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Futuro do trabalho: nos EUA, impactos da IA causam preocupação

Cerca de 77% dos entrevistados na pesquisa Reuters/Ipsos disseram estar preocupados que a tecnologia possa ser usada para incitar o caos político

Jason Lange e Alexandra Alper
Reuters

Os norte-americanos estão profundamente preocupados com a possibilidade de que os avanços na inteligência artificial possam deixar partes do país sem trabalho permanentemente, de acordo com uma nova pesquisa Reuters/Ipsos.

A pesquisa de seis dias, concluída na segunda-feira, mostrou que 71% dos entrevistados disseram estar preocupados que a IA “deixará muitas pessoas sem trabalho permanentemente”.

A nova tecnologia surgiu no debate nacional no final de 2022, quando o chatbot ChatGPT da OpenAI foi lançado e se tornou o aplicativo de crescimento mais rápido de todos os tempos, com pesos pesados da tecnologia como a Meta Platforms, dona do Facebook, a Alphabet, dona do Google, e a Microsoft oferecendo seus próprios produtos de IA.

Embora atualmente haja poucos sinais de desemprego em massa — a taxa de desemprego nos EUA era de apenas 4,2% em julho — a inteligência artificial está gerando preocupações à medida que remodela empregos, indústrias e a vida cotidiana.

Cerca de 77% dos entrevistados na pesquisa Reuters/Ipsos disseram estar preocupados que a tecnologia possa ser usada para incitar o caos político, um sinal de desconforto com o uso agora comum da tecnologia de IA para criar vídeos realistas de eventos imaginários.

No mês passado, o presidente Donald Trump postou nas redes sociais um vídeo gerado por IA do ex-presidente democrata Barack Obama sendo preso, um evento que nunca aconteceu.

Os americanos também estão receosos quanto às aplicações militares da IA, mostrou a pesquisa Reuters/Ipsos. Cerca de 48% dos entrevistados disseram que o governo jamais deveria usar IA para determinar o alvo de um ataque militar, em comparação com 24% que disseram que o governo deveria permitir esse tipo de uso da tecnologia. Outros 28% disseram não ter certeza.

O entusiasmo geral pela IA demonstrado por muitas pessoas e empresas impulsionou novos investimentos, como a fábrica de equipamentos para data centers planejada pela Foxconn e pela SoftBank em Ohio. Também alterou as políticas de segurança nacional, com os Estados Unidos e a China competindo pelo domínio da IA.

Mais da metade dos americanos — cerca de 61% — disseram estar preocupados com a quantidade de eletricidade necessária para alimentar a tecnologia de rápido crescimento.

No início deste mês, o Google informou que assinou acordos com duas concessionárias de energia elétrica dos EUA para reduzir o consumo de energia de seus data centers de IA durante períodos de alta demanda na rede, já que o uso intensivo de IA supera o fornecimento de energia.

A nova tecnologia também foi criticada por aplicações que permitiram que robôs de IA mantivessem conversas românticas com crianças, gerassem informações médicas falsas e ajudassem as pessoas a fazer argumentos racistas.

Dois terços dos entrevistados na pesquisa Reuters/Ipsos disseram que temiam que as pessoas abandonassem relacionamentos com outras pessoas em favor de companheiros de IA.

As pessoas estavam divididas sobre se a tecnologia de IA melhoraria a educação. Cerca de 36% dos entrevistados acreditavam que ajudaria, enquanto 40% discordavam e o restante não tinha certeza.

A pesquisa Reuters/Ipsos coletou respostas on-line de 4.446 adultos norte-americanos em todo o país e teve uma margem de erro de cerca de 2 pontos percentuais.

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