Tecnologia permite precisão em próteses e restaurações e ainda apresenta uma boa relação custo-benefício
Sandra Capomaccio
Jornal da USP
A tecnologia das impressoras 3D está transformando a odontologia. Hoje é possível produzir próteses dentárias, coroas, guias cirúrgicos e até modelos anatômicos personalizados em poucas horas, com alto nível de precisão e menor custo. Essa inovação vem permitindo que tratamentos sejam feitos de forma mais rápida e confortável para os pacientes.
Mas, apesar dos benefícios, o uso da impressão 3D na odontologia também exige atenção. Especialistas alertam para os riscos relacionados à qualidade dos materiais utilizados, que precisam ser biocompatíveis e seguros para o uso na boca humana.

A química e professora Elaine Matsubara, do Departamento de Biomateriais e Biologia Oral da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, trabalha com o desenvolvimento de biomateriais para impressão 3D.
Ela explica como a impressora 3D chegou na odontologia. “A impressão 3D está na odontologia desde o final da década de 80, contudo, ela começou a ser explorada somente no início dos anos 2000, com o desenvolvimento dos scaners intraorais e a expiração das patentes das principais técnicas de impressão, que barateou muito o custo dos equipamentos, mas a técnica se popularizou e chegou aos consultórios há uns dez anos, com o surgimento de impressoras mais precisas e de linhas de resina que são feitas especificamente para a odontologia.
Uma preocupação é a necessidade de capacitação dos profissionais. Sem o treinamento adequado, há o risco de falhas técnicas ou de imprecisão nas peças produzidas, o que pode gerar prejuízos ao paciente. O mau uso de resinas ou plásticos inadequados pode causar reações alérgicas, inflamações e até comprometer o sucesso do tratamento.
Relação custo-benefício
A especialista da USP confirma que vale muito a pena ter esse tipo de equipamento nos consultórios, não só pela agilidade, mas pelo custo-benefício. Os benefícios são tão grandes que as impressoras 3D já estão disponíveis no SUS ( Sistema Único de Saúde), não só pela eficácia do trabalho, como por seu custo e agilidade. É um passo importante rumo a uma odontologia pública mais moderna e eficiente.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão responsável por controlar e regulamentar o uso das impressoras 3D e dos materiais utilizados na odontologia, especialmente quando esses produtos entram em contato com o corpo humano. Isso evita riscos químicos, tóxicos ou infecciosos para os pacientes.
O Conselho Federal de Odontologia (CFO) também estabelece normas para o uso da tecnologia 3D nos consultórios e laboratórios, garantindo que apenas profissionais habilitados e capacitados operem esses equipamentos. Por isso, a recomendação é clara: o avanço é bem-vindo, mas deve vir acompanhado de regulamentação, fiscalização e formação profissional contínua. A impressão 3D poderá seguir sendo uma grande aliada da odontologia moderna, garantindo sorrisos mais saudáveis — e seguros.

