No momento em que, em São Paulo, o governo estadual tenta, a todo custo, fechar escolas em nome de uma racionalidade administrativa, a população percebe que há movimentos de resistência. Como os que estão sendo promovidos pelos estudantes que ocupam as escolas para defender o direito ao ensino de qualidade. Os acontecimentos, coincidindo com protestos dos jovens paulistas, o Rio de Janeiro recebe, entre os dias 7 e 13 de dezembro, milhares de pessoas para o projeto “Emergências”, iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) que propõe pensar a cultura como ativadora de processos na conquista de direitos civis, políticos, sociais, econômicos e ambientais.
 
Ao mobilizar pensadores, ativistas, artistas, produtores culturais, gestores e agentes políticos, a iniciativa coordenada pela Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), demonstra que há uma efervescência que raramente aparece na mídia tradicional.  E que tende a se contrapor ao conservadorismo crescente.
 
O evento ocorrerá na cidade do Rio de Janeiro, em Niterói e na Baixada Fluminense, tendo, como anfitrião, o ministro da Cultura, Juca Ferreira. A programação inclui a presença de, entre outros, o cantor, compositor, ex-ministro da Cultura e ativista digital Gilberto Gil; o americano Lawrence Lessig, um dos maiores defensores da internet livre; a advogada e ex-senadora da Colômbia Piedad Córdoba; a filósofa, artista e feminista Márcia Tiburi; o escritor e roteirista Gregorio Duvivier, um dos criadores do Porta dos Fundos; e a senadora uruguaia Constanza Moreira.
 
Para falar sobre a busca pela transparência na indústria da música na era digital, foi confirmada a participação do britânico Peter Jenner. Para falar sobre a área de segurança pública, estará Luiz Eduardo Soares, um dos maiores especialistas brasileiros no tema. Os deputados federais Jean Wyllys (PSol-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também estarão no evento. Outros convidados são o diretor da Spcine, Alfredo Manevy; a coordenadora da Aliança pela Água, a arquiteta e urbanista Maru Whately; o secretário Geral da Junta Nacional de Drogas do Uruguai, Milton Romani; a grafiteira e ativista artística Panmela Castro; e o líder indígena, ambientalista e escritor Ailton Krenak. 
 
Por que Emergências?
 
O nome do evento remete a dois sentidos da palavra. De um lado, o sentido de urgência, associado a uma necessidade imediata de ações de enfrentamento dos retrocessos no campo dos direitos culturais e no conjunto dos direitos humanos. De outro lado, a palavra emergências faz referência ao que emerge, ao surgimento de um novo contexto social, cultural, político e econômico. Um contexto que surge aliado à mudança tecnológica e às comunicações, que viabiliza novos territórios culturais, novas modalidades de organização social e um novo mundo no campo da informação.
 
Programação
 
A programação será composta de uma grande variedade de atividades, como percursos culturais, debates, encontros, oficinas e atividades com autogestão. Dentre os temas de debates estão o contexto político do Brasil; os feminismos; a relação entre Cultura e cidade; as culturas indígenas; a revolução comunicacional e a nova ecologia das mídias; a internet como espaço público; a crise migratória e a interação entre as culturas; as estéticas emergentes, arte e diversidade; o aquecimento global; as intolerâncias religiosas; as fissuras no capital e os novos caminhos econômicos; a política de drogas e a relação com o extermínio da juventude negra.
 

 

Participe das conversas sobre o futuro. Deixe a sua opinião

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.