O desenvolvimento das tecnologias, inclusive robóticas, altera o cenário do relacionamento humano - foto pixabay

O desenvolvimento das tecnologias, inclusive robóticas, altera o cenário do relacionamento humano

A pergunta: Minha filha pensa em fazer teatro. Ela tem 14 anos e já faz cursos amadores na nossa cidade. Também participou de filmes de publicidade. Haverá oportunidades no futuro nessa profissão?

 

Uma questão a se levar em conta, inicialmente, é que mais jovens seguirão, na próxima década, atividades capazes de possibilitar satisfação pessoal acima de tudo. O dinheiro ficará em segundo plano, pelo menos para parte considerável dos atuais adolescentes, nascidos após o início do milênio. São os contemporâneos da computação e da internet, defensores de valores diferentes dos seus pais.

Há duas razões básicas para a opção por atividades de realização pessoal: primeiro, por uma revisão de valores, sobre o que realmente importa para se ter uma vida boa. Além disso, os jovens estarão vendo que a revolução da tecnologia nivela os ganhos das profissões pela média. Quase sempre a média mais baixa. De uma forma geral, as transformações da próxima década vão afetar profundamente o mercado de trabalho.

Na próxima década, o teatro, como atividade, ganhará um novo vigor, mesmo com o cenário profundamente tecnológico e com o fortalecimento do entretenimento digital. E até certo ponto, exatamente por causa disso. Será uma resposta da sociedade ao desgaste propiciado pelo excesso de dúvidas sobre o papel do ser humano. A sociedade aprofundará, então, a angústia diante das transformações que estarão ocorrendo em todos os campos.

Além da tecnologia, o cenário será marcado pela falta de empregos suficientes para os jovens, a queda da qualidade de vida e a insatisfação com a desigualdade crescente. Essa será uma geração que vai buscar novos significados para a vida. E o teatro terá importância estratégica, como catalisador das angústias sociais.

Atores: a demanda

O envolvimento humano cria o ponto forte da atividade, mesmo no cenário dos anos 2020. É certo que surgirão interações com avatares – criaturas digitais – e mesmo com robôs, que substituirão os atores de carne e osso. Mesmo que a tecnologia se esforce para a criação de robôs com feições humanas, haverá a valorização do aspecto verdadeiramente humano nas apresentações nos palcos. Inclusive porque as pessoas estarão saturadas pelo excesso de exposição à digitalização de tudo.

A profissão tende a ser favorecida pela proliferação de novas mídias e novos negócios, que demandarão a participação de pessoas com habilidades de interpretação. Já em 2020, mais de 80% das informações que circularão na internet serão no formato de vídeo.

Há desafios – como em outras profissões, claro. Os grupos tradicionais de mídia, com as redes de TV, tendem a perder capacidade de sobrevivência nos padrões atuais, reduzindo os empregos. Também as agências de publicidade, grandes empregadores de hoje, devem gerar menor demanda. Além disso, os modelos atuais de financiamento de apresentações devem ser reduzidos, senão eliminados, o que vai definir a necessidade de novas estratégias de sobrevivência no mercado e o investimento em capacidade empreendedora.

Em síntese

A favor do futuro da profissão

  • Atividade requer habilidades humanas, como emoção, empatia, integração
  • A probabilidade de robotização é baixa
  • A atividade envolve rotinas
  • A sociedade terá um processo de esgotamento do excesso de tecnologias
  • Busca pela consciência social

Ameaças ao futuro da profissão

  • Crise de grandes empregadores tradicionais, como TV e agências de publicidades
  • Concorrência crescente com novos atores
  • Uso de avatares como substitutos de atores
  • Informalidade crescente do mercado

Habilidades requeridas

  • Empatia – capacidade de interação
  • Empreendedorismo – negociação
  • Visão humanística
  • Capacidade de trabalhar em grupos
  • Flexibilidade cognitiva
  • Pensamento crítico
  • Criatividade