Em 2019 e no próximo ano, times de futebol e outras organizações tendem a criar seus próprios bancos, com o uso de blockchain - foto: Pixabay
Em 2019 e no próximo ano, times de futebol e outras organizações tendem a criar seus próprios bancos, com o uso de blockchain

Carlos Teixeira
Jornalista – Futurista I Radar do Futuro

Em 2019 e no próximo ano, o sistema econômico sentirá os efeitos de uma forte tendência de montagem de bancos por grupos empresariais e sociais sem vínculos com os bancos. Clubes de futebol a organizações não governamentais (ONGs), passando por cooperativas vinculadas ao setor de agronegócios, prefeituras, empreendedores e investidores tendem a se posicionar como intermediários financeiros.

A previsão é de Rodrigo Pimenta, fundador e CEO da HubChain Technologies. A empresa, criada em 2017, aposta nas novas oportunidades que tendem a ser criadas pelos “banktechs”. Mais exatamente, nas mudanças que podem transformar permanentemente o sistema bancário atual graças à introdução das criptomoedas, por meio da tecnologia blockchain.

Open Bank, identidade digital, inteligência digitais, pagamento instantâneo, fintechs, blockchain e banktechs são os novos termos que estão no radar das atenções, inclusive, do novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Na sabatina do Senado, ele assegurou aos parlamentares a disposição de preparar o Bacen para desempenhar apropriadamente o seu papel nesse novo ecossistema, que é baseado em tecnologia e enorme fluxo de informações.

Geração de oportunidades

“Criar uma fintech ou uma banktech própria, que constitui um ecossistema mais completo, provavelmente será a grande tendência nos próximos anos”, reitera Rodrigo Pimenta. Especialista em inteligência artificial e algoritmos, com formação em áreas de engenharia, finanças e negócios e experiência no mercado financeiro, o executivo mira a possibilidade de transformação dos custos de operação bancária em oportunidades de aumento de receitas.

“Você começa a olhar para o mercado e agrupar essas banktechs em grandes nichos, como soccer banks, de times de futebol, agrobanks, de cooperativas agrocupecuárias, Franchisebanks, de empresas de franchise e Mutualbanks, de ONGs e prefeituras”, assinala. Cooperativas agropecuárias, por exemplo, lidam com todo um comércio em volta de uma região, onde há financiamento, trator sendo vendido, insumo de matéria prima e mão de obra. Os recursos podem gerar transações baseadas em moedas internas, tokens e contratos inteligentes.

Pense no volume de tarifas pagas aos bancos. Normalmente, o recurso fica vinculado a uma cooperativa, que é atrelada ou a um correspondente bancário de uma Caixa ou de um Banco do Brasil, por exemplo. Ela perde oportunidade de ter ganhos, pois sempre tem a intermediação do sistema financeiro. Rodrigo Pimenta atesta que a a transformação de custos de operações bancárias em oportunidades de aumento de receitas tem feito empresas visionárias, tanto startups quanto as de médio ou grande porte, buscar o seu próprio DigitalBank.

O sistema formado por inovadores, como HubChain Technologies, foca as possibilidades da integração bancária, emissão de boletos, gerenciamento de folhas de pagamento de funcionários (e até mesmo de funcionários de fornecedores), emissão de cartões de crédito com bandeira própria, máquinas de POS, meios de pagamento, caixas eletrônicos para saques e depósitos, além de uma completa gama de serviços como antecipações, empréstimos pessoais, seguros, entre outros.

Tudo isso com alto nível de segurança, governança, compliance e auditoria que a tecnologia blockchain já proporciona quando é bem gerida e utiliza as melhores práticas. Com a constante onda de avanços tecnológicos, ter o seu próprio DigitalBank em “DLT (blockchain privado)”, deixa de ser uma tendência para ser incorporada à  realidade.

Segurança

Com os recursos disponíveis, há acesso a um nível diferenciado de excelência em compliance e governança baseados em reconhecimento do cliente – com validação de documentos e selfies com prova de vida como, por exemplo, piscar ou sorrir, através do uso do reconhecimento facial com inteligência artificial – e “identidade digital” – pré-validação de identidade para diminuir fraudes em compras -, incluindo carteiras digitais integradas a blockchain para “pagamento instantâneo” e APIs para “open bank”.

Muitos executivos já buscam empresas especializadas para ajudá-los a desenvolver seu próprio “banktech”, com um ecossistema gigantesco 24h/7, custos reduzidos e alto retorno de receita. Esta forte tendência de utilização de grandes ecossistemas já tem sido observada nas mega empresas chinesas AliPay e WeChat, que movimentam R$ 11,2 trilhões ao ano.

Há ajustes pelo caminho, diz Rodrigo Pimenta. “Sendo o sistema financeiro brasileiro considerado um dos mais seguros e eficientes no âmbito mundial, será um desafio, em se tratando de regulação (Bacen, Coaf, CVM), criar de novas regras de governança e compliance para manter a saúde econômica e coibir atos ilícitos. Em contrapartida, aparecerá uma nova gama de oportunidades e de posições no mercado de trabalho como – por exemplo – consultores, auditores, especialistas em produtos e know how, cientistas de dados, governança e compliance”.