Proposta desenvolvida pelas empresas Vitta e Bild, do mesmo grupo da construção civil, possibilita a expansão da área de atuação com a incorporação de sócios

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Radar do Futuro

Nem tudo é tecnologia no futuro do mercado da construção civil. Além de pensar que tudo passa pela aplicação inovações digitais, é necessário pensar em novos modelos de produção. A perspectiva vale, inclusive, para o segmento imobiliário. Seduzidos pela ênfase da imprensa tradicional de negócios, construtores e incorporadores tendem a enfatizar a crença de que os próximos anos giram exclusivamente em torno das construtechs. Há mais o que fazer ao se pensar em estratégias. Em especial o desenvolvimento de novos modelos de negócios.

Exemplo de que há alternativas que adotam novas formas de gestão e arranjos entre atores da cadeia produtiva é o que vem apresentando o grupo formado pela Bild Desenvolvimento Imobiliário e Vitta Residencial Construtora e Incorporadora, com atuação em cidades do interior, especialmente em São Paulo e Minas Gerais. Sem abrir mão do reconhecimento sobre o papel das tecnologias, elas recorrem à criatividade na gestão, como componente do fortalecimento das empresas nos seus segmentos de residências.

As estratégias inovadoras seguem sendo essenciais para o engenheiro civil, José Luiz Camarero Neto, sócio e diretor do grupo. Com a experiência de quem viveu a transição entre a profissão analógica, dos tempos das calculadoras HP e das réguas T, no final dos anos 1990, passando pela informatização e a digitalização recente, ele destaca o papel desempenhado por uma experiência que, com simplicidade, enfatiza a criação de novas oportunidades com a formação de uma rede profissionais, que aproveitam a possibilidade de se transferir para o interior.

De olho nas oportunidades de ampliação do número dos canteiros de obras, a empresa está desenvolvendo um curso de formação de sócios. “Em cada uma das mais de 40 cidades onde estamos atualmente temos um sócio responsável pela operação”, assinala o executivo.

Modelo inovador

Criadas em 2007, na cidade de Ribeirão Preto, um dos principais polos econômicos do interior paulista, a Bild e a Vitta, começaram o processo de expansão a partir de 2014. A Vitta, com atuação nos programas de casas populares, Minha Casa Minha Vida, convertidos pelo governo Bolsonaro para Minha Casa Verde Amarela. Já a Bild direciona suas atividades para a oferta de imóveis residenciais para segmentos de classe média.

“Em todas as cidades onde atuamos há um sócio responsável pela operação, com muito autonomia para desenvolver projetos, com visão de negócios e domínio da técnica”, salienta José Luiz Camarero. “Sem querer, criamos um modelo diferenciado, muito forte, em que nossos próprios engenheiros pediam para mudar para outras cidades, onde assumiriam o papel de sócios”. Como resultado da iniciativa, que possibilitou a expansão regional da empresa, foi criado um programa de formação de sócios.

Os executivos da empresa acreditam que o modelo já está validado para o mercado imobiliário. O expectativa é de que seja possível à empresa funcionar como uma fomentadora para o desenvolvimento do setor, em que a empresa utiliza o seu conhecimento e infraestrutura para cumprir um papel de prestadora de serviços. Na prática, a proposta engloba a criação de um hub de negócios, que possibilite acesso a financiadores de construtores e de clientes, administradores de condomínio, empresa de reforma, correspondente bancário. A empresa caminhando para ser uma grande startup a ser desenvolvida.

Entrevista

Futuro da construção de imóveis residenciais

Confira a entrevista com José Luiz Camarero Neto, sócio e diretor do grupo que reúne as empresas Bild e Vitta

Desafios do mercado

Com buscas por novos modelos de negócios, construtoras e incorporadoras se adaptam às condições do mercado brasileiro. Na prática, os canteiros de obras refletem as distorções da engenharia civil. Momentos de corrida por novos empreendimentos, como vem ocorrendo em 2021, intermediado por crises persistentes e incertezas. Como resultado, os processos incluem desde métodos modernos de construção até sistemas atrasados. Para os empresários, a decisão sobre investimento é sempre um passo difícil, diante das incertezas.

O cenário para os próximos anos do setor reflete a instabilidade. Agora, com doses de confiança, o que se reflete em inúmeras cidades com uma onda de aquisição de lotes e de novas obras, com expectativa de entrega a partir de 2022. A prudência é recomendável diante do nível de incertezas. Os indicadores disponíveis sobre previsão de crescimento do Produto Interno Bruto a inexistência de certezas sobre a possibilidade de um crescimento substancial do mercado interno. Ao contrário, a tendência é de expansão dos segmentos de alta renda.

Novos modelos de negócios e de produção são necessários no contexto, em que proptechs e construtechs, empresas inovadoras de base tecnológica, as startups, assumem protagonismo no mercado de imóveis de uma forma geral. A aplicação de sistemas baseados em tecnologais como inteligência artificial, internet das coisas, softwares de gestão, entre outras soluções, impactam os serviços e produtos aplicados nos imóveis residenciais.

Segundo a quinta edição do Mapa das Construtechs e Proptechs, lançado pela Terracotta Ventures, em abril deste ano, o universo de startups de tecnologias voltadas aos setores de construção e mercado imobiliário cresceu 19,5% em relação a 2020 e 235% se comparado ao primeiro mapeamento, em 2017. São cerca de 839 construtechs e proptechs no Brasil, concentradas, na maioria, em
São Paulo (41%), seguido por Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais (11,40%, 10,4% e 8,16% respectivamente).

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