quinta-feira, março 5, 2026
27.4 C
Belo Horizonte

Cooperativismo de plataforma: a tendência de expansão

Livro Own This (Seja Dono, em tradução livre) expõe a transformação do cooperativismo de plataformas e reflete sobre as tendências que criam oportunidades para trabalhadores

Em diferentes cidades do mundo, o Uber está sendo substituído por plataformas cooperativas. A Drivers Cooperative, em Nova York, é um dos exemplos mais notórios do processo. Os 9 mil motoristas ganham com os lucros distribuídos entre os cooperados, que definem eles mesmos as regras de funcionamento. A proposta envolve a apropriação das tecnologias com a criação de sistemas próprios, em que os associados eliminam a exploração abusiva das empresas de tecnologia.

Em artigo publicado no site “Outras Palavras”, o economista Ladislau Dowbor reflete sobre a alternativa que pode fortalecer a atuação e os ganhos dos trabalhadores, descrita no livro Own This (Seja Dono, em tradução livre), do pesquisador e ativista R. Trebor Sholz. “A era da internet permite justamente a organização em rede, a colaboração online, e formas de organização que adotam a forma legal básica de cooperativa”, destaca Dowbor.

As plataformas cooperativas combinam o modelo comprovado do sistema cooperativista, que foi adotado por um bilhão de pessoas no mundo, com o modelo dinâmico da plataforma digital. Ao investir em cooperativismo de plataformas, os trabalhadores têm a alternativa de explorar todo o potencial da conectividade e agilidade das plataformas digitais. A iniciativa abre, inclusive novas formas de articulação social com os tradicionais movimentos sindicais de profissionais.

Exploração neutralizada

A união de profissionais para o desenvolvimento e gestão de plataformas próprias reinventa um mundo onde trabalhadores autônomos podem dobrar sua renda ao criarem suas próprias plataformas. “E se pequenas comunidades de pescadores no México ou agricultores em Kerala tivessem o poder de determinar quais dados coletar sobre seu trabalho e como utilizá-los?”, questiona Sholz.

Priorizam o benefício da comunidade mais do que a extração de lucro, resultando em um modelo de negócios mais sustentável e equitativo, que gera valor para a comunidade e assegura valor de longo prazo tanto para os fundadores como para os trabalhadores — ao contrário dos motoristas de Uber, que geram lucros para acionistas distantes milhares de quilômetros”. Trata-se de romper a exploração pelos proprietários ausentes e resgatar tanto os recursos gerados como o controle da gestão.

Ação conjunta não é, para Sholtz, fruto de uma imaginação utópica, mas sim uma realidade que está transformando setores atualmente. Coletivos que utilizam a tecnologia oferecem uma solução urgente e prática para mudar a forma das relações de trabalho, permitindo que os trabalhadores tomem decisões em conjunto.

Neste livro, o pesquisador e ativista Trebor Scholz explora como essas novas formas de negócios, impulsionadas por princípios de coletividade, estão pavimentando o caminho para uma economia mais equitativa que beneficia a todos. “

Fonte: Outras Palavras
‘A notável expansão das cooperativas digitais’

Edições anteriores

São Paulo: ensino médio esvazia disciplinas tradicionais no currículo

Pesquisa critica centralização no ensino por competências do novo...

Estados Unidos e Europa neutralizam ações pelo pacifismo sem armas

A paz é a verdadeira inimiga dos interesses dos...

Aparelhos com Inteligência Artificial e robôs invadem as residências

Feira de tecnologia, a CES 2026 revela tendências que...

Escrito nas estrelas: coincidência de um encontro de gerações

Quarenta anos separam o encontro de Joana com o...

Os imbecis venceram: eles são muitos. Com dinheiro de sobra, definem o futuro

"Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela...