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Notas de Conjuntura: 5 de novembro de 2025

A direita ataca para garantir o controle absoluto sobre o ambiente político do País. O Judiciário reage. E a violência masculinista avança. Confira nas Notas de Conjuntura.

Apenas o procurador-geral da República tem legitimidade para propor denúncia contra os membros do STF. A determinação foi apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Ele também alterou o número necessário de senadores para aprovar a abertura do processo de impeachment: de maioria simples – ou seja, metade mais um dos presentes – para maioria qualificada – dois terços dos senadores.

A semana foi marcada por muita tensão institucional. Três temas dominaram os debates:

  • A lei que trata de processos de impeachment contra ministros do STF
  • O desejo de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, de impor um nome para o STF
  • As emendas parlamentares previstas no Orçamento federal

Por que importa: acirramento de tensões

A decisão de Gilmar Mendes abriu mais um capítulo dos embates entre os poderes da República. Mais diretamente, entre Legislativo e Judiciário. Deputados e senadores desejam inibir a capacidade do STF em regulamentar e limitar a autonomia de ação a favor de interesses de grupos econômicos, políticos e sociais que dominam o Congresso. No jogo de xadrez, de olho no futuro, o ministro move peças para neutralizar a possibilidade de intervenções indevidas no funcionamento do Judiciário.

Tendências: testes da correlação de forças

Vendo até mesmo a “aliança” dos Estados Unidos sendo perdida, em desvantagem nas pesquisas eleitorais para a presidência e dividida, a direita adota a estratégia de ataque permanente à governabilidade do Brasil e à normalidade das relações institucionais. Ainda no início de 2026, para os articuladores do segmento o presidencialismo de coalização precisa ser destruído para dar lugar para uma espécie de parlamentarismo autoritário.

Movimento dos atores

Em reação a Gilmar Mendes, o Senado tenta votar nova lei do impeachment ainda em 2025:
projeto deve ser votado antes do recesso e redefine regras para denúncias contra autoridades

Congresso
Aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias determina que o governo terá que pagar 65% das emendas antes das eleições. A medida, aprovada por votação simbólica, reflete a insatisfação de deputados e senadores com o ritmo lento de liberação dos recursos em 2025.

  • Dino cita “excessos” de pedidos de impeachment e diz que Moraes sofre “perseguição”

Família Bolsonaro

Contra a vontade dos filhos e com o marido preso, Michelle Bolsonaro se movimenta como potencial candidata à presidência. Por enquanto, ela atropela quem atravessa a sua frente.

  • Na imprensa, circula a informação de que o ex-presidente teria escolhido o filho Flávio para ser o representante da família em 2026 na disputa pela presidência

Bolsonarismo

A greve dos caminhoneiros indicada por algumas lideranças da categoria programada para a quinta-feira, dia 4, fracassou.

E daí

As últimas manifestações preparadas por lideranças do bolsonarismo tiveram resultado entre fraco e nenhum.

Elites globais

Após ser ignorado pelo Nobel, Trump recebe Prêmio da Paz da Fifa

BRASIL

Mercado de Trabalho: Desemprego cai a 5,4% e atinge menor patamar da série histórica, diz IBGE

Educação: Governo diz que conectará 100% das escolas até fim de 2026

MUNDO

Trump quer controle da América Latina e militarização

“O governo de Donald Trump não faz mais segredo sobre suas intenções na América Latina: retomar o controle da região, reinstalar a Doutrina Monroe e ampliar a presença militar no hesmifério”. A denúncia é do jornalista Jamil Chade, especialista em geopolítica. Segundo ele, a meta consta em um documento oficial da Casa Branca, publicado pelo Conselho Nacional de Segurança dos EUA.

Por que importa

O documento atesta a ferocidade do governo dos Estados Unidos contra a soberania dos governos da região. “A Casa Branca ressalta ainda que a ideologia de governos latino-americanos é secundária: o que importa é o “alinhamento” com os objetivos de Washington”, destaca Jamil Chade. A verdadeira motivação é de confrontar interesses de governos e empresas da Rússia e da China.

O jornalista José Reinaldo Carvalho, editor internacional do Brasil 247, avalia que há no horizonte futuro “um renovado ciclo intervencionista”, que utiliza o rótulo de “narcoterrorismo” como fachada. A verdadeira meta é o reordenamento do poder na América Latina, posicionando os Estados Unidos como árbitro único do destino regional, uma operação que, se consumada, tende a comprometer a soberania, a autodeterminação e o equilíbrio geopolítico de toda a região.

Tendência: 2026 terá intervenções eleitorais

As eleições para a presidência no Brasil serão influenciadas pelas mobilizações de aliados internos dos Estados Unidos. O governo Lula certamente tem consciência das ações formais e informais que podem ser realizadas para inibir a possibilidade de continuidade do governo petista.

Governo Milei: Crise industrial na Argentina: 21% das empresas demitiram trabalhadores e 40% tiveram queda na produção

INDICADORES

No Amazonas, 62% da exploração madeireira é feita ilegalmente. Estudo do Imazon mapeou retirada ilegal de madeira no estado

Dos 68 mil hectares em que há exploração madeireira no Amazonas, 42 mil não tinham autorização dos órgãos ambientais para a atividade, de acordo com levantamento divulgado nesta sexta-feira (5) pelo instituto de pesquisa Imazon. Isso significa que 62% da área com retirada de madeira no estado é ilegal.

Realizada anualmente pela Rede Simex, composta por três organizações ambientais – ICV, Imaflora e Imazon -, a pesquisa mapeou a extração madeireira no estado por meio de imagens de satélite e cruzou com as autorizações para a atividade emitidas pelos órgãos ambientais, abrangendo o período de agosto de 2023 a julho de 2024.

Desmatamento: Estudo aponta irregularidade em 37% dos processos de mineração no país

Pobreza

Quase 20% da população de favelas vivem em vias onde não passam carros

Para 3,1 milhões de moradores de favelas brasileiras, a chegada de uma ambulância na porta de casa ou a passagem de caminhão de lixo no local onde reside é condição impossível.

O dado significa que 19,1% dos habitantes de comunidades vivem em vias que suportam apenas o trânsito de motos, bicicletas e pessoas a pé. Fora das favelas, apenas 1,4% da população enfrenta essa limitação.

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