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Tecnologia vai transformar exames de imagem e medicina de precisão

Uso da Inteligência Artificial facilita o diagnóstico e o tratamento de diferentes doenças

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A tecnologia tem revolucionado o diagnóstico e o tratamento de doenças, impulsionando os exames de imagem e a medicina de precisão para uma nova era. Com a Inteligência Artificial (IA) no centro dessa transformação, a expectativa é que os diagnósticos sejam mais rápidos, enquanto os tratamentos sejam mais personalizados.

De acordo com a plataforma de pesquisa Mordor Intelligence, o mercado global de IA em medicina deve saltar de US$ 11,66 bilhões, em 2024, para US$ 36,79 bilhões até 2029, conquistando a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 25,83% durante esse período.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a IA tem potencial para transformar a prestação de serviços de saúde, aumentando a velocidade e a precisão na triagem de doenças, no atendimento clínico, nas pesquisas em saúde e no desenvolvimento de medicamentos.

Seu impacto já tem sido observado na prática clínica. Em parceria com a Northwestern Medicine, em Chicago, o Google Health realizou testes com IA em mamografias e obteve  redução de 9,4% nos falsos negativos e de 5,7% nos falsos positivos, com análise automatizada em menos de dois minutos.

No Brasil, a Rede D’Or introduziu a IA no processo de diagnóstico de câncer de pulmão. Por meio de um sistema que varre laudos de tomografias em busca de nódulos suspeitos, pacientes que não receberam o alerta durante exames anteriores são acionados para reavaliação. 

A iniciativa funciona como uma espécie de dupla checagem e pode ser decisiva em casos de cânceres silenciosos, como o de pulmão. Cerca de 70% dos diagnósticos da doença são feitos tardiamente, conforme explica a médica radiologista da Rede D’Or, Rosana Rodrigues.

Em conteúdo divulgado pelo Ministério da Saúde, a médica Rosália Morais Torres, professora da UFMG e coordenadora do Centro de Tecnologia em Saúde (CETES), explica que a tecnologia permite interpretar imagens médicas, como as de raio-X ou ressonância magnética, e identificar padrões que, muitas vezes, passariam despercebidos por humanos.

“Pode, ainda, ser utilizada para analisar grandes quantidades de dados de pacientes e identificar tendências e padrões relevantes para o diagnóstico ou tratamento médico”, acrescenta Torres.

O avanço está diretamente ligado à medicina de precisão, conceito que combina informações clínicas tradicionais com dados genéticos, registros eletrônicos de saúde e tecnologias, como Big Data, para personalizar diagnósticos e tratamentos. Com isso, é possível prever a suscetibilidade a determinadas doenças, selecionar terapias e prevenir condições antes que elas se manifestem.

Uso da IA na identificação de doenças

A Inteligência Artificial (IA) tem ampliado o potencial dos exames de imagem no diagnóstico de doenças neurológicas, cardíacas e gastrointestinais. Estudo divulgado pelo Jornal da Unesp, com base em publicação na revista Gait and Posture, mostra que algoritmos de aprendizado de máquina alcançaram 84,6% de precisão na identificação da doença de Parkinson.

A gastroenterologia também tem utilizado a tecnologia, como é o caso da endoscopia assistida por IA. De acordo com a revista Contribuciones a Las Ciencias Sociales, os avanços na área estão transformando o diagnóstico e o tratamento de doenças gastrointestinais. 

Algoritmos treinados para interpretar imagens endoscópicas têm aumentado a acurácia na identificação de alterações como pólipos, úlceras e lesões inflamatórias, reduzindo o risco de erro humano e a necessidade de procedimentos invasivos.

Já no campo da cardiologia, pesquisa publicada na revista Circulation: Cardiovascular Imaging destaca que o uso de IA na análise de ressonância magnética cardiovascular permite reduzir o tempo de interpretação dos exames.

Procedimentos ganham agilidade

Enquanto um cardiologista pode levar até 13 minutos para concluir a análise, a IA é capaz de realizar o mesmo processo em cerca de quatro segundos. A agilidade contribui para a tomada de decisões mais rápidas em situações críticas e amplia a capacidade de atendimento nos centros médicos.

Outro exemplo de como a tecnologia está impactando os exames de imagem vem da Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadores do Instituto de Química e da Faculdade de Medicina desenvolveram uma nanotecnologia capaz de substituir os contrastes utilizados em exames como a ressonância magnética e a angiografia. 

A nova substância, feita de dióxido de titânio com óxido de ferro, apresenta menor risco de efeitos adversos e permanece mais tempo no organismo, o que pode favorecer exames que exigem visualização prolongada dos vasos sanguíneos.

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