Os Aparelhos eletrônicos cada vez mais estão tomando decisões

 

Distraído entre os seus pensamentos e as tarefas cotidianas, não se surpreenda ao perceber, em algum momento de 2015, que os aparelhos eletrônicos andam tomando mais decisões por você. Máquinas vão fazer recomendações de produtos, graças a sistemas tecnológicos que aprendem os interesses e hábitos dos consumidores. Elas estão evoluindo a um ritmo maior. Novos serviços e produtos chegarão no mercado, oferecendo sugestões para quem transita por todos os cantos das cidades, em diferentes ocasiões. Seja no momento da compra de uma roupa nova ou no momento de escolher uma refeição.

Que tal um restaurante que sugere um prato a partir da “leitura da mente” do consumidor?
A rede de restaurantes Pizza Hut pretende solucionar o problema do frequentador que, diante do cardápio, não consegue decidir.  A empresa desenvolve atualmente, na Inglaterra, o primeiro primeiro menu capaz de interpretar e entender os desejos do “subconsciente” do consumidor. O substituto do menu tradicional de papel utiliza um tablet para apresentar, em imagens, ingredientes para o consumidor. Um aplicativo rastreia os movimentos dos olhos e seleciona as alternativas que chamaram mais atenção, com base na análise sobre onde o olhar permanece mais tempo.

O cardápio digital identifica as escolhas do freguês em apenas dois segundos e meio. São 4.896 possíveis combinações de ingredientes. Os testes já realizados foram bem sucedidos, segundo a rede de pizzarias. Em 98% dos casos, o sistema conseguiu fazer as escolhas que deixaram os consumidores satisfeitos.

Os menus foram desenvolvidos em colaboração com a Tobii, uma empresa sueca que desenvolve tecnologia de rastreamento ocular. Em entrevista para o site Mashable, Peter Tiberg, vice-presidente de vendas na Europa e Ásia da desenvolvedora, garantiu que o sistema de monitoramento de olhos vai mudar a forma como o consumidor interage com qualquer dispositivo, no futuro. Não só quando a encomenda é de pizza.

Sistema semelhante, de interpretação dos desejos do consumidor, está sendo desenvolvido pela Aether. A startup desenvolve um equipamento, no formato de cone, que toca as músicas que ele acha que o proprietário deseja ouvir em um determinado momento. O sistema aprende o que, quando e como o usuário gosta de ouvir música. Pressionando um botão no Cone, o usuário pode solicitar verbalmente uma faixa ou um artista. Com o tempo, a máquina “entende” os gostos, inclusive sobre o volume, a partir das preferências aprendidas.

Inteligência – As duas inovações reforçam a impressão de que a inteligência artificial, incluindo sistemas cognitivos, está cada vez mais próxima do cotidiano, desafiando a capacidade das empresas desenvolverem novos produtos e serviços. A tecnologia estará entre o fascínio das possibilidades de geração de negócios inovadores e a profusão de debates sobre os limites da evolução dos softwares e hardwares. Por acaso, com poucos dias de diferença, duas personalidades expressaram preocupação com os impactos da inteligência artificial no futuro.

O físico teórico britânico Stephen Hawking divulgou, em entrevista para a BBC, um alerta de que “os esforços para criar máquinas pensantes é uma ameaça à existência humana”. Hawking fez a advertência ao responder uma pergunta sobre os avanços na tecnologia que ele próprio usa para se comunicar, a qual envolve uma forma básica de inteligência artificial.

O físico britânico, que sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, está usando um novo sistema desenvolvido pela empresa Intel para se comunicar. Especialistas da empresa britânica Swiftkey também participaram da criação do sistema. Sua tecnologia, já empregada como um aplicativo para teclados de smartphones, “aprende” a forma como Hawking pensa e sugere palavras que ele pode querer usar em seguida.

Com o mesmo tom, o bilionário sul-africano Elon Musk, empreendedor envolvido na estruturação de empresas como a Paypal, SpaceX e Tesla, reforçou o temor de que a evolução dos sistemas inteligentes representem uma ameaça para a sociedade global. “Acho que devemos ter muito cuidado”, assinalou.