Nas Notas de Conjuntura, destaque para o “favor” de Trump, que explicita os métodos imperiais dos Estados Unidos

CARLOS PLÁCIDO TEIXEIRA
Jornalista Responsável | Radar do Futuro
Donald Trump está fazendo um grande favor à humanidade e aos brasileiros. Parece absurdo. Mas é verdade que o presidente dos Estados Unidos ajuda a quem denuncia os métodos destrutivos adotados pelo império desde o século passado, especialmente após a Segunda Guerra Mundial. O líder da extrema direita global atesta, com suas atitudes, o caráter destrutivo do principal país capitalista do planeta, viciado em guerras, geração de instabilidades políticas, derrubada e submissão de governos e roubo de riquezas alheias.
A intervenção nos assuntos brasileiros e a obsessão pela taxação de produtos de concorrentes demonstram métodos de ação levados ao extremo. Em relação aos governos anteriores, tanto de republicanos quanto democratas, a postura de Trump se difere pela adoção de ações mais agressivas no relacionamento com países, instituições e grupos definidos como inimigos. A sutileza manipulatória dá lugar para ações de negociação mafiosas.
Efeitos positivos
A esquerda encontra uma oportunidade para resgatar bandeiras históricas, incluindo a defesa da soberania nacional contra o imperialismo e a proteção dos interesses nacionais e dos trabalhadores e, até mesmo, resgate de algum nacionalismo. Atrai os movimentos sociais, lideranças políticas, ambientalistas e representantes de grupos sociais em situação de vulnerabilidade. Também os partidos ganham a oportunidade de mobilizar e conscientizar as populações sobre o verdadeiro papel dos EUA contra a liberdade dos povos.
E daí: o que as ameaças de Donald Trump revelam
A ausência de sutileza do líder da extrema direita global define a diferença entre as estratégias adotadas pelo atual governo do republicano em relação às ações das administrações anteriores, inclusive dos presidentes democratas.
No final das contas, Republicanos e Democratas são a mesma coisa. O maior patrocinador de guerras e ações contra a soberania dos países do mundo, que apoia o genocídio israelense e o conflito entre Ucrânia e Rússia, desnuda o desprezo pela liberdade e autonomia dos povos de todos os cantos do planeta.
Ao pressionar o governo brasileiro, Trump dá voz para a psicopatia da família Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro agradece a Deus pela “atenção ao Brasil” com um tarifaço que ameaça 110 mil empregos. Enquanto o presidente impõe tarifas que podem quebrar indústrias e fechar fábricas no Brasil, Eduardo celebra de joelhos.
- Se depender dos governos dos Estados Unidos, o mundo jamais terá paz
- Para a família Bolsonaro, nada mais importa do que os interesses dela mesma.
- Para o bolsonarismo. a defesa dos interesses brasileiros é apenas uma questão de oportunismo.
- As elites políticas, empresariais e religiosas associadas ao bolsonarismo defendem os interesses, primeiro delas mesmas, como apêndice dos interesses dos Estados Unidos
Tendências: instabilidade permanente
As iniciativas do governo Trump são a garantia de manutenção de um clima de incertezas no mundo. Analistas econômicos e políticos concordam que a intervenção dos Estados Unidos contra o Brasil tem o objetivo de atacar os Brics e obter acesso a produtos minerais estratégicos. Em especial, os EUA têm o interesse em impedir o protagonismo da China no processo de criação de um cenário de multipolaridade econômica.
MOVIMENTO DOS ATORES
Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo, dia 27, que fechou um acordo comercial com a União Europeia e que passará a cobrar 15% de tarifas sobre as exportações feitas pelo bloco europeu.
A iniciativa foi interpretada como mais uma demonstração de vassalagem. De acordo com o republicano, a União Europeia fará um investimento de US$ 600 bilhões nos EUA, sendo US$ 150 bi em energia, além de uma parte em equipamentos militares.
Exército
Indiferente diante das necessidades reais do País, o Exército insiste em construir em Pernambuco uma escola para sargentos ao custo de pelo menos R$ 1,8 bilhão e 94 hectares de mata atlântica numa área com proteção ambiental. Uma cidade militar para 6.200 pessoas.
- As forças armadas continuam sendo uma aliada dos Estados Unidos. Militares pressionam o governo para fechar acordo com o governo Trump.
Extrema direita
Comportando-se como candidata à presidência, a passagem da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pela Paraíba, entre sexta-feira (25) e sábado (26), foi marcada por discursos inflamados, ataques ideológicos e declarações preconceituosas e excludentes.
Em eventos realizados em João Pessoa e Campina Grande, ela anunciou apoio ao senador Efraim Filho (União Brasil) para o governo do estado e ao ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL) para o Senado, e também protagonizou um show de horrores.
Israel
Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, um terço da população de Gaza não come há dias, e quase meio milhão de pessoas enfrenta “condições semelhantes à fome”.
- 133 pessoas já morreram vítimas de inanição em Gaza, incluindo 87 crianças, segundo autoridades locais
INDICADORES
O mundo registrou 61 conflitos armados com participação estatal em 36 países durante 2024. É o maior número desde 1946, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisas de Paz de Oslo.
- A pesquisa, baseada em dados da Universidade de Uppsala, na Suécia, mostra que alguns territórios enfrentam múltiplos confrontos simultâneos.
- Em comparação com 2023, quando foram documentados 59 conflitos em 34 países, os números confirmam uma tendência de escalada da violência internacional.

