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Inovação tecnológica também late, mia e responde por comandos de voz

Quem adota essas soluções percebe impactos reais não apenas na saúde física dos animais, mas também no equilíbrio emocional deles

Pensadores do Futuro

O setor pet no Brasil, terceiro maior do mundo segundo o Instituto Pet Brasil (IPB), está vivendo uma revolução tecnológica que vai além da venda de rações e brinquedos. A inovação tem transformado a forma como os tutores interagem com seus animais e como empresas prestam serviços de saúde, bem-estar e monitoramento.

De assistentes virtuais a plataformas de gestão de clínicas veterinárias, a digitalização do segmento sinaliza uma nova era de personalização e eficiência no cuidado animal.

De acordo com o Censo Pet IPB 2022, o Brasil tem cerca de 149,6 milhões de animais de estimação.

O volume expressivo impulsiona um mercado que movimentou R$ 60 bilhões em 2023, segundo a Abinpet. Dentro dessa cifra, os serviços representam uma fatia crescente, puxada por demandas mais sofisticadas de tutores que tratam seus pets como membros da família. Nesse contexto, a tecnologia passou de coadjuvante a protagonista.

Segundo o relatório global The Rise of Pet Care Technology, da TGM Research, o mercado de “Pet Tech” movimentou US$ 10,5 bilhões em 2023 e deve crescer a uma taxa média de 13,5% ao ano até 2032. Os destaques incluem aplicativos de agendamento, coleiras com sensores de saúde, câmeras com comunicação remota e até inteligência artificial para personalização de planos alimentares e rotinas de adestramento.

“A tecnologia aproxima, facilita e torna o cuidado mais preciso. Quem adota essas soluções percebe impactos reais não apenas na saúde física dos animais, mas também no equilíbrio emocional deles”, afirma André Faim, empreendedor do setor e cofundador da rede Lobbo Hotels e da plataforma Trabalhe pra Cachorro.

Entre as soluções inovadoras aplicadas no Brasil, destaca-se a Ivete IA, assistente virtual criada pela Trabalhe pra Cachorro. O sistema utiliza inteligência artificial para lembrar vacinas, sugerir atividades e até ajudar em emergências, com base em interações via WhatsApp. A automação também chegou aos serviços de hospedagem: em creches e hotéis como os da Lobbo, tutores acompanham seus cães por câmeras ao vivo e recebem relatórios de comportamento e alimentação direto no celular.

Transformação nos serviços veterinários

A transformação digital também atingiu clínicas veterinárias, que passaram a adotar prontuários eletrônicos integrados, sistemas de triagem por telemedicina e plataformas de marcação de consulta com histórico compartilhado. Além de melhorar a gestão, essas ferramentas ajudam a prevenir doenças e reduzem falhas no atendimento.

De acordo com o IBGE, o número de micro e pequenas empresas formais voltadas ao setor pet cresceu 35% entre 2020 e 2023. Muitas dessas empresas operam exclusivamente em ambiente digital, oferecendo desde consultas remotas até serviços de delivery de alimentação natural.

Comportamento e alimentação sob monitoramento

Coleiras inteligentes e dispositivos vestíveis (wearables) vêm ganhando espaço no Brasil. Equipados com sensores, esses gadgets monitoram batimentos cardíacos, temperatura, níveis de atividade e padrões de sono dos pets. Os dados são transmitidos em tempo real para aplicativos móveis, que alertam os tutores sobre alterações comportamentais e riscos à saúde.

Segundo estudo publicado pela American Veterinary Medical Association (AVMA), tutores que usam ferramentas de monitoramento digital têm 32% mais chances de identificar precocemente doenças em seus animais. Isso reduz os custos com tratamentos e aumenta a expectativa de vida dos pets.

Na alimentação, o uso de inteligência artificial para sugerir dietas personalizadas — considerando raça, idade, peso e condições médicas — já é realidade em startups brasileiras. Os algoritmos também ajudam a recomendar suplementos funcionais e controlar a ingestão de calorias, reforçando o conceito de nutrição preventiva.

Apesar do avanço, a adoção de tecnologias enfrenta desafios estruturais, como a qualificação profissional e a conectividade em áreas periféricas. “Não basta digitalizar. É preciso treinar as equipes e garantir que o uso da tecnologia esteja a serviço da saúde animal, e não apenas da automação operacional”, observa Faim.

Empresas que souberem equilibrar tecnologia, empatia e informação tendem a se destacar. O uso de conteúdo educativo, como vídeos explicativos e orientações por aplicativos, também tem papel relevante na fidelização dos tutores. Um levantamento feito pela Euromonitor em 2024 apontou que 62% dos brasileiros preferem marcas que oferecem suporte digital e conteúdo informativo constante.

Com a personalização como palavra de ordem, o mercado pet entra definitivamente na era dos dados. A revolução já começou,  e ela late, mia e responde por comando de voz.

Sobre André Faim

André Faim é um empreendedor e investidor no setor pet. Com experiência em diversas áreas, também é investidor na Trabalhe pra Cachorro, focando em oferecer soluções especializadas e elevar o padrão de cuidados no setor.

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