Ascensão do adoecimento mental
A sociedade nos próximos anos terá de desenvolver estratégias para reverter comportamentos doentios associados à sociedade do consumo, da aceleração de rotinas e das exigências de produtividade. O adoecimento psicológico tende a ser padrão. Os estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que uma em cada oito pessoas no mundo convive com algum transtorno, sendo a ansiedade e a depressão responsáveis por cerca de 60% dos casos. No Brasil, o cenário é igualmente alarmante: o estresse afeta mais de 85% da população, indicando uma crise silenciosa que compromete o bem-estar coletivo.

A pressão por resultados e a constante necessidade de adaptação às demandas do mercado têm levado muitos trabalhadores ao esgotamento. Um estudo aponta que 76% dos profissionais se senteam sobrecarregados pela exigência de cumprir prazos e metas, resultando em aumento da ansiedade e redução da produtividade. Além disso, a pandemia de COVID-19 intensificou esses desafios, com um aumento de mais de 25% nos casos de ansiedade e depressão globalmente.
CEO da Estação do Saber, Júlia Ramalho afirma que um bom diagnóstico do risco psicossocial é essencial. Investir em qualidade do processo, acima de tudo, faz a diferença. Critérios devem ser seguidos de forma rigorosa. Em 2024, a Estação do Saber desenvolveu ISMC — Inventário de Saúde Mental Corporativa, um instrumento que preserva a privacidade do funcionário e ajuda na conscientização dos riscos de adoecimento mental.
Ao mesmo tempo, ajuda a empresa a ouvir como está seu ambiente de trabalho: são criados indicadores sobre agravantes da saúde mental ou promotores a saúde mental do trabalhador. Nesse sentido, é possivel, também, agir de forma assertiva no desenvolvimento das soluções que impactam a saúde mental corporativa.
Autismo: o mundo reforça a necessidade de conscientização
Comemorado no dia 2 de abril, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo destaca a relevância do tema, como oportunidade para denunciar que pessoas com autismo frequentemente enfrentam isolamento, estigma e desigualdade. “Elas têm sido privadas de acesso à saúde e à educação – especialmente durante crises – e sua capacidade legal tem sido não reconhecida e sobreposta”, afirmou Antônio Guterres, secretário-geral das Nações Unidas.
A discriminação contraria a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o compromisso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de não deixar ninguém para trás. Nos níveis mais elevados do Transtorno do Espectro Autista (TEA), as famílias dos portadores esbarram com grande frequência em ausência de suporte externo, especialmente na estrutura escolar. No nível 1, a sociedade e mesmo pessoas próximas agem a partir de um negacionismo que apenas torna mais difícil a convivência do autista com as suas dificuldades.
Atenção recente
O autismo afeta a comunicação, linguagem, comportamento e interação social, mas se manifesta de forma diferente em cada indivíduo, com maior ou menor necessidade de suporte. O termo autismo surgiu em 1908, mas somente a partir das décadas de 70 e 80 é que passou a ser considerado um transtorno do desenvolvimento. Com a informação mais acessível, os diagnósticos passaram a ser mais comuns e a luta por uma rede de atendimento para terapias específicas têm aumentado na sociedade brasileira.
Com um período relativamente recente de maior conhecimento sobre o autismo, as instituições públicas também estão se adaptando para os novos tempos em que há maior incidência do diagnóstico de TEA para prestar o atendimento necessário.

Estudos científicos | Brasil
Estimulação transcraniana contra depressão
Uma nova gama de recursos vem sendo pesquisada no tratamento de depressão persistente, incluindo as chamadas terapias não farmacológicas. Desenvolvida na USP e aplicada em estudo clínico, protocolo mais curto de estimulação do tipo theta-burst, a estimulação transcraniana demonstra eficácia significativa em pacientes que não respondiam a outros tratamentos. (Jornal da USP)
Pais de crianças hospitalizadas incorporam problemas emocionais
Pesquisa da Escola de Enfermagem (EE) da USP aponta que familiares de crianças com Condições Crônicas Complexas (CCCs), internadas por longos períodos em UTIs (tempo médio de um ano), enfrentam sérios problemas emocionais, com algumas mães apresentando ideação suicida. O estudo, feito em hospital público, mostra que os desafios são causados pelas incertezas e perdas relacionadas a hospitalizações frequentes e prolongadas, agravamento da saúde da criança, necessidade de procedimentos invasivos e a convivência com a iminência da morte.
Digitalização excessiva impacta saúde mental dos idosos
O uso excessivo de tecnologias digitais, como celulares e computadores, pode prejudicar a saúde mental dos idosos, segundo uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo revelou que o vício em telas está associado ao aumento de problemas como depressão, ansiedade e estresse entre pessoas com mais de 60 anos. A pesquisa identificou um fenômeno inesperado: a presença de nomofobia, o medo de ficar longe do celular, também entre idosos.
Pesquisa investiga vínculos entre transtornos e saúde cardiovascular
Pesquisadores da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (FEF/UnB) investigam como transtornos mentais, como depressão e ansiedade, podem afetar a saúde cardiovascular. O projeto, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), busca entender a relação entre a prática de exercícios físicos e a saúde mental. Os primeiros resultados indicam que pessoas com transtornos mentais apresentam uma recuperação mais lenta da frequência cardíaca após situações de estresse.



Saúde mental no trabalho: tendências
À medida que nos aproximamos de 2030, várias tendências sociais, comportamentais, econômicas e tecnológicas estão surgindo e podem impactar negativamente a saúde mental dentro das empresas e do mercado de trabalho mais amplo. Algumas tendências sociais que vão impactar a saúde mental no trabalho até 2030:
Redução do estigma : apesar da conscientização crescente, o estigma em torno da saúde mental continua sendo uma barreira. Normalizar conversas sobre saúde mental no local de trabalho é crucial para promover um ambiente de apoio
Trabalho remoto e isolamento : a mudança para o trabalho remoto, embora ofereça flexibilidade, pode levar a sentimentos de isolamento e diminuição da interação social, afetando negativamente a saúde mental. As empresas devem se adaptar para dar suporte ao bem-estar mental dos trabalhadores remotos por meio de check-ins regulares e atividades virtuais de formação de equipes.
Mudanças Geracionais : À medida que as gerações mais jovens entram na força de trabalho, suas expectativas em torno do suporte à saúde mental e práticas holísticas de bem-estar estão mudando. As empresas precisam adaptar suas estratégias de bem-estar para atrair diversas faixas etárias, incluindo Millennials e Gen Z.



Estudos cientificos | Mundo
Estudo confirma efeito negativo das telas no sono
Uma hora de exposição a telas antes de dormir basta para reduzir a duração do sono em uma média de 24 minutos por noite, diz estudo. Para dormir melhor, não leve o celular para a cama, recomendam os cientistas. Ainda que o impacto pareça ser mais forte em adolescentes, o novo estudo, publicado no periódico Frontiers in Psychiatry, concluiu que o mesmo efeito também é observado em jovens adultos.
Artigo avalia competências necessárias da aprendizagem socioemocional
Ensinar habilidades de aprendizagem socioemocional para crianças é um problema para os pais. Por mais boa vontade que eles tenham em oferecer informações e recursos sobre boas práticas existe uma distância da ausência das competências. Artigo publicado no site Scientific Research realizou o exame das competências necessárias da aprendizagem socioemocional (SEL), que abrange o desenvolvimento de habilidades como autoconsciência, autorregulação, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável.
Esquizofrenia: novos caminhos
Estudo divulgado no Journal of Neurochemistry pode abrir caminho para novos tratamentos. A causa desta condição, que afeta cerca de 1,6 milhão de pessoas no Brasil, ainda é desconhecida. Pesquisadores detalharam o papel da proteína hnRNP A1 na formação e estabilidade da mielina. As pesquisas sugerem uma combinação de fatores hereditários, com alterações moleculares e funcionais no cérebro.



Informações & Insights
Acesso a medicamentos
Dos 41 medicamentos e itens distribuídos atualmente pelo programa Farmácia Popular, não há nenhum antidepressivo, apesar de o Brasil ser o país com maior incidência de depressão no mundo. Segundo dados da pesquisa Vigitel 2021, do Ministério da Saúde, a doença atinge 11,3% da população brasileira. Antes da pandemia, o índice era de 5,8%.
Observatório de desaparecidos
A Universidade de Brasília e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) lançaram, em 28 de março, o Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes). O ObDes tem como principal objetivo a produção de conhecimento sobre as dinâmicas, causas e circunstâncias dos desaparecimentos no país, a fim de subsidiar políticas públicas
Em resumo
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