Desafio é encontrar ou nicho onde está uma oportunidade de negócio, especializar-se e corresponder às expectativas Foto por David McBee em Pexels.com
Desafio é encontrar ou nicho onde está uma oportunidade de negócio, especializar-se e corresponder às expectativas Foto por David McBee em Pexels.com

Katia Simões
Noomis

A transformação digital é hoje o tema prioritário para grandes, mídias e pequenas instituições financeiras. Mas, segundo pesquisa feita pela Cedro Technologies, que presta serviços para empresas do setor financeiro, apenas algumas instituições acreditam estar no processo avançado de transformação. Os demais ainda dão os primeiros passos.

“O desafio é comum e grandes instituições de mídia, com vantagem de pequenas e médias mídias mais ágeis em movimento”, afirma Breno Barros, diretor de Inovação e Digital da Stefanini, multinacional brasileira da área de tecnologia. “Por conta de ter um legado mais enxuto e estruturas de plataformas menos robustas, acabamos realizando uma transformação mais rapidamente.”

Segundo o executivo, o grande desafio é procurar o nicho de clientes atendidos e descobrir qual, fato, é um problema resolvido sob uma nova ótica digital. Alguns bancos já vêm fazendo isso.

Desafio

Em setembro, o Paraná Banco avançou mais um degrau na sua escalada de transformação digital ao lançar a Plataforma Digital de Investimentos. O site e o aplicativo do banco de dados CDBs da instituição e sete fundos de renda fixa e variável, para atender a diferentes perfis de investidores. O valor mínimo de investimento é de R $ 1.000, para CDBs, e de R $ 500, para fundos.

Como diferencial, uma plataforma conta com um serviço de alocação de carteira, isto é, o cliente tem acesso a especialistas especializados que selecionam ou misturam produtos com base no seu apetite para investir. Além disso, o banco oferece um relatório de gerenciamento de carteira personalizada, um documento que permite acompanhar um desempenho de investimento ao longo dos meses e comparar o retorno das aplicações selecionadas com indicadores de mercado.

A plataforma foi desenvolvida no novo modelo de aceleradora de negócios, com equipes multidisciplinares, criação colaborativa e adoção da metodologia Ágil.

“O mercado financeiro passa por uma forte ruptura, o que leva a práticas tradicionais como a nossa, com 40 anos de atuação, a investir em tecnologia para construir uma marca digital tão forte como o físico”, diz David Ruiz, CTO do Paraná Banco . “O grande desafio não está na aquisição de tecnologia, mas na mudança de cultura e na construção de um ambiente de trabalho que favorece a colaboração, diversidade, backoffice eficiente e uma velocidade de entrega compatível com as expectativas dos clientes.”

Fundado em 1992, em Minas Gerais, o BS2 foi ainda mais além. Em novembro de 2017, foi inaugurado o BS2 Pool, um espaço planejado para acelerar e colaborar com startups , sejam elas fintechs ou não. “Trata-se de um movimento necessário para detectar como novos requisitos, que exigem serviços financeiros, mas em um novo formato, que não se encaixa mais no modelo tradicional de bancos”, afirma Rudy Mendes Cordeiro, diretor de Tecnologia.

“Não trata apenas de digitalizar uma operação que já está rodando, mas sim, criar uma plataforma digital completa desde o início”, diz ele. Com essa cartilha, o BS2 consulta um banco de serviços para empresas, entregando aplicativos personalizados em apenas 30 dias.

De olho no seu nicho, o Agibank foi a primeira instituição financeira a transformar o número de celular no número de conta corrente do cliente, permitindo que qualquer pessoa com um smartphone se torne correntista. Uma inovação que facilita o uso e a conectividade com milhares de pessoas, para pagamentos P2P (pessoa para pessoa).

O banco aposta na “multicanalidade”. Por meio da plataforma ASA (Agile Scale Agibank), o cliente pode acessar todos os serviços em diversos pontos de contato – aplicativo, terminal de atendimento, internet banking e pontos de experiência.

“Somamos como facilidades das fintechs como ofertas dos bancos tradicionais”, afirma Fernando Costa, diretor de Marketing e Inovação do Agibank. “Nosso objetivo é propiciar um jeito mais simples e próximo de lidar com a vida financeira”.

Não existe receita única

David Terra, diretor de Serviços Financeiros da Totvs, ressalta que a transformação digital não é tão tecnológica; passa, primeiro, pela cultura da organização – como, aliás, costuma lembrar os executivos dos bancos independentes.

Nesse ponto, as instituições de pequeno e médio porte podem alcançar seus objetivos de forma mais acelerada. “Apesar de não terem o mesmo volume de dinheiro para investir em grandes bancos, eles têm um número menor de pessoas para reeducar e um legado mais enxuto para ser embarcado na nova plataforma”, argumenta.

Terra lembra que todas essas instituições precisam alcançar mais clientes, oferecer mais produtos com uma velocidade cada vez maior e com qualidade, e exigir, e mesmo tempo mitigar riscos. “Não tem uma receita definida: cada instituição precisa de buscar seu modelo; o que não pode entrar em uma operação de banco móvel , por exemplo, e, se o processo não for necessário, parar um passo “, observa.

É uma lição entendida pelo maior sistema de cooperativas de crédito do país, com 4 milhões de associados, ou o Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil), que hoje registra mais de 50% dos seus clientes pelo aplicativo, e mais de 70% pelo canal digital. Nos últimos três anos, investimos mais de R $ 700 milhões em tecnologia, com o objetivo de modernizar como operações. Apenas no aplicativo estão disponíveis mais de 100 tipos de registros, desde a localização de pontos de atendimento até a contratação de empréstimos e acompanhamento do plano de previdência.

Em 2018, o mobile banking teve um crescimento de 108% em relação a 2017, para o Sicoob, que foi pioneiro ao realizar uma transferência em tempo real de valores entre instituições financeiras pelo meio de tecnologia blockchain em novembro do ano passado.

“Uma inovação que faz sentido é melhorar a vida de quem usa; é para isso que estamos trabalhando ”, afirma Edson Lisboa, executivo de TI do Sicoob / Bancoob. “Não adianta ter tecnologia, não tem qualidade na entrega; daí a necessidade de falar a mesma linguagem em todos os pontos de contato, criar um ecossistema onde todos os canais se comunicam.”

O caminho é longo, garantido pelos especialistas, mas totalmente favorável aos pequenos e médios bancos. “Em um futuro próximo, nenhum banco reinará sozinho; teremos líderes de nichos, uma organização que ajuda instituições financeiras de porte médio a conhecer e dominar ainda mais com a ajuda da tecnologia ”, prevê Barros.


Fonte: Noomis

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