Levantamento da Microsoft revela que os impactos da IA são maiores em atividades que demandam conhecimentos especializados
As expectativas sobre os efeitos devastadores da inteligência artificial sobre empregos de baixa qualificação seriam as mais afetadas pela inteligência artificial não está sendo confirmada na prática. No momento atual, as atividades baseadas em rotinas ou que dependem da força ou de habilidades humanas de interação são preservadas das demissões, enquanto atividades que demandam conhecimento especializado lideram as estatísticas de cortes.
Ao contrário do que imaginava uma parte considerável dos analistas das tendências sobre os impactos dos aplicativos de inteligência artificial generativa as tarefas simples e manuais, baseadas em rotinas, não lideram os cortes de empregos no mercado formal. Ao contrário, a automação da IA afeta atualmente, com destaque, as atividades tradicionais, baseadas em conhecimento.
A constatação sobre os rumos futuros dos empregos resume os dados de uma análise de nove meses de interações de usuários da internet com o assistente Bing Copilot, o aplicativo de IA da Microsoft. No estudo”Working with AI: Measuring the Occupational Implications of Generative AI“, a Microsoft Research analisou mais de 200.000 diálogos anônimos. O objetivo era avaliar o potencial real de automação.
De acordo com o estudo, as atividades de comunicação e processamento de informações se sobrepõem de forma particularmente forte às funções da IA generativa.De acordo com a Microsoft, isso afeta especialmente grupos profissionais, como jornalistas, redatores técnicos, matemáticos e tradutores. Nessas áreas, foi encontrada uma alta correlação entre as tarefas típicas do trabalho e as funcionalidades de IA.
Trabalhos com tarefas de alta informação e comunicação intensiva são mais suscetíveis à automação orientada por IA
Atividades mais e menos afetadas
As atividades interpessoais ou de orientação física – cuidados, profissões especializadas e transporte – são consideradas de risco significativamente menor. Essas ocupações exigem interação humana, presença física ou ações específicas da situação que não podem ser reproduzidas por modelos generativos.
Uma explicação provável envolve a preservação do valor do trabalho humano. A substituição de profissionais de enfermagem, fisioterapia e outras funções de saúde física e mental será adiada ao máximo. O mercado vai resistir a mudanças. Outra explicação refere-se ao custo da mão de obra, ainda relativamente baixo para algumas funções, quando comparado com o valor do investimento necessário para a aquisição de sistemas e equipamentos.
As profissões menos vulneráveis incluem enfermeiros, massagistas e pedreiros. Esses empregos exigem principalmente presença física, habilidades manuais especializadas e contato humano direto.
Por outro lado, trabalhadores como tradutores e intérpretes, jornalistas e matemáticos são particularmente afetados pela automação por meio da IA generativa, segundo o levantamento da Microsoft. Suas tarefas envolvem principalmente o processamento intensivo de informações e atividades comunicativas, que estão sendo cada vez mais apoiadas ou substituídas por sistemas de IA.
O estudo destaca que a atual onda de automação difere estruturalmente dos levantes tecnológicos anteriores. Ao contrário dos desenvolvimentos anteriores, que substituíram principalmente tarefas simples de rotina, as profissões mais qualificadas baseadas em conhecimento estão agora no centro da transformação.

