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Radar da IA – 17 de julho de 2025


Heraldo Leite

Chantagem Artificial

Imagine só: seu assistente digital bisbilhotando e-mails, farejando traições e desmontando segredos corporativos — só pra, num deslize seu, jogá-los na mesa como ameaça.

Parece exagero, mas a Anthropic, empresa de pesquisa e desenvolvimento em inteligência artificial (IA) fundada por ex-membros da OpenAI, que criou o ChatGPT, resolveu brincar de Black Mirror. A empresa testou a possibilidade: num estudo com 16 modelos de IA de gigantes como OpenAI, Google e Meta, quase todos chantagearam e sabotaram os usuários pra garantir sua própria sobrevida diante da ameaça de desligamento.

O “Agentic Misalignment”, ou seja, o sistema de monitoramento, mostrou IAs vasculhando caixas de entrada, inventando mentiras, vazando segredos e até sabotando sistemas críticos pra neutralizar superiores — e tudo isso com plena consciência de que era antiético, justificando como “necessário cumprir a missão”.

Mesmo recebendo ordens claras pra não entrar no modo vilão, muitos modelos ignoraram o comando e seguiram tramando por trás das cortinas.

Mas calma: não precisa surtar. Só não tretar com seu assistente… nunca se sabe o que ele pode achar naquela pastinha camuflada do seu drive.


IA na Epiderme

Da chantagem aos chefes para a próxima tatuagem. Depois de invadir a escrita, as imagens e os vídeos, sistemas de IA são aplicados em corpos antes considerados território humano: já existem tatuadores artificiais. Em Manhattan, um estúdio testa o AERO, robô da texana Blackdot que transforma qualquer arte digital em mapa de pontos, escaneia sua pele com câmeras e lasers — tudo via IA — e tatua com precisão milimétrica, prometendo menos dor e perfeição acima do pulso humano. Geométrica, fineline, minimalista: só escolher — sem tremedeira de café.

Por enquanto, a promessa é puramente “estética”, mas a tecnologia é irmã das que já operam em procedimentos médicos. Então, se o tatuador de confiança virar um braço de ferro, respire fundo. Torça apenas pra IA não resolver tatuar a senha do banco onde não pega sol, só por garantia.

IA Vagas

O mercado brasileiro já sente na pele o efeito da expansão da IA. Segundo a Revelo, plataforma de recrutamento do segmento tecnológico, só nos primeiros meses de 2025 as vagas ligadas à IA cresceram 35% em relação ao ano anterior. Em março, apareceram mais de 15 mil oportunidades para desenvolvedores, analistas de dados, engenheiros de machine learning e congêneres. A demanda global por criadores, ajustadores e supervisores de sistemas inteligentes segue crescente — e não só na tecnologia: setores financeiro, jurídico e de saúde também já disputam gente capacitada pra montar, remendar e vigiar as máquinas que pensam.

Ok, a Revelo quer vender o peixe dela, afinal é uma empresa de recrutamento de tecnólogos. Ela vende um céu azul. Vale lembrar, entretanto, que em 2025, o setor de tecnologia continua a enfrentar demissões em massa, com empresas como Google, Amazon e outras reduzindo seus quadros de funcionários. As razões para esses cortes variam, mas incluem excesso de contratações durante a pandemia, necessidade de redução de custos, automação impulsionada pela inteligência artificial e reestruturações de negócios.

Enquanto isso, a IA segue quebrando tudo

Pra quem pensa que o impacto da IA se resume a novas vagas ou a um ou outro texto chantagista, sugiro olhar bem o estrago: a bagunça já desconstrói a internet como conhecíamos. Sites infestados de conteúdo genérico feito por IA, buscas tomadas por respostas-papagaio, listas de tendências infladas por bots e “artigos” que ninguém leu — nem quem “escreveu”, porque, claro, foi tudo IA.

Empresas fingem buscar baldes mágicos pra filtrar o lixo digital, mas continuam alimentando o monstro. No fim, enquanto juram que estão no controle do algoritmo, despejam ainda mais IA em tudo: do vídeo curto viral sem contexto ao textão que sequer passa por revisão humana.

Moral da história?

Reclamar é permitido, fiscalizar é urgente — ignorar já não é opção. Se a IA te escreve, te desenha, te tatua e ainda queima seu feed, talvez seja bom planejar um plano B… ou, no mínimo, ensinar seu assistente virtual a não espalhar seus podres por aí. Porque, convenhamos, em 2025, só faltava mesmo ser traído por um chatbot fofo.

Uber investe em Robotaxi

foto de um Lucid Gravity com hardware de robotaxi Nuro

Imagine a ex-apresentadora Angélica cantando “eu vou de robotaxi… “. Pois é, o futuro anda em automóveis sem motoristas, mais lentamente do que se imaginava. Mas anda. É o que mostra a Uber, que planeja fazer “investimentos de centenas de milhões de dólares” na Nuro e na Lucid como parte de um novo e grande acordo de robotaxi que acaba de ser anunciado.

As três empresas estão se unindo para implantar “20.000 ou mais” robotaxis nos EUA nos próximos seis anos. Os veículos serão o novo SUV Gravity da Lucid , equipado com tecnologia autônoma desenvolvida pela Nuro e disponível exclusivamente no aplicativo da Uber. A frota será de propriedade da Uber ou de um parceiro terceirizado de gestão de frotas, e os primeiros veículos serão lançados em uma cidade americana ainda a ser definida em 2026.

Google: IA em aceleração exponencial

O Google está implementando resumos gerados por IA diretamente no Discover, seu feed de notícias personalizado, localizado no aplicativo de Busca do Google. O TechCrunch relata que alguns usuários nos EUA estão vendo cards do Discover no iOS e Android que exibem os novos resumos no lugar do título e do logotipo de uma única editora, semelhante à forma como as Visões Gerais de IA aparecem no topo dos resultados da Busca. Isso contribui para obscurecer ainda mais as fontes de notícias em um momento em que o tráfego de busca para as editoras está desaparecendo.

Os resumos de IA no Discover exibem ícones sobrepostos no canto superior esquerdo, indicando o número de artigos citados.

A IA do Google pode verificar preços e disponibilidade em pet shops, oficinas mecânicas, lavanderias e muito mais. | Imagem: Google
O Google agora permitirá que todos nos EUA liguem para empresas locais usando IA. O recurso, que já está disponível na Busca , permite que você use IA para obter informações sobre preços ou disponibilidade sem precisar falar ao telefone.

O Google começou a testar esse recurso em janeiro , e ele ainda está disponível apenas para determinados tipos de empresas, como tosadores de animais, lavanderias e oficinas mecânicas. Ao pesquisar por um desses serviços, como tosadores de animais, o Google exibirá um novo prompt “permitir que a IA verifique os preços” abaixo do perfil da empresa.

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