Turismo de escapada: alternativa para compensar o estresse diário

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Atividades alternativas, como passeios alternativos de bicicleta, devem atrair interesse da população, que não pode realizar longas viagens

Para especialista da ESPM Rio, o turismo deve proporcionar experiências seguras e agradáveis para o consumidor que deseja quebrar a rotina cansativa do isolamento

Radar do Futuro

Com o aumento da flexibilização social nas principais cidades brasileiras, o consumo de viagens dentro do país, em áreas vizinhas dos moradores das cidades, tende a aumentar nos próximos meses, inclusive durante o período de férias. Hoje, os porta-vozes do setor já identificam os sinais de que há um crescimento na procura por destinos em que o deslocamento é menor. Seja para um pequeno hotel no interior ou para passeios de um dia, em atividades esportivas ou de aventura.

O momento é do “turismo de escapada“, ou staycation, modalidade caracterizada pela quebra da rotina em destinos próximos do viajante. Se as viagens internacionais devem demorar mais a retornar, podemos esperar um aumento nas road trips, que privilegiam o turismo regional. De fato, essa busca por destinos acessíveis de carro e próximos aos locais de origens já pode ser observada. A tendência deve ser mantida pelo menos até que uma vacina apareça e as pessoas retomem hábitos anteriores à pandemia.

Forças

  • Alto valor do dólar
  • Perda de renda
  • Restrições de vôo
  • Fechamento de fronteiras
  • Necessidade de compensar o isolamento
  • Crianças em casa sem aula

Além do medo do contágio, há o fator econômico já que a maioria das famílias sofreu perdas financeiras e o desemprego se aprofunda. Em 7 de maio, a Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas estimou que os ganhos com o turismo internacional podem cair 80% este ano em relação aos US$1,7 milhão do ano passado, e que 120 milhões de empregos poderão ser perdidos. 

Adequação

A retomada no setor requer inovação para satisfazer um consumidor que ainda se sente inseguro e ameaçado pelo coronavírus, mas planeja uma viagem de descompressão. “É hora do setor de turismo proporcionar experiências seguras que quebrem a rotina cansativa do isolamento”, diz Bianca Dramali, professora de pesquisa e comportamento do consumidor da ESPM Rio. “O glamping, por exemplo, uma espécie de camping de luxo, pode ser uma boa pedida para estes tempos.”

Empreendedores do setor precisam estar atentos aos diferentes perfis de consumidores de turismo. Um mercado de grande potencial é o de viagens de famílias com filhos pequenos. A dinâmica de alta e baixa temporada também muda, pois o turista pode procurar um destino próximo durante uma semana em dias úteis, e não só nos finais de semana ou feriados. “As ofertas de hospedagem precisarão dar estrutura de trabalho para quem quer viajar para um destino próximo com sua família e continuar trabalhando”, diz Bianca. “O que era raro antes da pandemia vai se tornar cada vez mais comum daqui para a frente.”

Em um cenário pós-pandemia, a especialista acredita que haverá a tentativa de satisfazer uma demanda reprimida por destinos mais distantes, internacionais ou mesmo nacionais que estejam mais longe de casa. Segundo ela, mas tudo vai depender da sensação de segurança das pessoas.

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