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Jornalista da Reuters se demite em protesto contra cobertura do genocídio

Jornalistas denunciam o posicionamento pró-Israel da Reuters, maior empresa produtora e distribuidora de informações jornalísticas do mundo

A fotojornalista freelancer Valéria Zink se demitiu da agência internacional de notícias Reuters em protesto contra o posicionamento omisso da cobertura sobre as ações de Israel contra o povo palestino na Faixa de Gaza, que já resultou no assassinato de 245 jornalistas. A decisão acontece no momento em que jornalistas denunciam o posicionamento pró-Israel da maior empresa produtora e distribuidora de informações jornalísticas do mundo.

Os trabalhadores revelam os conflitos que têm com a administração da empresa britânica, responsável pelo fornecimento de informações em tempo real a meios de comunicação e aos mercados financeiros, atuando em mais de 200 cidades em 94 países e publicando em mais de 20 idiomas. Eles atestam que a cobertura das notícias sobre a Palestina omite e manipula os acontecimentos.

No comunicado sobre o pedido de demissão, Valéria Zink critica a disposição da Reuters em perpetuar a propaganda israelense, mesmo quando isso resultou na morte de seus próprios colegas.

Apoio e cumplicidade com genocídio

A cobertura mídia ocidental em geral desnuda a sua face manipuladora. As empresas tradicionais de jornalismo são acusadas de ser cúmplices na criação de condições que permitem crimes de guerra e a desumanização das vítimas, abandonando o compromisso com a reportagem ética. Um comportamento histórico, por sinal.

Os protestos de Zink e de outros profissionais destacam que o jornalismo tem um papel crucial no genocídio em Gaza. Os conteúdos distribuídos normalizam a situação e omitem fatos enquanto alegam a defesa da objetividade dos acontecimentos.

De acordo com uma notícia publicada no site Declassifieduk.org, quando Israel matou o jornalista palestino Anas el-Sharif no início deste mês, a agência de notícias Reuters publicou uma notícia intitulada «Israel matou jornalista da Al Jazeera que alegadamente seria líder do Hamas».

O artigo afirma que este título foi escolhido apesar do fato de el-Sharif ter trabalhado anteriormente para a agência – ele era membro da equipa da Reuters que ganhou o Prémio Pulitzer de 2024.

Exemplos como este geraram reações na Internet, mas também causaram preocupação entre alguns trabalhadores da influente agência de notícias global, fundada em Londres em 1851 e que atualmente tem mais de bilhões de leitores diários.

A construção das notícias

legações sobre a Reuters e sua cobertura dos eventos em Gaza:

• A fotojornalista freelancer da Reuters, Valéria Zink, pediu demissão da agência após trabalhar por 8 anos para ela. Sua demissão foi motivada pela percepção de que se tornou “impossível para ela manter uma relação de trabalho com a Reuters dado seu papel em justificar e permitir o assassinato sistemático de 245 jornalistas em Gaza”.

• A Reuters é acusada de publicar uma “acusação totalmente infundada de Israel” de que Anas Al Sharif, um membro da equipe da Al Jazeera assassinado, era um agente do Hamas. Isso é descrito como uma das “inúmeras mentiras que veículos de comunicação como a Reuters repetiram obedientemente e dignificaram”.

• A agência é acusada de mostrar “disposição consciente da Reuters em perpetuar propaganda de Israel“. O comportamento não poupa seus próprios repórteres do genocídio israelense”, com cinco jornalistas da agência entre as 20 pessoas mortas em um ataque a um hospital.

• A mídia ocidental, incluindo a Reuters, é considerada diretamente culpada por criar as condições para que ataques como o “toque duplo” (onde Israel bombardeia um alvo civil, espera a chegada de socorristas e jornalistas, e ataca novamente) pudessem acontecer.

• Os principais meios de comunicação, incluindo a Reuters, teriam “servido como esteira rolante para propaganda israelense, higienizando crimes de guerra e desumanizando vítimas”.

• A agência é criticada por “abandonar seus colegas e seu suposto compromisso com reportagens verdadeiras e éticas”, ao repetir “invenções genocidas de Israel sem determinar se elas têm alguma credibilidade”, e “abandonando intencionalmente a responsabilidade mais básica do jornalismo”.

• Essa conduta teria tornado possível o assassinato de mais jornalistas em Gaza em dois anos do que na Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, e nas guerras da Coreia, Vietnã, Afeganistão, Iugoslávia e Ucrânia juntas.

• Mesmo o trabalho de Anas Alarif, que ganhou um Prêmio Pulitzer para a Reuters, não obrigou a agência a defendê-lo quando ele foi colocado em uma lista de alvos de jornalistas acusados de serem militantes, nem a relatar honestamente sua morte após ser caçado e morto.

• Há uma crítica geral à “pretensa objetividade” da mídia hegemônica, que supostamente oculta um “apoio às ações de Israel como governo” e uma “cumplicidade com genocídio”.

• O jornalismo é acusado de “normalização do que tá acontecendo” em Gaza e de não nomear o “genocídio” como tal.

• Essa “cumplicidade com genocídio” ignora até mesmo que os próprios colegas jornalistas estão sendo “acusados de ser terroristas e sua morte tá sendo justificada”.

• A participação do jornalismo nesta tragédia é descrita como “bastante intensa” e “uma das atuações mais vergonhosas do jornalismo”.

• Jornalistas recebem — e aceitam — convites para viajar a Israel, sugerindo que há incentivos para jornalistas que podem levar à cumplicidade com o que está acontecendo.

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