Deloitte mostra como empresas estão reagindo às recentes transformações do ambiente econômico e de negócios no país. Foto: Rawpixel.com
Deloitte mostra como empresas estão reagindo às recentes transformações do ambiente econômico e de negócios no país. Foto: Rawpixel.com

Deloitte

Em um momento de transição econômica tão relevante para o Brasil, tornou-se urgente para as empresas definirem quais rumos devem tomar para que possam se desenvolver e seguir adiante com seus planos. Diante disso, coloca-se o dilema: adequar as estratégias de otimização das operações ou expandir os negócios aos desafios correntes? A pesquisa inédita “Otimizar ou expandir? – Como inovar no novo momento econômico”, realizada pela Deloitte, propõe uma reflexão acerca do tema com a participação de 251 empresas de todo o país. O estudo mapeou resultados de estratégias, práticas de melhorias de processos, busca por eficiência, inovação e transformação digital conduzidas pelas organizações.

Um dos resultados que mais chamaram a atenção no estudo é o dado de que, nos próximos três anos, a previsão é de manutenção das ações de otimização dos recursos e dos ativos das empresas, juntamente com ações que buscam expandir e modernizar os negócios. “Por mais que, à primeira vista, possam parecer incompatíveis, otimizar processos e promover a disruptura não precisam estar necessariamente em polos opostos. São estratégias complementares, que podem ganhar maior ou menor relevância de acordo com o cenário mais amplo em que a empresa se encontra”, avalia Heloisa Montes, sócia-líder de Consultoria em Strategy & Operations da Deloitte.

A pesquisa busca, ainda, retratar a sensibilidade e a prontidão das organizações em realizar essa transição, em nome da sustentabilidade do negócio. Diante disso, alguns pontos se destacam:

1. Nível de maturidade das empresas

Pouco mais de 50% organizações entrevistadas indicou estar na fase de maturidade do ciclo de vida, ou seja, a empresa tem recursos para se sustentar, possui clientela fiel e detém alta participação do mercado. Cerca de 37% se declaram ainda no grupo de crescimento e, nessa fase do ciclo de vida, a empresa registra receita crescente, embora nem sempre seja lucrativa ou detenha participação expressiva do mercado. Apenas 5% se declararam no início do ciclo de vida e 7% na fase de declínio.

2. Práticas adotadas de otimização e expansão

Devido aos diversos desafios para manter a posição competitiva de mercado e, em alguns casos, garantir a viabilidade dos negócios, as empresas pesquisadas destinaram, em média, nos últimos três anos, 67% dos seus investimentos em práticas de otimização de processos (simplificação da estrutura organizacional e automação robótica de processos) e 33% em iniciativas de expansão. Essas quantias tendem a ser mantidas também nos próximos três anos.

Com 65% de menções, o objetivo estratégico mais citado pelos respondentes é o de aumentar a receita. Em seguida estão as práticas voltadas à busca pela eficiência e a otimização de custos e despesas, com 59%, e o aumento da produtividade, com 49%.

Essa combinação entre a expansão e o foco na eficiência demonstra um avanço na gestão das empresas, pois até pouco tempo a visão era pendular – investir no crescimento em momentos de bonança econômica e cortar custos de maneira mais severa em momentos de retração. “Hoje, os empresários já demonstram entender que os custos ajustados e a operação com resultados otimizados representam a principal fonte de investimento para a transformação e crescimento dos negócios”, afirma Montes.

3. Negócios digitais

Quase um terço das organizações acreditam que as práticas e capacidades da empresa refletem as condições competitivas do mercado no mundo digital. Apesar disso, o maior grupo de respondentes (54%) destacou estar apenas acompanhando essas condições de maneira razoável. Ao serem questionadas sobre o quanto as tecnologias emergentes estão presentes em seus modelos de negócios, 35% das empresas indicaram grande presença e 33% responderam ter pouca ou nenhuma aplicação do uso desses recursos em sua estratégia. Pode-se observar que, embora haja um interesse em expandir as ações pontuais já adotadas, há um espaço importante de crescimento para a transformação digital das organizações que atuam no Brasil.

4. Otimizar sem perder o foco na eficiência

A maioria das empresas teve como foco de investimento, nos últimos três anos, recursos para promover a eficiência e a viabilidade dos negócios. Essa foi uma realidade para as organizações de diversos portes, níveis de maturidade e setores de atuação. A maior parte continuará colocando como foco prioritário as iniciativas de otimização para os próximos três anos.

“A conclusão é que, independente do momento econômico do país, as empresas que aqui atuam têm buscado a eficiência para se manterem em condições de investir na transformação de seus negócios. Entre os pilares para a promoção dessa mudança, estão os investimentos na capacitação e na contratação dos profissionais preparados para atuarem diante das novas realidades e o desenvolvimento de iniciativas para melhorar a experiência do cliente”, acrescenta Renata Muramoto, sócia de Consultoria em Strategy & Operations da Deloitte.

Metodologia

Para a realização da pesquisa “Otimizar ou expandir? – Como inovar no novo momento econômico” foram entrevistadas 251 empresas do Sudeste, Nordeste, Centro-oeste e Sul brasileiro. Os setores variam entre manufatura e consumo, serviços, tecnologia e telecomunicações, infraestrutura e construção e atividades financeiras. Cerca de 73% dos executivos são C-Level – profissionais seniores mais altos de uma companhia.

 

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