A economia circular não é uma tendência — é uma necessidade para garantir nosso futuro
Patrícia Iglecias
Diretora de Gestão Ambiental da USP e coordenadora do USPproClima

Em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, era impossível ignorar a gravidade do nosso momento atual. De acordo com o Observatório Copérnico, 2024 foi o ano mais quente já registrado. Isso é mais do que apenas um dado — é um alerta claro. Estamos cruzando limites climáticos perigosos, e a resposta precisa atender à urgência da crise.
Com esse espírito, participei da COP de Negócios Sustentáveis em Paris como representante da USP e coordenadora do Centro USPproClima. O evento, organizado pela Confederação Nacional da Indústria, é uma iniciativa da iniciativa privada para propor soluções concretas para a COP30, que será realizada em Belém em novembro. Coordeno o grupo de trabalho sobre economia circular junto com o CEO da Ambipar, nossa parceira no USPproClima.
A entrega da primeira versão das recomendações ao Embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, foi um marco. Mais do que um gesto simbólico, é o início de uma trajetória de compromissos que deve ganhar forma até agosto, com sugestões pautadas em inovação, viabilidade econômica e responsabilidade ambiental.
Circularidade: um novo modelo de desenvolvimento
A economia circular representa um dos caminhos mais sólidos e realistas para enfrentar a crise climática. O modelo rompe com a lógica linear de “extrair, produzir, descartar”, promovendo ciclos regenerativos nos quais os materiais são reutilizados, a vida útil dos produtos é estendida e o design é repensado desde o início.
Não estamos falando apenas de reciclagem. O modelo atual precisa ser substituído por estratégias que integrem os chamados 9Rs: Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reparar, Reformar, Remanufaturar, Reaproveitar, Reciclar e Recuperar. Isso requer diálogo entre governos, empresas, academia e consumidores.
No entanto, o progresso é lento: de acordo com o Relatório sobre a Lacuna da Circularidade de 2025 , apenas 7% dos materiais globais são reutilizados. Mesmo assim, as oportunidades são enormes: estima-se que os ganhos de mercado com a economia circular possam ultrapassar 4,5 trilhões de dólares até 2030.
É nesse contexto que a universidade se insere estrategicamente. Projetos como o USPproClima, fruto de uma parceria entre a USP e a Ambipar, exemplificam como a ciência pode fornecer evidências, formar novas lideranças e fomentar soluções sustentáveis.
A missão da academia não é apenas diagnosticar problemas, mas apresentar alternativas viáveis e bem fundamentadas. Com o USPproClima, desenvolvemos propostas alinhadas ao mercado e ao ambiente, combinando conhecimento científico, inovação tecnológica e impacto social. Como o Embaixador Corrêa do Lago destacou no evento, isso precisa ser um COP de implementação. E implementação requer exemplos concretos.
Mais do que nunca, a ciência, o setor produtivo e as políticas públicas precisam trabalhar juntos. A economia circular não é uma tendência — é uma necessidade para garantir nosso futuro.

