UFSCar desenvolve suporte que permite uso de smartphone como lupa

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Tecnologia assistiva, de baixo custo, pode ser usada por pessoas com baixa visão e idosos
Tecnologia assistiva, de baixo custo, pode ser usada por pessoas com baixa visão e idosos. Foto: divulgação/UFSCar

O Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva (NTA) do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criou um suporte que permite a utilização do smatphone como uma lupa eletrônica. O produto é destinado a auxiliar práticas de leitura e visualização de objetos por pessoas com deficiência visual e pessoas idosas, ou até para leitura e ampliação de imagens de um modo geral.

O “Suporte para utilizar um smartphone como se fosse uma lupa eletrônica” é uma alternativa de baixo custo às lupas eletrônicas tradicionais ao permitir que uma pessoa utilize o seu smartphone como lupa eletrônica ao fornecer apoio ao aparelho, para leitura de folhas avulsas ou livros. O suporte também permite regulagem de inclinação do smartphone, podendo assim ser usado sem que o usuário precise inclinar a cabeça exageradamente. O produto pode ser empregado para leitura e também como lupa para ampliar imagens e amostras de plantas, minerais e insetos; é dobrável, facilitando, inclusive, seu transportado em bolsas e mochilas.

Além do suporte para o smartphone, para utilizar o aparelho como lupa é necessário baixar e instalar qualquer aplicativo de ampliação de imagem disponível no Google Play ou no Apple Store. O dispositivo desenvolvido pelo NTA/UFSCar possui licença pública Creative Commons e pode ser baixado gratuitamente do Portal Thingiverse (www.thingiverse.com/thing:3699364), para ser impresso em impressora 3D e utilizado por qualquer usuário interessado.

O produto foi desenvolvido pelos professores do Departamento de Engenharia de Produção (DEP-So) do Campus Sorocaba da UFSCar, Cleyton Fernandes Ferrarini (coordenador do NTA/UFSCar) e Miguel Ángel Aires Borrás, e pelo técnico de laboratório Plinio César Marins. Todos integram o NTA/UFSCar.

O suporte para smartphone foi desenvolvido em 2017, com posterior teste e aperfeiçoamento no ano seguinte, dentro das atividades financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no âmbito do projeto “VerTátil: Desenvolvimento de Recursos Didáticos para Ensino e Aprendizagem de Pessoas com Deficiência Visual”, do NTA/UFSCar.

O projeto VerTátil teve como objetivo desenvolver, colaborativamente, recursos didáticos voltados para a potencialização do processo de ensino-aprendizagem de estudantes com deficiência visual da rede pública de ensino, tratando-se de recursos variados e com significação tátil produzidos por impressão 3D. “O projeto auxilia professores, alunos e cuidadores no processo de ensino-aprendizagem de alunos com deficiência visual nas áreas de Artes, Biologia, Física, Geografia, Matemática e Química. O suporte para smartphone foi um dos 13 produtos concebidos pelo projeto”, afirma Miguel Borrás, coordenador do projeto junto ao CNPq.

Para o professor Cleyton Ferrarini, “com os recursos do CNPq tanto para esse projeto de pesquisa como para outro anterior (também no âmbito da Tecnologia Assistiva), foi possível estabelecer uma estrutura tecnológica minimamente suficiente para não só gerar os produtos como também estruturar e nuclear o início de uma possível rede de colaboração para o desenvolvimento de Tecnologia Assistiva na Região Metropolitana de Sorocaba”. Os recursos do CNPq também foram fundamentais para equipar o NTA. “O laboratório hoje conta com impressoras 3D, cortadora laser, impressora braille, scanners 3D, equipamentos adequados para captura e processamento de imagem, entre outros”, elenca Plínio Marins.

Repercussão internacional

O suporte para smartphone foi premiado no concurso “Productos de Apoyo y Soluciones de Bajo Coste”, na Espanha. O objetivo do concurso é promover o desenvolvimento de adaptações, criação de produtos de auxílio, recursos de baixo custo e sua distribuição livre.

A premiação ocorreu no último dia 12 de julho, na cidade de Albacete, na categoria especial de “Melhor projeto com impressora 3D”. O evento, que está em sua 12ª edição, é organizado pela Sociedad Española para el desarrollo de los Sistemas de Comunicación Aumentativos y Alternativos (Esaac), Centro de Desarrollo de Tecnologías de Inclusión de la Universidad Católica de Chile (CEDETi UC), Unidad de Investigación y Desarrollo para la Calidad de la Educación en Ingeniería con orientación al uso de Tecnologías de la Información y la Comunicación de la Universidad de La Plata – Argentina (Unitec) e pelo Núcleo de Pesquisa de Tecnologias em Educação para Inclusão e Aprendizagem em Sociedade e Aprendizagem em Sociedade da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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