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Quando máquinas fazem tudo, muitas pessoas se perguntam: o que faremos?

Máquinas precisam do homem. As máquinas podem fazer mais, mas há sempre mais a fazer. Foto por Digital Buggu em Pexels.com
Máquinas precisam do homem. As máquinas podem fazer mais, mas há sempre mais a fazer. Foto por Digital Buggu em Pexels.com

Roberto Wik *

Quando as máquinas fazem tudo, nos perguntamos: o que faremos? Que trabalho sobrará para as pessoas? Como vamos ganhar a vida quando as máquinas são mais baratas, rápidas e inteligentes do que nós? Máquinas que não fazem pausas ou tiram férias, não ficam doentes e não se importam sobre conversar com seus colegas sobre o jogo de ontem à noite? Para muitas pessoas, o futuro do trabalho se parece com um lugar sombrio.

O fato é que, no futuro, o trabalho mudará, mas não desaparecerá. Muitos trabalhadores terão dificuldade para se ajustar ao desaparecimento do trabalho que compreendem e encontrarão dificuldade em prosperar com o trabalho que não entendem. Torcer por transformações – que é o que o futuro do trabalho reserva para todos nós – nunca é fácil.

A preocupação com um futuro desempregado nunca foi tão grande. Aparentemente todos os dias, um líder acadêmico, pesquisador ou profissional da área de tecnologia sugere que em um mundo de automação e inteligência artificial (IA), os trabalhadores serão cada vez mais um excedente para o que as empresas precisam. Embora plausível, essa visão do futuro não é uma verdade absoluta. Aliás, vejo essa tendência com um olhar otimista. Alguns fatos sustentam minha teoria:

O trabalho sempre mudou. Poucos trabalhadores hoje ganham a vida como operador de telégrafo, ascensorista ou cobrador de ônibus ou pedágio. No entanto, essas profissões empregaram milhares de pessoas no passado.

Muitos trabalhos atuais são maçantes ou perigosos. Milhões de pessoas ao redor do mundo trabalham desmotivadas ou têm um risco elevado em sua atividade. Ao invés de tentar manter as pessoas nesses empregos, devemos empregar as máquinas e liberá-las para fazer algo mais gratificante, mais agradável, mais lucrativo.

Máquinas precisam do homem. As máquinas podem fazer mais, mas há sempre mais a fazer. Pode uma máquina (em seu software ou forma de hardware) criar-se, formar o próprio mercado, vender-se? Entregar-se? Alimentar-se? Limpar-se? Consertar a si mesma? As máquinas são ferramentas, e as ferramentas precisam ser utilizadas. Por pessoas. Imaginar o contrário é cair no reino da extrapolação e da ficção científica.

O Centro para o Futuro do Trabalho (Center for Future of Work – CFOW) da Cognizant busca identificar e analisar as principais tendências do mercado de trabalho em resposta ao surgimento de novas tecnologias e práticas de negócios no futuro das profissões, para os próximos 5 a 10 anos. Esse centro não é um lugar físico, e sim um grupo multidisciplinar que envolve pessoas de diferentes áreas da empresa focadas no futuro do trabalho. Trabalho este que nós não compreendemos completamente ainda e não é adequado para os nossos pais ou para nós mesmos, mas vai parecer ridículo para nossos filhos.


  • Roberto Wik é diretor de Indústria e Varejo da Cognizant na América Latina

 

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