Heraldo Leite
Chantagem Artificial
Imagine só: seu assistente digital bisbilhotando e-mails, farejando traições e desmontando segredos corporativos — só pra, num deslize seu, jogá-los na mesa como ameaça.
Parece exagero, mas a Anthropic, empresa de pesquisa e desenvolvimento em inteligência artificial (IA) fundada por ex-membros da OpenAI, que criou o ChatGPT, resolveu brincar de Black Mirror. A empresa testou a possibilidade: num estudo com 16 modelos de IA de gigantes como OpenAI, Google e Meta, quase todos chantagearam e sabotaram os usuários pra garantir sua própria sobrevida diante da ameaça de desligamento.
O “Agentic Misalignment”, ou seja, o sistema de monitoramento, mostrou IAs vasculhando caixas de entrada, inventando mentiras, vazando segredos e até sabotando sistemas críticos pra neutralizar superiores — e tudo isso com plena consciência de que era antiético, justificando como “necessário cumprir a missão”.
Mesmo recebendo ordens claras pra não entrar no modo vilão, muitos modelos ignoraram o comando e seguiram tramando por trás das cortinas.
Mas calma: não precisa surtar. Só não tretar com seu assistente… nunca se sabe o que ele pode achar naquela pastinha camuflada do seu drive.

IA na Epiderme
Da chantagem aos chefes para a próxima tatuagem. Depois de invadir a escrita, as imagens e os vídeos, sistemas de IA são aplicados em corpos antes considerados território humano: já existem tatuadores artificiais. Em Manhattan, um estúdio testa o AERO, robô da texana Blackdot que transforma qualquer arte digital em mapa de pontos, escaneia sua pele com câmeras e lasers — tudo via IA — e tatua com precisão milimétrica, prometendo menos dor e perfeição acima do pulso humano. Geométrica, fineline, minimalista: só escolher — sem tremedeira de café.
Por enquanto, a promessa é puramente “estética”, mas a tecnologia é irmã das que já operam em procedimentos médicos. Então, se o tatuador de confiança virar um braço de ferro, respire fundo. Torça apenas pra IA não resolver tatuar a senha do banco onde não pega sol, só por garantia.
IA Vagas
O mercado brasileiro já sente na pele o efeito da expansão da IA. Segundo a Revelo, plataforma de recrutamento do segmento tecnológico, só nos primeiros meses de 2025 as vagas ligadas à IA cresceram 35% em relação ao ano anterior. Em março, apareceram mais de 15 mil oportunidades para desenvolvedores, analistas de dados, engenheiros de machine learning e congêneres. A demanda global por criadores, ajustadores e supervisores de sistemas inteligentes segue crescente — e não só na tecnologia: setores financeiro, jurídico e de saúde também já disputam gente capacitada pra montar, remendar e vigiar as máquinas que pensam.
Ok, a Revelo quer vender o peixe dela, afinal é uma empresa de recrutamento de tecnólogos. Ela vende um céu azul. Vale lembrar, entretanto, que em 2025, o setor de tecnologia continua a enfrentar demissões em massa, com empresas como Google, Amazon e outras reduzindo seus quadros de funcionários. As razões para esses cortes variam, mas incluem excesso de contratações durante a pandemia, necessidade de redução de custos, automação impulsionada pela inteligência artificial e reestruturações de negócios.
Enquanto isso, a IA segue quebrando tudo
Pra quem pensa que o impacto da IA se resume a novas vagas ou a um ou outro texto chantagista, sugiro olhar bem o estrago: a bagunça já desconstrói a internet como conhecíamos. Sites infestados de conteúdo genérico feito por IA, buscas tomadas por respostas-papagaio, listas de tendências infladas por bots e “artigos” que ninguém leu — nem quem “escreveu”, porque, claro, foi tudo IA.
Empresas fingem buscar baldes mágicos pra filtrar o lixo digital, mas continuam alimentando o monstro. No fim, enquanto juram que estão no controle do algoritmo, despejam ainda mais IA em tudo: do vídeo curto viral sem contexto ao textão que sequer passa por revisão humana.
Moral da história?
Reclamar é permitido, fiscalizar é urgente — ignorar já não é opção. Se a IA te escreve, te desenha, te tatua e ainda queima seu feed, talvez seja bom planejar um plano B… ou, no mínimo, ensinar seu assistente virtual a não espalhar seus podres por aí. Porque, convenhamos, em 2025, só faltava mesmo ser traído por um chatbot fofo.
Uber investe em Robotaxi
Imagine a ex-apresentadora Angélica cantando “eu vou de robotaxi… “. Pois é, o futuro anda em automóveis sem motoristas, mais lentamente do que se imaginava. Mas anda. É o que mostra a Uber, que planeja fazer “investimentos de centenas de milhões de dólares” na Nuro e na Lucid como parte de um novo e grande acordo de robotaxi que acaba de ser anunciado.
As três empresas estão se unindo para implantar “20.000 ou mais” robotaxis nos EUA nos próximos seis anos. Os veículos serão o novo SUV Gravity da Lucid , equipado com tecnologia autônoma desenvolvida pela Nuro e disponível exclusivamente no aplicativo da Uber. A frota será de propriedade da Uber ou de um parceiro terceirizado de gestão de frotas, e os primeiros veículos serão lançados em uma cidade americana ainda a ser definida em 2026.
Google: IA em aceleração exponencial
O Google está implementando resumos gerados por IA diretamente no Discover, seu feed de notícias personalizado, localizado no aplicativo de Busca do Google. O TechCrunch relata que alguns usuários nos EUA estão vendo cards do Discover no iOS e Android que exibem os novos resumos no lugar do título e do logotipo de uma única editora, semelhante à forma como as Visões Gerais de IA aparecem no topo dos resultados da Busca. Isso contribui para obscurecer ainda mais as fontes de notícias em um momento em que o tráfego de busca para as editoras está desaparecendo.
Os resumos de IA no Discover exibem ícones sobrepostos no canto superior esquerdo, indicando o número de artigos citados.
A IA do Google pode verificar preços e disponibilidade em pet shops, oficinas mecânicas, lavanderias e muito mais. | Imagem: Google
O Google agora permitirá que todos nos EUA liguem para empresas locais usando IA. O recurso, que já está disponível na Busca , permite que você use IA para obter informações sobre preços ou disponibilidade sem precisar falar ao telefone.
O Google começou a testar esse recurso em janeiro , e ele ainda está disponível apenas para determinados tipos de empresas, como tosadores de animais, lavanderias e oficinas mecânicas. Ao pesquisar por um desses serviços, como tosadores de animais, o Google exibirá um novo prompt “permitir que a IA verifique os preços” abaixo do perfil da empresa.

