Realizada há 36 anos, a Inforuso tem como central em 2019 o tema do “humano digital” e as relações humanas na sociedade 5.0

O impacto da inteligência artificial na vida de cidadãos, empresários e trabalhadores é um dos temas centrais da 36ª Inforuso, que será realizada nos dias 1 e 2 de outubro, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.  O principal evento da área de tecnologia em Minas Gerais, promovido pelo Sociedade dos Usuários de Tecnologia (Sucesu Minas), terá, como tema central, discussões sobre “o humano digital”, conceito que envolve atualmente, particularmente, profissionais da área de tecnologia da informação e futuristas, interessados em entender os reais efeitos dos avanços das inovações sobre os sistemas de produção e da sociedade e os impactos sobre a humanidade.

Duas palestras receberão atenção especial de especialistas em inteligência artificial: “O humano digital e a IA” e “Medicina 4.0 e o futuro da saúde do humano digital”. As apresentações visam antecipar a compreensão sobre, por exemplo, como a inteligência artificial mudará a maneira como vivemos, trabalhamos e aprendemos. E sobre habilidades necessárias para a sobrevivência de empresários e trabalhadores no futuro.

Humanos digitais e IA

A expressão “humanos digitais” envolve a compreensão de que as tecnologias já desempenham papel de protagonistas centrais nas atividades das pessoas, em todos os campos de atuação. Sintoma do processo, as grandes corporações de TI, grupos do sistema financeiro e empresas dos setores de comércio e serviços têm dados suficientes para dizer que conhecem hábitos e comportamentos das pessoas. Na prática, pessoas já são bits e bytes.

A inteligência artificial terá papel estratégico na consolidação de estratégias de gestão do conhecimento das pessoas transformadas em dados. Para os otimistas, como o futurista e inventor Raymond Kurzwuei, da Universidade Singularity, os avanços prometidos pela IA tendem a expandir as competências humanas. Novos campos de atuação, eliminação de funções insalubres ou marcadas por rotinas e, em especialmente, oportunidades de priorização da qualidade de vida formam o quadro da formação de um novo mundo, que os japoneses começam a chamar de “sociedade 5.0”.

Mas há aqueles pessimistas sobre impactos da inteligência artificial no ambiente de convivência de e com o humano digital. Para o historiador e humanista Noah Harari, um dos inspiradores dos debates sobre o humanismo no cenário de digitalização, há um risco de criação de um ser humano irrelevante. Ele não está sozinho entre os preocupados com as ameaças às pessoas, no ambiente influenciado pela inteligência artificial. O físico e pensador Stephen Hawking acreditava que a tecnologia seria capaz de acabar com a humanidade.

Medicina 4.0: futuro da saúde

Pacientes, médicos, equipes de enfermagem, hospitais e intermediários de serviços integram o grupo de profissionais e cidadãos que estão sendo afetados pelos impactos da inteligência artificial. Contraditório ou não, o perfil do médico que emerge terá o poder da IA na identificação de doenças e na prescrição de tratamentos, mas terá de resgatar as habilidades sociais e interpessoais. No cenário da medicina 4.0, o profissional de saúde deverá ser mais humano, em síntese.

Os dilemas sobre o futuro da sociedade estão colocados e devem ser debatidos. Para Noah Harari, para lidar com as rupturas tecnológicas e econômicas inéditas do século xxi, precisamos desenvolver novos modelos sociais e econômicos o quanto antes. “Esses modelos deveriam ser orientados pelo princípio de que é preciso proteger os humanos e não os empregos”, diz o historiador.

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