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Chupetas não são uma nova tendência. A idiotização humana, sim

Uma sociedade que adota chupetas para enfrentar a ansiedade tem sérios problemas. A idiotização é a tendência

O repertório de esquisitices da humanidade ganha mais um item com a adoção de chupetas por adultos com o objetivo de aliviar sintomas de estresse e ansiedade. Importada da China e Estados Unidos, a novidade adotada por brasileiros confirma mais uma vez, é claro, os efeitos negativos da ausência de reflexão sobre os rumos da humanidade.

Fica provado, também mais uma vez, com um novo modismo, que alienados e negacionistas do conhecimento tendem a buscar objetos externos para enfrentar dificuldades. Ou recorrem a personalidades salvadoras. A mídia, aliada da idiotização, define o comportamento disseminado pelo TikTok como uma tendência. Só que não. Tendência é outra coisa.

Geradas na indústria da criatividade e do marketing, chupetas são mais um produto à venda, um modismo a mais. Uma descoberta a mais, como anteriormente foram destacados os “bebês reborn”, bonecos parecidos com crianças de verdade. Sites chineses estão vendendo as borrachinhas de chupar.

Personalidades em desequilíbrio

Perfis de redes sociais mostram opções personalizadas feitas especificamente para adultos. As máquinas estão funcionando para criar toda a infraestrutura de produção de idiotisses. Reprodução da internet

Reportagens publicadas pela imprensa até demonstram que, apesar da aparência inofensiva, para psicólogos e dentistas o uso de chupetas por adultos não criam benefícios reais para o controle das tensões e ainda pode gerar prejuízos físicos e psicológicos. Por exemplo, a repetição do hábito pode comprometer a saúde bucal de forma significativa. Inclusive problemas respiratórios.

Em entrevista para o site G1, o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo, lamenta observar hoje crianças com adultização e adultos com infantilização, cada vez mais regredidos. O especialista destaca que o uso de chupetas por adultos evidencia um forte desequilíbrio na formação da personalidade do ser humano.

“Vivemos um período histórico notável pela valorização social da ignorância, o tempo do empobrecimento subjetivo”, avalia Rubens Casara, juiz de direito, com formação em ciências penais e políticas. No livro “A Construção do Idiota“, ele defende a tese de que a sociedade vive hoje os efeitos da demonização do pensamento reflexivo e da simplificação do ato de pensar.

A crítica é direcionada aos portadores de uma lógica binária que não admite nuances. No contexto onde as pessoas se relacionam, avalia o especialista, os efeitos desse processo são notáveis: sentimento anti-intelectual, desprezo à educação, desorientação generalizada, simplificação da linguagem, perda de capacidade de imaginação, narcisismo, delírio; em resumo, assistimos à derrota do pensamento.

O consumo de chupetas como recurso contra a ansiedade se insere na interpretação de Casara de que a simplificação excessiva das coisas induz à idiotice como tendência. O humano, individualizado, se reduz a uma liberdade que se realiza unicamente no ato de consumir mercadorias. “O sujeito neoliberal é livre para obedecer e, por consequência, para rejeitar tudo o que é comum. Se tudo é impossível de mudar, é mais crível imaginar o fim do planeta do que o fim do capitalismo”, assinala.

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