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Neurociência na educação: como melhorar e tornar mais eficaz o ensino


A aplicação da neurociência na educação se beneficia do maior conhecimento dos mecanismos biológicos e estruturas cerebrais

Detalhe de criança com autismo passando por atendimento com psicólogo no Instituto de Psicologia (IP). Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Neurociência nas escolas contribui para a educação de alunos e mudanças significativas nas teorias educacionais Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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Brenda Marchiori
Jornal da USP

Como tornar os processos de aprendizagem mais eficazes para os alunos? A neurociência pode ter a resposta. Aplicar conhecimentos básicos em neurociência nas escolas contribui para a educação de alunos e mudanças significativas nas teorias educacionais, além de permitir a construção de ambientes educacionais mais eficazes, defende a professora e coordenadora do Laboratório de Pesquisa e Integração em Psicologia, Fabiana Versuti, do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. 

A neurociência, área do conhecimento que se dedica a compreender os mecanismos biológicos e estruturas cerebrais, vem ganhando cada vez mais espaço na educação, visto que as descobertas nesse campo podem ajudar a compreender os princípios da aprendizagem humana.

Fabiana Versuti – Foto: Currículo Lattes

“Conhecer o funcionamento cerebral é conhecer como o conhecimento humano vem a se organizar e, portanto, trazer esses conhecimentos para o contexto da sala de aula é muito pertinente, uma vez que podem interferir na prática do cotidiano escolar”, afirma a professora. 

Por tratar-se de um campo que se dedica ao sistema nervoso, incluindo a cognição e as emoções, quando os conhecimentos básicos em neurociências são aplicados à educação, explica Fabiana, são consideradas as “experiências sociais e emocionais sobre os circuitos neurais e fica mais fácil para os professores superar os desafios da educação e estimular os alunos”. 

Neurociência da educação aproveita habilidades

Ao compreender melhor o funcionamento do cérebro e suas especificidades, os professores podem “se aproximar mais de situações-problema que são vivenciadas em sala de aula, tendo uma compreensão sobre aquilo que realmente pode atingir os alunos, para que a aprendizagem aconteça aproveitando as habilidades cognitivas em sua plenitude”. Dessa forma, a professora enfatiza que reconhecer esses processos neurobiológicos é importante para “conhecer, de fato, os limites e as potencialidades das práticas educativas”. 

A neurociência proporciona ferramentas que permitem aos educadores entender o processo de aprendizagem, considerando as necessidades dos alunos, e desenvolver estratégias de ensino mais eficientes. “Nas últimas décadas, o rápido avanço da neurociência tem identificado muitos dos processos biológicos envolvidos nos mecanismos celulares e moleculares de aprendizagem.”

Além disso, continua Fabiana, “o entendimento da importância das experiências sociais e emocionais sobre as mudanças nos circuitos neurais” tem evidenciado o papel decisivo desses conhecimentos na “compreensão dos processos de aprendizagem e na interpretação e manejo das suas deficiências e, principalmente, no desenvolvimento de estratégias mais eficazes de ensino”. 

Contudo, apesar dos benefícios que proporciona, essa área do conhecimento ainda é pouco conhecida pelos profissionais da educação. “Considerando-se que os professores são os principais mediadores da aprendizagem e o papel do sistema nervoso nesse processo, parece necessário e urgente que a compreensão desses mecanismos possa fazer parte dos processos formativos e relacionar aprendizagem e desenvolvimento psicológico no contexto da formação dos professores”, ressalta Fabiana. 

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