quinta-feira, março 5, 2026
24.4 C
Belo Horizonte

Futuro da odontologia: impressoras 3D revolucionam o setor

Tecnologia permite precisão em próteses e restaurações e ainda apresenta uma boa relação custo-benefício

Sandra Capomaccio
Jornal da USP

A tecnologia das impressoras 3D está transformando a odontologia. Hoje é possível produzir próteses dentárias, coroas, guias cirúrgicos e até modelos anatômicos personalizados em poucas horas, com alto nível de precisão e menor custo. Essa inovação vem permitindo que tratamentos sejam feitos de forma mais rápida e confortável para os pacientes. 

Mas, apesar dos benefícios, o uso da impressão 3D na odontologia também exige atenção. Especialistas alertam para os riscos relacionados à qualidade dos materiais utilizados, que precisam ser biocompatíveis e seguros para o uso na boca humana. 

Elaine Yoshiko Matsubara – Foto: Lattes

A química e professora Elaine Matsubara, do Departamento de Biomateriais e Biologia Oral da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, trabalha com o desenvolvimento de biomateriais  para impressão 3D.

Ela explica como a impressora 3D chegou na odontologia. “A impressão 3D está na odontologia desde o final da década de 80, contudo, ela começou a ser explorada somente no início dos anos 2000, com o desenvolvimento dos scaners intraorais e a expiração das patentes das principais técnicas de impressão, que barateou muito o custo dos equipamentos, mas a técnica se popularizou e chegou aos consultórios há uns dez anos, com  o surgimento de impressoras mais precisas e de linhas de resina que são feitas especificamente para a odontologia.   

Uma  preocupação é a necessidade de capacitação dos profissionais. Sem o treinamento adequado, há o risco de falhas técnicas ou de imprecisão nas peças produzidas, o que pode gerar prejuízos ao paciente. O mau uso de resinas ou plásticos inadequados pode causar reações alérgicas, inflamações e até comprometer o sucesso do tratamento.

Relação custo-benefício

A especialista da USP confirma que vale muito a pena ter esse  tipo de equipamento nos consultórios, não só pela agilidade, mas pelo custo-benefício. Os benefícios são tão grandes que as impressoras 3D já estão disponíveis no SUS ( Sistema Único de Saúde), não só pela eficácia do trabalho, como por seu custo e agilidade. É um passo importante rumo a uma odontologia pública mais moderna e eficiente.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão responsável por controlar e regulamentar o uso das impressoras 3D e dos materiais utilizados na odontologia, especialmente quando esses produtos entram em contato com o corpo humano. Isso evita riscos químicos, tóxicos ou infecciosos para os pacientes.

O Conselho Federal de Odontologia (CFO) também estabelece normas para o uso da tecnologia 3D nos consultórios e laboratórios, garantindo que apenas profissionais habilitados e capacitados operem esses equipamentos. Por isso, a recomendação é clara: o avanço é bem-vindo, mas deve vir acompanhado de regulamentação, fiscalização e formação profissional contínua. A impressão 3D poderá seguir sendo uma grande aliada da odontologia moderna, garantindo sorrisos mais saudáveis — e seguros.

Edições anteriores

São Paulo: ensino médio esvazia disciplinas tradicionais no currículo

Pesquisa critica centralização no ensino por competências do novo...

Estados Unidos e Europa neutralizam ações pelo pacifismo sem armas

A paz é a verdadeira inimiga dos interesses dos...

Os imbecis venceram: eles são muitos. Com dinheiro de sobra, definem o futuro

"Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela...

Consciência ambiental cresce em áreas com projetos de longa duração

Consciência ambiental cresce em áreas com projetos de longa...

Medo, dor, vergonha e desigualdades afastam mulheres do rastreamento do câncer de colo do útero e de mama

Entre as entrevistadas, 41% relataram que uma das barreiras...