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Transformar a realidade: é necessário gerar oportunidades

Como gerar oportunidades para alterar a realidade dessas crianças? Só vislumbramos uma solução: empoderar as pessoas. Foto: Pexels
Como gerar oportunidades para alterar a realidade dessas crianças? Só vislumbramos uma solução: empoderar as pessoas. Foto: Pexels

* Júlio Cesar dos Santos

Tão importante quanto entender a realidade onde estamos inseridos é gerar as oportunidades para alterá-la. Pode parecer muito simples. Basta que saibamos onde estamos e onde queremos chegar e realizar o percurso entre os pontos. No entanto, quando a realidade se apresenta a uma criança de três anos, que não se alimenta todos os dias, o futuro é um pouco mais difícil de ser vislumbrado. Estudos recentes do IBGE destacam que mais de 43% das crianças brasileiras de 0 a 14 anos estão em situação de pobreza extrema. São quase 6 milhões de pequenos brasileiros que sobrevivem com R$ 140,00 por mês.

É com essa realidade que o ChildFund Brasil – Fundo para as Crianças trabalha há 52 anos, em algumas das regiões marcadas por histórico de carências e limitações de oportunidades, como o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais; e o Sertão do Cariri, no Ceará. Ressalta-se o fato de que, mesmo diante de um quadro de adversidades, a vida resiste de forma corajosa em função da força do povo desses lugares. Então, voltando a ideia inicial: como gerar oportunidades para alterar a realidade dessas crianças? Só vislumbramos uma solução: empoderar as pessoas, engajando os integrantes das comunidades e permitindo que eles não somente sonhem, mas acima de tudo assumam a liderança da mudança social que se faz necessária para suas vidas.

Para isso, o Fundo para as Crianças busca colaborar para que mudanças aconteçam, atuando em parceria com organizações sociais locais, que são formadas pelos verdadeiros agentes dessa mudança. E, a partir do desenvolvimento das capacidades de pessoas, são construídas as condições para a execução de trabalhos sociais que são planejados e legitimados através da atuação dos membros e líderes das comunidades, desencadeando uma mudança de comportamento que os fazem sentir protagonistas de transformações sociais.

Portanto, com base em processos participativos executados, monitorados e avaliados continuamente, são geradas oportunidades para se construir uma intervenção duradoura e promotora do desenvolvimento de crianças, famílias e comunidades.

Um bom exemplo é a cidade de Santa Luz, na região Nordeste do Brasil, onde o Fundo para Crianças chegou em 2015 e apoiou a comunidade local para a fundação de uma organização social, a Associação de Assistência à Criança e ao Adolescente, que hoje oferece a mais de 1000 crianças e suas famílias diversas atividades educativas e de convivência comunitária, que estão contribuindo para o desenvolvimento das pessoas e comunidades.

Entendemos que é necessário que nos projetos sociais, por mais sutil que seja, sempre ocorra o engajamento do seu público direto na construção de intervenções que promovam mudanças sociais. Para que isso se torne possível é fundamental identificar as reais causas dos problemas vividos pelas pessoas, para assim, possibilitar que as soluções se tornem mais próximas da realidade de quem delas se beneficiarão.

Adotar formas simples e próximas do cotidiano das pessoas facilita a construção de tais mudanças. Uma delas pode ser usar um elemento da natureza como a árvore e seus elementos: raízes, tronco, galhos e folhas. Esse recurso pode atuar como uma ferramenta de facilitação da participação e possibilitar que as pessoas visualizem em seu tronco um problema vivido, que tem nas raízes suas causas e nos seus galhos e folhas os efeitos por eles gerados. Essa técnica, chamada Árvore de Problemas, ajuda a comunidade refletir o que é importante mudar na sua realidade e apontar os caminhos de soluções. Tudo isso nos motiva cotidianamente a não perder de vista o real motivo de nossa atuação junto as crianças que habitam esse grande Brasil.

Entendemos como vital a essas organizações que sua atuação esteja alinhada aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Trata-se de 17 metas globais que devem ser perseguidas por todos os países signatários das Nações Unidas. Erradicar a pobreza e a busca pela redução das desigualdades são alguns dessas metas.

No nosso caso, atuamos focados na busca do 16º ODS: “Acabar com abuso, exploração, tráfico e todas as formas de violência e tortura contra crianças”. Somente em 2018, atendemos mais de 42 mil crianças nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, promovendo e fortalecendo caminhos de proteção e desenvolvimento.

Entendendo a realidade dessas crianças e jovens, podemos, todos juntos, mudar seu hoje para que eles possam sonhar com um amanhã, já sabendo como alcançá-lo.


  • Coordenador de Operações de Campo no ChildFund Brasil – Fundo para Crianças

 

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