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Estados Unidos e Europa neutralizam ações pelo pacifismo sem armas

A paz é a verdadeira inimiga dos interesses dos Estados Unidos e da Europa. Os interesses militares conseguiram neutralizar movimentos e estudos pacifistas

A paz é a verdadeira inimiga dos interesses dos Estados Unidos e da Europa. Em entrevista para o site Neutrality Studies, o sociólogo Jan Oberg, pesquisador e ativista do pacifismo, denuncia que todos os estudos acadêmicos sobre a busca por alternativas negociadas para as guerras foram neutralizados pela ação dos governos, sob a influência dos interesses militares. Em resumo, se você tem desavença com o vizinho, invada a casa dele e mate-o com uma arma. Se o seu país tem algum problema de fronteira, acione os militares e faça a guerra.

Não há recursos para pesquisas contrárias aos interesses econômicos e políticos que lucram com as guerras. Instituições criadas com o objetivo de propor meios e negociações pacíficas para solucionar problemas entre países e dentro deles são continuamente neutralizadas ou, mesmo, dizimadas.

As críticas ao investimentos em militarismo têm espaço restrito, enquanto há uma crescente dominação no discurso político, midiático e acadêmico que reforça o papel das indústrias de armas. Especializado em conflitos internacionais e paz, Jan Oberg argumenta que a crença de que a paz só é possível através da agressão é falha. A abordagem do enfrentamento da violência com mais violência evidencia os sintomas da doença, sem abordar as causas subjacentes dos conflitos.

O uso de armas, portanto, tende a ser a única solução para todos os tipos de conflitos.

O cenário marcado por tensões crescentes no planeta, incluindo o genocídio em curso, patrocinado por Israel com apoio dos Estados Unidos, revela a ausência ou, no mínimo, fraqueza de movimentos ativos pela paz e a incapacidade do Ocidente de imaginar futuros pacíficos, sugerindo que essa cegueira é um sintoma do declínio ocidental.

Jan Oberg propõe uma mudança de paradigma para uma abordagem mais construtiva e prospectiva, enfatizando a necessidade de buscar alternativas não violentas, promover a democracia global e investir em educação para a paz para combater a cultura militarizada prevalente.

A máquina imperial depende de guerras

O dia 5 de setembro de 2025 deve ser registrado como iniciativa mais honesta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump em seu segundo mandato. Na data, ele assinou uma ordem executiva para mudar o nome do Departamento de Defesa, também conhecido como Pentágono, para “Departamento de Guerra”. Não precisa ser um estudioso de linguística para compreender o significado da mudança. O próprio Trump afirmou que a decisão envia uma mensagem de vitória e força aos inimigos dos Estados Unidos. Outros governos deveriam ter dado mais atenção aos sinais emitidos.

A invasão da Venezuela é o resultado previsível do modelo de ação dos EUA. O império assumem a real vocação como país dominado pela indústria das guerras, voltado para a disseminação de ações violentas e destrutivas, com o objetivo de atacar a democracia e defender os interesses de grupos econômicos. “Vamos passar para a ofensiva, não ficar apenas na defesa. Letalidade máxima, não legalidade tímida”, disse Pete Hegseth, secretário de Guerra, ex-“Defesa”.

Ao comemorar a mudança, Hegseth afirmou que a alteração serve para “restaurar o espírito guerreiro das Forças Armadas”. Como se tal espírito tivesse deixado de existir em algum momento da história do país, dono de mais de 800 bases militares e responsável por disseminar conflitos e matar milhões de pessoas com regularidade anual.

Antes, em junho, Donald Trump usou de sua influência para forçar uma negociação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para aumentar radicalmente os gastos militares dos países europeus. Sempre sob o eufemismo da “defesa”. Sempre a favor da guerra.

Por conta do aumento da influência de militares e de setores empresariais vinculados à “indústria da guerra”, no cenário geopolítico, e com a conivência da imprensa, são muitos os exemplos da ação militarizada sem limites. O ataque à Venezuela, com o sequestro do presidente Maduro, e o genocídio promovido por Israel contra os palestinos ocorrem no contexto de ataques a todas as iniciativas destinadas a buscar soluções negociadas para conflitos.

Militarismo descontrolado

Entre 2015 e 2024, o número de efetivos destacados para ações multilaterais de paz caiu mais de 40%, de acordo com uma nova análise de desenvolvimentos e tendências divulgada em maio pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri, da sigla em inglês). Um total de 61 operações de paz multilaterais estiveram ativas em todo o mundo durante 2024.

Tensões geopolíticas e escassez de financiamento estão exercendo pressão crescente sobre as operações de paz multilaterais. “Nos últimos anos, tornou-se muito mais difícil chegar a um acordo, implementar e sustentar operações de paz multilaterais, tanto para as Nações Unidas quanto para organizações regionais como a União Africana”, salientou Claudia Pfeifer Cruz, Pesquisadora Sênior do Programa de Operações de Paz e Gestão de Conflitos do Sipri. “Isso tem consequências reais para os civis em campo.”

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