Os saltos exponenciais das tecnologias consolidam a presença da inteligência artificial como infraestrutura central na vida das sociedades e a transição definitiva da revolução industrial para a revolução digital
CARLOS PLÁCIDO TEIXEIRA
Jornalista, criador e produtor do Radar do Futuro
No processo de evolução das tecnologias, a inteligência artificial é um avião supersônico. O lançamento do ChatGPT, protótipo transformado em um fenômeno mundial gratuito, marca o momento em que o aparelho iniciou um vôo. Em novembro de 2022, lentamente começou a se deslocar até ganhar impulso suficiente para sair do chão e alcançar altas velocidades de forma exponencial. Em 2030, voa a mil quilômetros por hora, mesmo podendo superar em mais de 2,5 vezes a velocidade do som.
No início da próxima década, a inteligência artificial tem força suficiente para superar as barreiras a qualquer momento. Integrada como parte da infraestrutura das sociedades, assim como a eletricidade e o abastecimento de água, a inteligência artificial deixa de ser a ferramenta de suporte para comandar o sistema nervoso central do funcionamento de todos os setores da sociedade na próxima década.
Ubiquidade, a capacidade de estar presente em vários lugares ao mesmo tempo, define o poder da tecnologia, presente em todas as áreas da vida. O usuário convive com os impactos da aceleração exponencial de sistemas computacionais. As ferramentas disponíveis em meados da década atual são comparáveis com máquinas de escrever, na comparação com a potência disponível a partir do início de 2030.
O debate sobre IA generativa abandona as discussões teóricas e foca em regulações severas, soberania digital e na barreira entre o real e o sintético. A tecnologia avançou mais rápido do que as leis, transformando os tribunais, fóruns internacionais e o debate público em verdadeiras arenas de disputa geopolítica.
Com o poder da tecnologia, surgem também desafios críticos. A transição não será isenta de atritos. Questões como governança de dados, eliminação de vieses algorítmicos, responsabilidade jurídica por erros da IA e a enorme necessidade de requalificação profissional ditarão as políticas públicas e as regulações globais.
A capacidade de analisar volumes colossais de dados em tempo real permitirá à IA atuar como assistente em praticamente todos os campos científicos, encurtando o tempo de descobertas na medicina, biologia e química. Na América Latina, a projeção é que a integração dessas tecnologias gere um impacto econômico superior a US$ 1 trilhão por ano, impulsionado pelo ganho de produtividade.

