
Pesquisa inédita realizada no Brasil mostra que empresas que adotam os pilares do “capitalismo consciente” apresentam resultados superiores, quando comparados à média das 500 maiores companhias do País. O estudo foi apresentado na quarta-feira, 20 de março, em São Paulo, durante a primeira Conferência Latino-Americana sobre Capitalismo Consciente.
No total, o estudo brasileiro mapeou dados e informações de 1.115 empresas brasileiras, que representam mais de 50% do PIB, até chegar nas 22 corporações que se destacam pelas melhores práticas e resultados alinhadas ao conceito de Capitalismo Consciente. A proposta envolve um conjunto de práticas que gera valor financeiro, sustentabilidade e bem-estar social para todas as partes envolvidas em um negócio, de acionistas, colaboradores e até consumidores.
Ao fazer negócios de maneira que siga preceitos que valorizam a consciência sustentável de bem-estar social, essas organizações superam as concorrentes em quesitos como rentabilidade, fidelidade dos clientes e engajamento dos funcionários. O modelo de gestão, que ganha dimensão internacional, tem o objetivo de transformar empresas em negócios conscientes, sustentáveis e inovadores, desenvolvendo modelos sustentáveis humanos e geradores de impacto socioambiental positivo.
Demonstrações de comprometimento
O objetivo do estudo no território nacional é mostrar que, mesmo diante dos casos de corrupção que assolaram o Brasil nos últimos anos, há um grupo de empresários comprometidos com a ética e a sustentabilidade que deve servir de modelo para todas as corporações. A pesquisa, realizada pelo departamento de Engenharia de Produção da USP de São Carlos, é baseada na metodologia do professor Raj Sisodia, da Babson College (EUA), co-fundador do movimento global Capitalismo Consciente.
“Mesmo passando por mudanças de governo, redução de investimentos estrangeiros, crise econômica, crise política e social, as Empresas Humanizadas do Brasil tiveram um desempenho muito superior à média das 500 maiores empresas do país. Isso comprova a tese de que empresas que são movidas por um propósito maior. Elas são legitimamente reconhecidas por todos os seus stakeholders por fazerem negócios da maneira correta – com ética, cultura corporativa que preza pelo bem-estar dos colaboradores, responsabilidade social e ambiental -, são naturalmente mais admiradas, amadas, confiáveis, valorizadas e lucrativas”, afirma Pedro Paro, consultor e responsável pela pesquisa Empresas Humanizadas Brasil.
Em períodos longos, de quatro a 16 anos de análise, as empresas humanizadas chegam a ter rentabilidade duas ou mais vezes superior à média das 500 maiores empresas do país, conforme aponta o gráfico abaixo. Essas empresas também alcançam junto aos clientes uma satisfação 240% superior, e os índices de satisfação e bem-estar dos colaboradores chega a ser 225% maior, quando se compara as Empresas Humanizadas do Brasil (EHBRs) com empresas comuns.
Construção de novos modelos
“Essas empresas tornam o mundo melhor pela maneira como fazem negócios, e o mundo responde. Quando uma empresa compreende a razão pela qual ela existe no mundo, e vive esse propósito maior de maneira autêntica e legítima, a sociedade naturalmente responde a seu favor. Os colaboradores ficam mais engajados. Os clientes se fidelizam e passam a promover a marca. Os fornecedores, parceiros, investidores e a comunidade , passam também a defender essa empresa. E esse é o fator crítico do sucesso nos negócios, é assim que as melhores empresas conseguem prosperar, gerando valor para todos os envolvidos”, completa Pedro.
Para Ricardo Catto, um dos conselheiros da pesquisa, o estudo ganha uma relevância ainda maior dado o atual cenário político e econômico do país. “Com a nova formação de governo e o novo ministério da economia, há uma promessa de menos estado e mais mercado. E o que isso significa? Se o estado reduzir sua ingerência na economia e o mercado não estiver preparado para ocupar este espaço, estaremos perdendo a chance de colocar o Brasil no devido lugar.
Na minha visão, o empreendedorismo com propósito precisa ser capaz de ocupar este espaço, e atender às demandas da sociedade por Prosperidade, Qualidade de Vida e Justiça Social. E agora, com os exemplos inspiradores das Empresas Humanizadas, temos uma chance única de criar uma nova narrativa para o ambiente de negócios no país”, afirma Ricardo.
A pesquisa:
Empresas pesquisadas
Hospital Israelita Albert Einstein, Bancoob, O Boticário, Braile Biomédica, Cacau Show, Cielo, ClearSale, Elo7, Fazenda da Toca Orgânicos, Johnson & Johnson, Jacto, Klabin, Malwee, Mercos, Multiplus, Natura, Raccoon, Reserva, Tetra Pak, Unidas, Unilever e Venturus.
Indicadores
- 1.115 empresas mapeadas;
- 900 mil avaliações de consumidores coletadas;
- 136 mil avaliações de colaboradores coletadas;
- 2.394 stakeholders ouvidos;
- 152 indicadores avaliados;
- 65 horas de entrevistas, sendo 12 horas de gravação;
- 1.400 páginas de estudo de caso.
- Mais detalhes sobre a pesquisa estão disponíveis no site www.humanizadas.com.
Fonte: www.humanizadas.com
Em resumo
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