Nas Notas de Conjuntura, destaque para a interpretação dos efeitos iniciais do governo Trump e os avanços da direita extrema
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Extrema direita armada: Trump cria escritório da fé
O novo governo de Donald Trump adota a religião como mais uma arma para a ação política. Novos inimigos podem ser criados com a ajuda de Deus. No país que cultua a posse e uso de fuzis, pistolas e outros armamentos e admite a violência como parte de sua forma de viver, o presidente anunciou a criação do “escritório da fé”, uma força-tarefa liderada pela televangelista Paula White. A “líder espiritual” tem a atribuição de combater o pensamento anticristão.
Na prática, é mais um método de manipulação política destinada a unir a extrema direita global. “Mais do que um problema de polarização, enfrentamos um uso fundamentalista, providencial e perigoso da religião como arma política”, afirma Ana Carolina Evangelista, cientista político, diretora executiva e pesquisadora do instituto de estudos da religião (Iser), do Rio de janeiro, em artigo publicado no site IHUUnisinos. Ela avalia o caso brasileiro, mas o que acontece aqui vai ser visto nos Estados Unidos. A religião é instrumento, uma arma, por assim dizer.
Crenças cristãs são adotadas por uma extrema direita que se apega à Bíblia, ao ultraconservadorismo e a uma forma específica de cristianismo para demonizar outro, o diferente. O “escritório da fé” aproxima o governo das ideias inseridas no “Projeto 2025”, uma estratégia proposta pela Heritage Foundation, um centro do pensamento — think tank — conservador e grupo de advocacia, organizou o esforço colaborativo em um documento de 922 páginas, uma série de propostas de mudanças na política governamental.
E daí: o criador de inimigos
Os planos tendem a contribuir para a transformação do país em um território terrivelmente cristão, de acordo com o Projeto 2025. Criar inimigos a combater dentro dos Estados Unidos e justificar o apoio afirmativo a Israel, no genocídio contra o povo palestino em Gaza, parecem ser explicações plausíveis para a criação do departamento da fé.
O governo de Trump se isenta de responsabilidades de apoio a povos dentro e fora de suas fronteiras. Como se não fosse responsável por ações que disseminam a pobreza no mundo. O fechamento da USAID, entidade que dá assistência humanitária enquanto promove golpes contra nações, mais do que simplesmente um corte de gastos, é uma mudança de política dos EUA que impacta segmentos da população com o mesmo perfil dos estrangeiros expulsos do País. A “caridade” é abandonada pelo governo dos bilionários.
Tendências: “lembranças de “O Conto da Aia” manda lembranças
No dia 20 de janeiro, data da posse de Donald Trump, as buscas pela série de televisão “The Handmaid’s Tale” cresceu nos Estados Unidos. E se mantém em alta. A versão brasileira da história, “O Conto da Aia”, o interesse também registrou forte elevação no mesmo dia.
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Há muito sentido. Na história ambientada em um futuro não muito distante, os Estados Unidos se transformam numa ditadura religiosa cristã. Em meio a guerras e uma crise de infertilidade, um grupo fundamentalista toma o poder e divide as mulheres em castas.
Na vida real construída pelo governo Trump, a criminalização e a criação de inimigos, desenham um cenário possível de perseguição dos não-cristãos de todos os tipos, de ateus aos muçulmanos e islamitas. Eles podem ter destinos semelhantes aos dos deportados, inclusive os que estão sendo encaminhados para a prisão de Guantâmo, o centro de torturas instalado na ilha de Cuba.
Liberais, mas nem tanto
Bastou a entrada em cena do chat de Inteligència Artificial (IA) DeepSeek, de origem chinesa, para o orgulhoso “Tio Sam” desmentir a imagem de “terra das liberdades, das oportunidades e da livre concorrência” ser desmentido”.
O senador republicano Josh Hawley, do Estado de Missouri, propôs uma nova lei que prevê penalizar fortemente aqueles que usarem qualquer tecnologia de IA fabricada na China. Indivíduos que violarem a lei podem enfrentar até 20 anos de prisão e multas de até US$ 1 milhão. Empresas podem ser multadas em até US$ 100 milhões. Os infratores também se tornarão inelegíveis para contratos federais, licenças e assistência financeira por cinco anos.
Enfrentamento dos bonés leva enfrentamento ao espaço físico
Repetindo o triste bordão do “Meninos usam Azul e Meninas usam Rosa” a polarização ideológica tomou outra dimensão. A guerra agora é o uso dos bonés, no ambiente analógico.
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Depois que deputados de extrema-direit apareceram, orgulhosos, com o boné “Make America Great Again” – com mais destaque o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente – ministros do governo Lula usaram bonés azuis com a frase “O Brasil é dos brasileiros“, idealizados pelo ministro Sidônio Palmeira. Foram confeccionados cerca de 100 bonés em diversas cores para parlamentares que apoiam o governo.
Em resposta, a oposição, liderada por Sóstenes Cavalcante, criou bonés verde e amarelo com a mensagem “Comida barata novamente. Bolsonaro 2026”, acompanhados de paródias sobre o alto preço dos alimentos. Convenientemente, os parlamentares esqueceram das filas de pessoas em açougues para comprar ossos.
Polêmicas à parte, teve gente que saiu lucrando. Uma empresa familiar do Rio de Janeiro, Jr. Bordados, aproveitou a viralização dos bonés governistas e vendeu cerca de 700 unidades em dois dias, faturando R$ 35 mil. Business is Business
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NOTAS DE CONJUNTURA: Fontes de Informações
Publicação do Radar do Futuro, circula nos domingos.
Produzido pelos jornalistas Carlos Plácido Teixeira e Heraldo Leite
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