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Notas de Conjuntura: 18 de outubro de 2025

Confira nas Notas de Conjuntura, dois cenários possíveis de mais uma intervenção nos direitos de soberania dos países pelos Estados Unidos

Ao autorizar a agência de inteligência CIA a conduzir “operações secretas” da CIA e promover cerco militar na Venezuela, sob o pretexto de combater cartéis de drogas, o presidente Donald Trump, reitera a vocação agressiva dos Estados Unidos contra os direitos dos governos e populações do planeta. O “tudo por dinheiro” se impõe. E as sutilezas tradicionais na promoção de guerras e golples são abandonadas.

Se há um mérito de Trump, vale destacar que o político e empresário explicita, como nenhum outro presidente fez antes, os métodos praticados durante décadas contra a soberania das populações.

A modificação do nome do Departamento de Defesa para Departamento da Guerra signfica muita coisa. Primeiro, que o presidente é coerente com o comportamento beligerante do império. A decisão de atuar contra a Venezuela foi anunciada publicamente. Algo inédito no comportamento de presidentes. E na história de golpes articulados em segredo por grupos de poder político, econômico e militar para destituição de governos e destruição da qualidade de vida de populações.

E daí: os interesses desnudados

A iniciativa explicita, mais que nunca, as práticas imperiais de interferência em lugares onde residem inimigos e acontecimentos forjados.

Em outras palavras, mais uma vez na história da civilização, os EUA atuam contra a independência de outro país. Sem limites, agora os militares estadunidenses já mataram quase 30 pessoas em decorrência de ataques a barcos pesqueiros.

Lembrando: aproximadamente 110 milhões de pessoas foram mortas em decorrência de invasões e ataques dos Estados Unidos ao redor do mundo nos últimos 150 anos, nunca denunciados formalmente ante tribunais internacionais. Os dados fazem parte de um estudo do jornalista e ex-professor Urias Rocha, de Mato Grosso do Sul.

Lembrando também: nunca é, nem foi, pela defesa da “liberdade de qualquer coisa”. Aos Estados Unidos interessa exclusivamente a riqueza dos países. No caso da Venezuela, a maior reserva de petróleo do planeta. Capaz de resolver os problemas de abastecimento do maior consumidor do produto.

Os EUA consomem consomem cerca de 20 milhôes de barris de petróleo por dia. São obrigados a importar sete milhões. Têm uma reserva suficiente para 14 anos. A Venezuela tem produção de um milhão de barris por dia, mas as reservas são suficientes para 753 anos.

Tendências: dois cenários de curto prazo

Cenário 1: Estados Unidos mantêm apenas a ameaça de ataque à Venezuela sem levar um conflito adiante

Neste cenário, o mais provável, a estratégia dos Estados Unidos é caracterizada por uma escalada retórica e ações não-militares diretas, que visam exercer pressão sobre o governo venezuelano sem, contudo, iniciar um confronto bélico em larga escala. As análises de especialistas apontam para os seguintes desdobramentos:

  • Intensificação de operações secretas e desestabilização
  • Estado de tensão ampliada: incerteza e opacidade
  • Pressão política e econômica ampliada
  • Operações marítimas e criação de zonas cinzentas
  • Retorno à “Doutrina Monroe” e Impacto regional: ações para afastar a China e Rússia

Cenário 2: Estados Unidos atacam militarmente a Venezuela

Neste cenário, os Estados Unidos iniciam uma intervenção militar direta na Venezuela. Um envolvimento militar direto pode ser desastroso, especialmente considerando o apoio popular conquistado recentemente pela oposição venezuelana nas eleições, com mais de 70% dos votos. As análises de especialistas preveem uma série de consequências severas e complexas, tanto para a Venezuela quanto para a região e a política internacional:

  • Ações pontuais e ataques limitados
  • Guerra civil e instabilidade regional generalizada
  • Catástrofe humanitária
  • Resistência com aplicação da doutrina de “Guerra Assimétrica”
  • Condenação internacional
  • Repercussões geopolíticas amplas

MOVIMENTO DOS ATORES

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EM DESTAQUE

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Meio Ambiente
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INTERNACIONAL

Mesmo sob protestos, Grécia aprova jornada de trabalho de 13 horas
Classificada como “monstruosidade” e “regresso à Idade Média” por trabalhadores e sindicatos que promoveram greve geral, medida é retrocesso imposto pela direita grega

Uruguai legaliza eutanásia com aprovação da Lei da Morte Digna
O país se torna o terceiro da América Latina a permitir a morte assistida. A lei prevê critérios médicos e consentimento explícito do paciente em fase terminal

China protege suas terras raras contra os interesses e ameaças dos EUA
Com quase a metade das terras raras do mundo, essenciais para a indústria bélica e de tecnologia, os chineses ampliaram o controle sobre elas enquanto Trump ameaça com tarifaço

INSIGHTS

Bares de SP voltam a vender destilados, mas faturamento segue 25% abaixo do normal
Na segunda semana após a eclosão da crise do metanol em destilados, bares da cidade de São Paulo registraram um crescimento de 1% no seu faturamento, porém o resultado financeiro manteve-se 25% abaixo da média.

INDICADORES

Mudanças climáticas agravam pobreza de quase 900 milhões de pessoas no mundo, diz relatório da ONU
Cerca de 80% da população pobre no mundo — aproximadamente 900 milhões de pessoas — está diretamente exposta a eventos climáticos extremos agravados pelo aquecimento global. Esse “duplo problema” foi destacado pela ONU nesta sexta-feira (17), com a publicação de um novo documento sobre o tema.

Número de trabalhadores por aplicativo cresce 25% e chega a 1,7 milhão

O número de pessoas que trabalham por meio de aplicativos cresceu 25,4% em 2024, na comparação com 2022. Nesse intervalo, o contingente de trabalhadores nessa condição passou de 1,3 milhão para quase 1,7 milhão.

Nesse período, houve também aumento de participação desses trabalhadores no universo da população ocupada – pessoas com 14 anos ou mais de idade que trabalham.Transporte de passageiros concentra 58% dessas pessoas, que ganham mais, porém têm jornadas mais longas

Brasil bate recorde de emprego, mas informalidade e precarização predominam
Com mais de 102 milhões de trabalhadores, taxa de desemprego cai a 5,5%, mas salários baixos, desigualdade e contratos precários preocupam.

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