Em mensagem no Dia Internacional sobre o tema, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destaca riscos associados a plataformas digitais, que estão se tornando “megafones de ódio”; ele pediu que países adotem e apliquem leis mais fortes contra discriminação.
ONU News
No Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Atos de Violência Baseados em Religião ou Crença, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou que em todo o mundo, pessoas continuam sendo assediadas, atacadas e até mortas simplesmente pelo que acreditam.
“Todos correm risco”
Ele afirmou que locais de culto são profanados, comunidades são aterrorizadas e plataformas online são “inundadas com ódio”.
Para o líder da ONU, “esses atos não são apenas abomináveis, eles são uma ameaça à nossa humanidade compartilhada”.
Vítimas

Em mensagem sobre a data, António Guterres diz que nos últimos meses “judeus foram assassinados em sinagogas, suas lápides desfiguradas com suásticas, muçulmanos abatidos em mesquitas, seus locais religiosos vandalizados, cristãos mortos em oração, suas igrejas incendiadas.”
O chefe da ONU afirma que “muitos assaltos, como os da Nova Zelândia, Sri Lanka e Estados Unidos, têm como alvo locais de culto específicos.” Além disso, “em muitos conflitos em todo o mundo, da Síria à República Centro-Africana, comunidades inteiras foram atacadas com base em sua fé.”
Guterres lembra que “todas as principais religiões do mundo defendem a tolerância e a coexistência pacífica em um espírito de humanidade compartilhada.” Segundo ele, as pessoas devem “resistir e rejeitar aqueles que, de maneira falsa e maliciosa, invocam a religião para construir equívocos, alimentar a divisão e espalhar o medo e o ódio.”
O secretário-geral afirma que “há riqueza e força na diversidade” e que esta “nunca é uma ameaça.”
Ação e planos
Guterres diz que as Nações Unidas estão “fazendo tudo ao seu alcance para impedir tais ataques e exigindo que os autores sejam responsabilizados.”
Recentemente, o secretário-geral lançou a Estratégia e Plano de Ação das Nações Unidas contra Discurso de Ódio e um Plano de Ação para salvaguardar locais religiosos.
Para ele, “a melhor maneira de superar a ameaça de violência baseada em religião e crença é unir vozes para o bem, combatendo as mensagens de ódio com mensagens de paz, abraçando a diversidade e protegendo os direitos humanos.”
Guterres afirma ainda que “o mundo deve intensificar o combate ao antissemitismo, ao ódio antimuçulmano, à perseguição de cristãos e outros grupos religiosos e a todas as formas de racismo, xenofobia, discriminação e incitação à violência.”
Plataformas digitais não podem virar “megafones de ódio”
O chefe das Nações Unidas pediu ainda que líderes políticos, religiosos e comunitários rejeitem táticas divisionistas e defendam o diálogo dentro e entre comunidades.
Outra medida necessária, segundo Guterres, é a atuação das plataformas digitais para intensificar e incorporar salvaguardas que evitem que elas se tornem “megafones de ódio”.
Neste Dia Internacional, o secretário-geral pediu que além de lembrar das vítimas seja renovado o compromisso de agir para construir um mundo onde todos possam viver em segurança e dignidade.
Direitos consagrados
A liberdade de religião ou crença, de opinião e expressão, o direito à reunião pacífica e o direito à liberdade de associação são interdependentes, inter-relacionados e se reforçam mutuamente.
Eles estão consagrados nos artigos 18, 19 e 20 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A defesa desses direitos desempenha um papel importante na luta contra todas as formas de intolerância e discriminação baseadas em religião ou crença.
A Assembleia Geral adotou em 2019 a resolução A/RES/73/296 , intitulada “Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência Baseados na Religião ou Crença”, condenando veementemente a violência contínua e os atos de terrorismo direcionados a indivíduos, incluindo pessoas pertencentes a minorias religiosas.


