As empresas jornalísticas emitiram nota conjunta anunciando a desobediência
Radar do Futuro
A censura prévia a informações determinada pelo Departamento da Guerra dos Estados Unidos a jornalistas com acesso ao Pentágono foi rejeitada por redes de TV do país governado pelo presidente Donald Trump. As empresas jornalísticas emitiram nota conjunta anunciando a desobediência. Elas acompanham a iniciativa de outros segmentos da mídia, que também se recusam a compactuar com as regras da gestão Trump.
No fim de setembro, o departamento passou a exigir que os jornalistas credenciados contem com sua aprovação para publicar qualquer informação que lhe diga respeito, secreta ou não, sob o risco de perderem o acesso ao Pentágono.
Quem rejeita a censura
Entre as empresas, como publicações e agências de notícias, estão: The New York Times, Reuters, Associated Press, Bloomberg News, The Wall Street Journal, The Washington Post, NPR, Axios, Politico, The Guardian, The Atlantic, The Hill, Newsmax, Breaking Defense e Task & Purpose.
O porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, declarou em um comunicado na segunda-feira, prazo dado para a adesão, que “a determinação não exige que eles (imprensa) concordem, apenas que reconheçam que entendem qual é a nossa política. Isso fez com que repórteres entrassem em colapso total, se lamentando online. Mantemos nossa política porque é o melhor para nossas tropas e para a segurança nacional deste país.”
Violência crescente
A tentativa de censura amplia o quadro de fortalecimento do estado de exceção iniciado com o segundo governo Trump. A violência nas ruas é crescente, com perseguição a imigrante e violência da extrema direita. Em julho, um relatório divulgado pela Human Rights Watch (HRW) revelou condições “desumanas” enfrentadas por imigrantes presos em centros de detenção no sul da Flórida.
Alguns imigrantes que aguardam deportação no Centro Federal de Detenção de Miami foram forçados a comer com as mãos algemadas atrás das costas, situação que descreveram como humilhante e degradante.
O relatório documenta que no Centro de Processamento de Serviços Norte de Krome, no Centro de Transição de Broward (BTC) e no Centro Federal de Detenção de Miami, os detidos enfrentam superlotação, insalubridade e falta de acesso a atendimento médico adequado.
Levantamento realizado pela agência Reuters mostrou que os EUA estão vivendo a crescente mais prolongada de violência política desde a década de 1970, e que essa tendência teve início durante a primeira corrida presidencial de Trump em 2016.
Entre o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, e a eleição presidencial de 2024, foram contabilizados 300 casos de violência política.

