional. Ao tomar posse no início de janeiro, a nova ministra do Turismo, Daniela Carneiro, afirmou que buscará a recomposição orçamentária da pasta. Os cortes durante o governo Bolsonaro superaram os 70%.

O fortalecimento das instituições de fomento ao turismo integra as prioridades da pasta, que tem orçamento de apenas R$ 19 milhões para 2023. A Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), órgão vinculado ao Ministério, será revigorado, com a indicação do deputado federal Marcelo Freixo para a sua presidência.

A ministra defende a negociações para viabilizar a redução dos preços “exorbitantesminist” das passagens aéreas. E a retomada das reuniões do Conselho Nacional de Turismo é prioridade para Ministério do Turismo

Notas em destaque

Feriados prolongados devem movimentar R$ 74 bilhões em 2023, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A maioria dos feriados deste ano cairá numa quinta-feira, podendo resultar em ponto facultativo na sexta-feira.

O turismo na capital paulista voltou ao patamar pré-pandemia pela primeira vez desde janeiro de 2020. O setor registrou crescimento de 10,7% em novembro de 2022, na comparação com o mês anterior e atingiu a mesma pontuação do primeiro mês de 2020. Otimista, a Federação do Comércio de São Paulo espera bons resultados dos setores corporativos e de lazer.

Parque Nacional do Lençóis Maranhenses (MA) e a culinária do rio à mesa no coração de Manaus (AM) ganharam destaque internacional do jornal norte-americano The New York Times, na edição de 12 de janeiro. Segundo o Ministério do Tuirismo, matéria ressalta a beleza entre as dunas brancas e piscinas de água-marinha maranhense e a culinária extraordinária de Manaus com ingredientes típicos da região.

A transformação de cidades em Destinos Turísticos Inteligentes avança no Brasil. Localidades integrantes de projeto-piloto do Ministério do Turismo adotam iniciativas que aprimoram a experiência de visitantes e moradores em áreas como acessibilidade, inovação, sustentabilidade e marketing

Indicadores

  • Atividades turísticas registraram crescimento de 11,8% no final de 2022
  • Rio está entre as sete cidades do mundo para se conhecer antes de morrer, segundo publicação do CNBC
  • O Brasil conta com sete trilhas inseridas no RedeTrilhas, iniciativa governamental para o desenvolvimento de roteiros turísticos sustentáveis
  • Movimentação de passageiros cresce 7,6% em novembro de 2022
  • Sete parques nacionais em Minas vão receber R$ 150 milhões em investimentos
  • Minas Gerais é o segundo estado mais procurado por turistas no Brasil
  • Capitólio atinge 90% de ocupação hoteleira após implementação do plano “Viva o Mar de Minas”

Cenário internacional

Como efeito das incertezas do cenário, o desempenho do turismo global ainda é de cerca de 65% do registrado em 2019, segundo a Organização Mundial de Turismo (UNWTO). Os dados da agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que os desembarques internacionais ainda são 27% inferiores. Os turistas até voltaram a fazer pesquisas no Google sobre viagens aéreas. Mas ainda há apenas 45% dos países sem restrições geradas pelo Covid-19.

Transformações em série

Afinal, quando o mundo parecia caminhar para a recuperação das atividades pré-pandêmicas, vieram mais crises de dimensões locais e planetárias. A guerra da Ucrânia, radicalização política, aumento da inflação, previsões de baixo crescimento do Produto Interno Bruto mundial. A insegurança é ainda fortalecida pelas perspectivas de novos surtos de doenças, como ocorreu na China, e por problemas climáticos.

Em 2023, as economias globais continuarão a enfrentar vários ventos macroeconômicos contrários, incluindo incertezas geopolíticas, inflação e condições financeiras apertadas. Espera-se que o crescimento econômico global desacelere ainda mais, enquanto as cidades testemunharão um crescimento moderado dos gastos do consumidor. É provável que os preços das commodities diminuam e as cadeias de suprimentos globais se recuperem, mas os riscos de alta da inflação permanecerão. Alimentos e bebidas e produtos farmacêuticos são setores que devem ser resilientes, enquanto as perspectivas para indústrias intensivas em energia permanecem desafiadoras.

Tendências do turismo global

As viagens regionais tendem a ser uma das principais tendências de 2023, segundo entidades que representam o setor.

Segundo a American Hotel and Lodging Association (AHLA) a ebulição do mercado fez de 2022 o “ano do novo viajante”. A pandemia afetou a forma como as pessoas viajam em todo o mundo e também mudou as experiências de viagem.

Tendências do mercado, segundo a AHLA: 

1. Pesquisa on-line: Mesmo antes da pandemia, 83% dos adultos americanos preferiam reservar suas viagens online. Esse número só aumenta. A razão é simples: tempo. Vale contar também com a evolução da inteligência artificial.

2. Viagens significativas: De acordo com a pesquisa da Expedia, que entrevistou 12.000 viajantes em 12 países, 41% dos viajantes americanos buscam atualmente aventura e a sensação de que aproveitaram ao máximo suas viagens. 40% dos entrevistados também estão mais dispostos a investir fundos adicionais em suas excursões do que nunca.

As viagens baseadas na comunidade também estão atraindo mais viajantes que buscam significado e autenticidade durante o período de folga do trabalho. Os viajantes querem comer com os locais, percorrer os caminhos que percorrem e fazer compras nas suas aldeias, sabendo que para além de obterem uma experiência autêntica, estão também a contribuir financeiramente para a comunidade local.

3. Fidelização do cliente: Com as regras de viagem ainda mudando, horários de voos menos consistentes e todos os outros problemas inesperados que surgem durante a viagem, é crucial manter contato com seus clientes antes e durante a viagem, atualizando-os regularmente sobre quaisquer alterações que possam afetar sua viagem.

E se uma visita a um museu em particular estiver lotada? E se o ônibus da turnê quebrar? O guia turístico fica doente? Aquele restaurante que você reservou fechou inesperadamente? O contato regular e a capacidade de oferecer opções no local é um valor incrível que os operadores turísticos podem oferecer aos seus clientes.

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