As coisas só pioraram após o assassinato do influenciador Charlie Kirk, a ponto de terem ocorrido demissões de jornalistas e de funcionários de empresas cujo “crime” é o de não exaltar a figura do influenciador
Carlos Eduardo Lins da Silva
Jornal da USP

A morte do influenciador Charles Kirk, de extrema-direita, vem funcionando como um catalisador para tornar ainda pior o clima de repressão à liberdade de expressão nos EUA, a ponto de uma colunista do jornal Washington Post – “a última colunista negra do jornal” – ter sido demitida, sumariamente, por postar em uma de suas redes sociais críticas ao conteúdo que Kirk expressava nas suas postagens.
O mesmo aconteceu com outros jornalistas que “ousaram” não exaltar a figura do influenciador norte-americano. “Dezenas ou centenas de demissões têm sido noticiadas contra empregados de empresas que, nas suas redes sociais, se manifestam de forma que alguém considere não elogiosa ao Charlie Kirk”, observa o colunista sobre o atual clima de caça às bruxas que vigora atualmente na terra do Tio Sam.
O próprio vice-presidente daquele país, James David Vance, foi às redes de Kirk para pedir para que as pessoas delatem funcionários de empresas que coloquem postagens consideradas desfavoráveis ao influenciador assassinado e para que as empresas as demitam. Nos EUA, observa ainda o colunista, a demissão de funcionários é um tanto quanto arbitrária, não existem muitas leis que protejam os empregados de demissão apenas por expressarem uma opinião pessoal.
No Brasil, o mesmo não ocorre, por ser proibido, embora Lins da Silva destaque que a mesma situação está chegando por aqui. “O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pediu para a Organização Social Sustenidos, que é quem administra o Teatro Municipal de São Paulo, que ela demitisse um funcionário que, numa postagem do Instagram, disse que o Charlie Kirk tinha ideias nazistas” – pedido esse, aliás, que não foi atendido pela organização.
Para o colunista, os EUA vivem uma situação dramática, que acaba refletindo também no Brasil. E tudo tende a piorar, de acordo com Lins da Silva. “Liberdade de imprensa e liberdade de expressão nos Estados Unidos nunca estiveram tão ameaçadas pelo menos desde os tempo do macarthismo nos anos 1950”, finaliza.
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