Aplicativo substitui o trabalho de gerentes em funções voltadas ao atendimento de empresários e gestores de micro e pequenas empresas
Carlos Plácido Teixeira
Jornalista | Radar do Futuro
O Itaú Unibanco prepara a eliminação de gerentes responsáveis pelo atendimento aos donos e gestores de pequenas empresas. Ao anunciar a adoção de sistemas inteligentes de um novo aplicativo, o Itaú Emps, o maior banco brasileiro aponta para tendências simultâneas e complementares. Primeiro de todos, singelamento é divulgada a substituição dos profissionais humanos.
Além da dispensa, a novidade envolve o registro de que os usuários passam a ter acesso a soluções de autosserviço. Eufemisticamente, a divulgação do serviço diz que o correntista terá maior autonomia para tomar decisões. A plataforma digital utiliza Inteligência Artificial Generativa (GenAI) para atender micro e pequenos empreendedores. O aplicativo, que vem sendo desenvolvido há dois anos, é voltado a pequenos negócios e profissionais autônomos com faturamento anual entre R$ 200 mil e R$ 3 milhões.
A notícia foi divulgada na segunda-feira, 21, dias antes da negociação coletiva sobre novas tecnologias como IA e atividades bancárias, que ocorrerá no dia 28 de julho entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Tendência: cortes de empregos atingem os gerentes

Até maio de 2015, quase 48 mil cargos de gerência foram cortados do mercado de trabalho formal no Brasil. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) revela a tendência surpreendente de aumento do desemprego de funções intermediárias. Diante dos avanços das tecnologias, seria razoável imaginar que as atividades mais simples e rotineiras seriam as maiores vítimas dos cortes.
Só que não. Nos últimos três anos, após a pandemia, funções gerenciais acumulam retração. Em todos os níveis, inclusive no sistema financeiro.
“Ao contrário do que muitos imaginam, quem mais deveria estar atento a esse movimento não são os profissionais da base, mas sim os gerentes de nível médio”, recomenda Margaret Spence, consultora, estrategista de negócios e fundadora do The Inclusion Learning Lab e do The Employee to CEO Project, em matéria publicada pelo site Startups.
Impactos ampliados
Ela alerta para uma mudança radical no mercado de trabalho. Enquanto muitos CEOs ainda resistem a temas como letramento, diversidade e inclusão por acharem que essas questões não os afetam diretamente, também não estarão imunes à disrupção tecnológica. “A transformação da IA não está apenas otimizando tarefas operacionais, está redesenhando a estrutura hierárquica das empresas”, diz a especialista.
Para ilustrar, Margaret cita o caso real de uma empresa, cujo nome preferiu não revelar, que eliminou praticamente todos os níveis de gestão intermediária, mantendo apenas o CEO e o vice-presidente. Todos os demais cargos de liderança – managers, heads, líderes e coordenadores – foram substituídos por agentes de inteligência artificial.
Os gerentes que se acomodarem em cargos focados no controle de tarefas e processos precisam repensar o valor que agregam. Nesse novo modelo, os profissionais da base passaram a focar em funções estratégicas, enquanto a IA assumiu as tarefas operacionais. “Foi aí que se percebeu que aquilo que os líderes estavam gerenciando era, na verdade, desnecessário. Eles estavam gerenciando tarefas – e isso, a IA consegue fazer”, explica Margaret.
Se a principal função dos gerentes era administrar tarefas e processos, e a IA executa essas funções com mais eficiência, o papel deles se torna dispensável. Os colaboradores que antes eram supervisionados passam a atuar de forma mais autônoma e estratégica, reduzindo ou eliminando a necessidade de supervisão intermediária.

