Heraldo Leite/ Jornalista – Radar do Futuro

Os veganos da Inteligência Artificial
Chegamos à era do “veganismo da IA”: um grupo que, por convicção ética, ambiental ou de bem-estar mental, evita qualquer contato com inteligência artificial. Para eles, usar IA é compactuar com extração indevida de dados, alto consumo de energia e ameaça à criatividade humana. É a dieta “zero robô”, onde cada clique recusado é como um hambúrguer de grão-de-bico moralmente aprovado.
Vista de fora, essa abstinência soa como heroísmo com pitadas de contradição: recusar Inteligência Artificial para “salvar o planeta” enquanto segue imerso em tecnologia é como pregar contra carne usando jaqueta de couro.
51% da Internet já é feita por bots — e muitos são perigosos
A nova edição do relatório anual da Imperva revela o crescimento avassalador dos bots impulsionados por IA — um alerta para a segurança digital global:
- Tráfego automatizado supera o humano: Em 2024, 51 % de todo o tráfego web já era gerado por bots — a primeira vez em mais de uma década que chega ao nível majoritário. Fonte: Imperva
- Bots maliciosos dominam: 37 % do tráfego total na internet veio de bots maliciosos — contra 32 % no ano anterior.
- Aumento dos bots simples: Bots menos sofisticados, mas agora impulsionados por IA, subiram de 40 % para 45 % do total de bots em um ano.
- APIs sob ataque: 44 % dos ataques de bots avançados em 2024 tiveram como alvo APIs, principal ponto vulnerável das infraestruturas digitais.
- Tomada de contas (ATO): Os ataques para roubo de credenciais cresceram 40 % em 2024, graças à IA generativa que refina ataques automatizados.
- Setor de viagens mais visado: A indústria de turismo foi o principal alvo em 2024, com 27 % de todos os ataques por bots maliciosos. Nos sites de viagens, 48 % do tráfego era de bots ruins.
Entenda os Termos
| Termo | O que é | Por que importa |
|---|---|---|
| Bots | Programas automatizados que executam tarefas repetitivas na internet. Podem ser úteis (como os do Google) ou maliciosos (como os que tentam invadir contas). | Bots maliciosos realizam fraudes, roubam dados e atacam sites. A inteligência artificial está tornando esses bots mais potentes e difíceis de detectar. |
| APIs | Interfaces que permitem que diferentes sistemas e aplicativos se comuniquem. Funcionam como “pontes” entre serviços digitais. | APIs são essenciais para aplicativos modernos, mas também estão na mira de ataques automatizados por bots maliciosos. |
Por que isso importa?
A IA está amplificando não apenas o volume, mas também a sofisticação e acessibilidade dos ataques automatizados. Organizações devem investir urgentemente em estratégias de defesa mais robustas: proteção de APIs, detecção de comportamento automatizado e mitigação de bots são medidas essenciais para conter fraudes, prejuízos operacionais e danos à reputação.
Medos, Desejos e Realidades
| Tópico | Destaques do Estudo |
|---|---|
| Visão Geral | Para cada 3 pessoas: 1 otimista com a IA e 2 temem um “filme de terror”. |
| 5 Maiores Medos | 🔸 60% – Fim das relações humanas reais 🔸 50% – Deepfakes com crianças 🔸 46% – Golpes/robocalls 🔸 45% – Ciberataques 🔸 43% – Deepfakes políticos |
| Quem mais teme? | 👩 Mulheres: 2,2x mais pessimistas 👨👩👧👦 Pais: 69% com medo de romances digitais 🎓 Estudantes: 3 em 5 temem perder vagas 💸 Baixa renda: mais vulnerável |
| O que as pessoas querem? | ✅ Supervisão humana obrigatória ✅ Responsabilização civil das big techs ❌ Apenas 1/3 confia nas regras atuais |
| Tradução para o Brasil | Medo: deepfake no Zap + golpe do Pix Confiança: origem conferida + punição para os culpados |
💬 Radar comenta: Entre o fascínio e o medo, o futuro da IA depende de quem souber unir transparência, ética e proteção social. O mercado quer lucro. A sociedade quer segurança.

