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ONU alerta para avanço da intolerância religiosa no mundo

Chefe das Nações Unidas vê “momento crucial” na luta contra o discurso de ódio e contra o extremismo - Foto: ONU/Rick Bajornas
Chefe das Nações Unidas vê “momento crucial” na luta contra o discurso de ódio e contra o extremismo – Foto: ONU/Rick Bajornas

ONU

Em pronunciamento na segunda-feira, dia 29, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o avanço dos crimes de intolerância religiosa no mundo, com a proliferação de atentados contra fiéis e locais de adoração. Chefe das Nações Unidas vê “momento crucial” na luta contra o discurso de ódio e contra o extremismo – o que exigirá a mobilização de líderes políticos em prol da coexistência pacífica.

“Em todo o mundo, estamos vendo uma onda perturbadora de intolerância e de violência baseada em ódio atingindo fiéis de muitas fés. Apenas nos últimos dias, uma sinagoga nos Estados Unidos e uma igreja em Burkina Faso ficaram sob ataque”, lembrou Guterres.

“Tais incidentes tornaram-se familiares demais: muçulmanos abatidos em mesquitas, com seus locais religiosos vandalizados; judeus assassinados em sinagogas, com suas lápides desfiguradas por suásticas; cristãos mortos em oração, com suas igrejas frequentemente incendiadas. Os locais de adoração, em vez de serem os abrigos seguros que deveriam ser, tornaram-se alvos.”

O secretário-geral disse que, para além desses homicídios, uma “retórica repugnante” tem se disseminado. Esses discursos incluem a afirmação da supremacia branca, a xenofobia não apenas contra grupos religiosos, mas também contra migrantes, minorias e refugiados, e o reaparecimento da ideologia neonazista.

Guterres alertou ainda para o que descreveu como “um veneno direcionado a qualquer um (que seja) considerado o ‘outro’”.

“Partes da Internet estão se tornando criadouros do ódio, conforme fanáticos de mentalidade similar se encontram online, e as plataformas servem para inflamar e permitir que o ódio viralize”, afirmou o dirigente máximo das Nações Unidas.

“Conforme o crime gera crime e conforme visões (de mundo) vis saem das margens para (alcançar) o grande público, eu estou profundamente preocupado com o fato de que estamos nos aproximando de um momento crucial na batalha contra o ódio e o extremismo”, acrescentou Guterres.

Em resposta a esse cenário, o secretário-geral explicou que está promovendo duas iniciativas. A primeira é um plano de ação para mobilizar o sistema das Nações Unidas contra o discurso de ódio – o projeto é liderado pelo seu representante especial sobre Prevenção do Genocídio. A segunda envolve explorar como a ONU pode contribuir para garantir a segurança de santuários religiosos – o programa é capitaneado pelo alto-representante de Guterres para a Aliança das Civilizações.

“O mundo precisa fazer mais para eliminar o antissemitismo, o ódio antimuçulmano, a perseguição dos cristãos e todas as outras formas de racismo, xenofobia, discriminação e incitação”, enfatizou Guterres.

“O ódio é uma ameaça a todos – logo, esse é um trabalho para todos. Líderes políticos e religiosos têm uma responsabilidade especial em promover a coexistência pacífica. Eu contarei com o forte apoio de governos, sociedade civil e outros parceiros ao trabalhar juntos para assegurar os valores que nos unem como uma única família humana.”


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