{"id":9787,"date":"2020-04-07T12:48:12","date_gmt":"2020-04-07T15:48:12","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=9787"},"modified":"2020-04-07T13:29:13","modified_gmt":"2020-04-07T16:29:13","slug":"quatro-cenarios-para-um-brasil-pos-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/quatro-cenarios-para-um-brasil-pos-pandemia\/","title":{"rendered":"Quatro cen\u00e1rios para um Brasil p\u00f3s-pandemia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_9891\" aria-describedby=\"caption-attachment-9891\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9891\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-scaled.jpg\" alt=\"Como ser&aacute; o futuro depois que os ambulat&oacute;rios come&ccedil;arem a ser esvaziados? Foto Andrea Rego Barros \/ Fotospublicas \" width=\"2560\" height=\"1706\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-scaled.jpg 2560w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-300x200.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-768x512.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-696x464.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-1392x928.jpg 1392w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\"><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9891\" class=\"wp-caption-text\">Como ser&aacute; o futuro depois que os ambulat&oacute;rios come&ccedil;arem a ser esvaziados? Foto Andrea Rego Barros \/ Fotospublicas<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Carlos Teixeira<\/em><br>\n<em>Jornalista I Radar do Futuro<\/em><\/p>\n<p>Enfim, exatamente no meio do inverno, em agosto, os efeitos da Covid-19, a pandemia que parou o mundo, s&atilde;o controlados o suficiente para que o mundo possa sentir algum al&iacute;vio. No Brasil, a esta&ccedil;&atilde;o vem ajudando, com um frio apenas eventual e moderado. Voc&ecirc; se sente livre agora, quando o governo baixou a guarda e todas as restri&ccedil;&otilde;es &agrave; movimenta&ccedil;&atilde;o e aglomera&ccedil;&atilde;o de pessoas foram retiradas. O isolamento chegou ao final. Podemos realizar os desejos imaginados durante o confinamento entre quatro paredes.<\/p>\n<p>Enfim, o retorno &agrave; academia. Com os aparelhos de muscula&ccedil;&atilde;o e de exerc&iacute;cios aer&oacute;bicos. A possibilidade de perder o peso acumulado em rotinas de sono e geladeira. Estranhamente, em frente &agrave; porta do para&iacute;so dos atletas, desejado durante os meses de solid&atilde;o compartilhada com a fam&iacute;lia, voc&ecirc; recua. Seus olhos percebem um excesso de gente circulando. Muitas pessoas ao mesmo tempo, conhecidas e estranhas. Sem entender bem o que ocorre, algo, como uma for&ccedil;a estranha, assume o comando dizendo para voltar. E a sua mente, a desconhecida com quem voc&ecirc; vinha se encontrando dentro de casa, diz que ainda n&atilde;o &eacute; o momento de retomar totalmente &agrave; vida de antigamente.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, chegou o momento em que se percebe que o passado n&atilde;o retorna ao passado. H&aacute; um novo normal. Durante os dias de quarentena, o infectologista &Aacute;tila Iamarino reiterava, em entrevistas na televis&atilde;o e em v&iacute;deos publicados no Youtube, que seria uma ilus&atilde;o pensar que voltar&iacute;amos a um mesmo passado. As pessoas come&ccedil;am a entender que n&atilde;o viveram apenas uma pandemia que obrigou pessoas a ficarem em casa durante meses.<\/p>\n<p>Mais que um surto gerado pelo v&iacute;rus, houve um grande processo de quebra de padr&otilde;es de vida. H&aacute; ganhos, em novas formas de relacionamento com a fam&iacute;lia e pessoas pr&oacute;ximas. Conversas com os filhos rolaram com frequ&ecirc;ncia. O aprendizado a conviver com o apoio da tecnologia. O dom&iacute;nio do home office. E houve a sobreviv&ecirc;ncia mesmo sem o consumo de produtos irrelevantes. Mas todos sentimos que tamb&eacute;m existiram perdas. V&aacute;rias muito pesadas, inclusive, enquanto tivemos oportunidade de conviver com a ess&ecirc;ncia humana.<\/p>\n<h2>Constru&ccedil;&atilde;o do cen&aacute;rio<\/h2>\n<p>&ldquo;O que vai acontecer quando o isolamento acabar?&rdquo;. Responder a pergunta, compreendendo as <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-sao-tendencias\/\" target=\"_self\" title=\"Confira o que s&atilde;o tend&ecirc;ncias, os fatos ou fen&ocirc;menos que podem acontecer em algum momento adiante na hist&oacute;ria da sociedade, como um novo comportamento individual ou de um grupo\" class=\"encyclopedia\">tend&ecirc;ncias<\/a> do futuro de curt&iacute;ssimo prazo, entre dois ou quatro meses, ou at&eacute; mesmo um pouco mais, &eacute; o objetivo deste trabalho de levantamento de cen&aacute;rios. S&atilde;o possibilidades para as quais a sociedade brasileira, no caso, deve se preparar. Como cen&aacute;rios, n&atilde;o s&atilde;o alternativas fechadas. S&atilde;o consideradas duas incertezas cr&iacute;ticas:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>A sociedade vai mudar?<\/strong><\/li>\n<li><strong>O governo vai mudar?<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Cada uma das incertezas cr&iacute;ticas acima gera duas possibilidades de respostas. Trabalhamos com duas perguntas e, para cada uma delas, hip&oacute;teses positivas e negativas.<\/p>\n<p><strong>1. a pandemia contribuir&aacute; para o desejo de mudar a sociedade?<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas entendem que h&aacute; um problema de modelo das sociedades, de prioridade de vida individual e social, que precisa ser mudada. &Eacute; necess&aacute;rio rever o consumismo, as rela&ccedil;&otilde;es pessoais e de trabalho e o modo de intera&ccedil;&atilde;o com a natureza. Elas querem compreender as quest&otilde;es clim&aacute;ticas e como o sistema de produ&ccedil;&atilde;o voltado para o lucro a todo custo e para a ocupa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os pode criar novas trag&eacute;dias.<\/p>\n<p><strong>2. a pandemia N&Atilde;O contribuir&aacute; para o desejo de mudar a sociedade?<\/strong><\/p>\n<p>Liberados do isolamento, as pessoas querem apenas voltar para as rotinas. Trabalhar duro para recuperar o tempo perdido, rapidamente. Voltar a frequentas bares nos finais de semana, ir a shows, jogos de futebol. O passado &eacute; passado, dizem, enquanto preenchem a agenda com atividades fora de casa. Encontram dificuldades, porque a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais a mesma de quando a pandemia come&ccedil;ou. Diante dos problemas, elas se revoltam. Se tornam ainda mais individualistas, pois as dificuldades crescem diante da aus&ecirc;ncia de respostas de curto prazo para os problemas econ&ocirc;micos, sociais, ambientais e pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p><strong>3. o governo rever&aacute; as suas prioridades?<\/strong><\/p>\n<p>O governo Bolsonaro ou um novo governo, imaginando a possibilidade de que ele n&atilde;o se sustente diante da trag&eacute;dia e dos traumas gerados pelo n&uacute;mero de mortes provocadas pela falta de condi&ccedil;&otilde;es de atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e pelo caos urbano, reconhece que &eacute; necess&aacute;rio rever prioridades. Promove mudan&ccedil;as na equipe econ&ocirc;mica, convocando especialistas com perfil liberal, mas que reconhecem a necessidade de ampliar a participa&ccedil;&atilde;o do Estado na sociedade. Adota estrat&eacute;gias com foco em investimentos sociais, para compensar os problemas de sobreviv&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o e das pequenas empresas. Prop&otilde;e a revis&atilde;o das restri&ccedil;&otilde;es de gastos p&uacute;blicos, admitindo a necessidade de investir recursos em pol&iacute;ticas de apoio &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>o governo N&Atilde;O rever&aacute; as suas prioridades?<\/strong><\/p>\n<p>As pol&iacute;ticas com foco em austeridade e conten&ccedil;&atilde;o de gastos s&atilde;o mantidas, assim como o atual governo. Ainda com Paulo Guedes no comando, as reformas pol&iacute;ticas seguem como prioridade, por conta do aumento da infla&ccedil;&atilde;o e consequente eleva&ccedil;&atilde;o das taxas de juros para reduzir a possibilidade de disparada de pre&ccedil;os. Sob o argumento de que houve excesso de gastos nos meses anteriores, apenas alguns investimentos s&atilde;o realizados. O objetivo &eacute; tentar dar satisfa&ccedil;&atilde;o para setores impactados pela crise ao mesmo tempo em que tenta conter o aumento da insatisfa&ccedil;&atilde;o popular diante do mau desempenho da economia.<\/p>\n<h2>Acontecimentos prov&aacute;veis<\/h2>\n<p>H&aacute; algumas suposi&ccedil;&otilde;es, definidas como certezas por este estudo &mdash; com o que qualquer pessoa pode discordar. A principal delas, provavelmente a mais marcante, &eacute; a avalia&ccedil;&atilde;o de que muita gente vai morrer. Entre dezenas de milhares e centenas de milhares. Independente do n&uacute;mero, parece tamb&eacute;m certo que o processo, dadas as restri&ccedil;&otilde;es da estrutura do sistema de sa&uacute;de, ser&aacute; traum&aacute;tico para quem for testemunha da hist&oacute;ria que estamos vivendo.<\/p>\n<p>Outro dado da realidade a considerar na constru&ccedil;&atilde;o do cen&aacute;rio leva em conta que a economia entra em uma fase de retra&ccedil;&atilde;o, com alto desemprego, aumento da mis&eacute;ria e recupera&ccedil;&atilde;o lenta do ambiente produtivo. Mesmo a informalidade, alternativa de mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o atual, ser&aacute; insuficiente para atenuar os efeitos das dificuldades de sobreviv&ecirc;ncia da maioria da popula&ccedil;&atilde;o. As microempresas tamb&eacute;m sofrem perdas diante da retra&ccedil;&atilde;o do mercado de consumo. Um ambiente de alta tens&atilde;o social.<\/p>\n<p>O isolamento propriamente dito refor&ccedil;a a lista de vari&aacute;veis mais significativas na constru&ccedil;&atilde;o do futuro. Entre a maioria dos cientistas, defensores da necessidade de imposi&ccedil;&atilde;o de limites &agrave; conviv&ecirc;ncia social, a &uacute;nica discord&acirc;ncia se refere &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o do tempo de dura&ccedil;&atilde;o das quarentenas. Mas &eacute; poss&iacute;vel que se estenda por tr&ecirc;s ou quatro meses. Mesmo &ldquo;apenas&rdquo; dois meses, uma hip&oacute;tese bastante prov&aacute;vel, ser&aacute; capaz de gerar problemas comportamentais para a popula&ccedil;&atilde;o, inclusive com aumento dos casos de depress&atilde;o e desalento em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cenarios-pos-coronavirus.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9890 alignright\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/cenarios-pos-coronavirus.png\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"386\"><\/a>+ tend&ecirc;ncias<\/h3>\n<ul>\n<li>Mobiliza&ccedil;&otilde;es por revis&atilde;o de prioridades sociais<\/li>\n<li>Mobiliza&ccedil;&otilde;es pela renova&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica<\/li>\n<li>Aumento da viol&ecirc;ncia urbana<\/li>\n<li>Desalento\/depress&atilde;o: expectativas<\/li>\n<li>Baixo crescimento da economia<\/li>\n<li>Descren&ccedil;a no neoliberalismo<\/li>\n<\/ul>\n<h2><\/h2>\n<h2><\/h2>\n<hr>\n<h2>CEN&Aacute;RIO 1: Combina&ccedil;&atilde;o positiva<\/h2>\n<h4>Sociedades e governos buscam novos modelos para o futuro<\/h4>\n<ul>\n<li>a pandemia contribui para o desejo de mudar a sociedade<\/li>\n<li>o governo rev&ecirc; as suas prioridades<\/li>\n<\/ul>\n<p>O tempo dispon&iacute;vel e a obriga&ccedil;&atilde;o de testemunhar os impactos da pandemia de dentro de casa serviram para a popula&ccedil;&atilde;o entender que h&aacute; algo muito errado na forma como a humanidade se relaciona com o ambiente social, com o pa&iacute;s e com o planeta. Compreende que a crise era prevista h&aacute; tempos e que novas pandemias podem ocorrer, assim como outras trag&eacute;dias, como o aquecimento global, caso n&atilde;o ocorra uma reflex&atilde;o aprofundada sobre as for&ccedil;as que levam &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o de fen&ocirc;menos extremos, capazes de levar &agrave; morte centenas de milhares ou milh&otilde;es de seres humanos.<\/p>\n<p>A&iacute;lton Krenak, um dos&nbsp; mais destacados ativistas do movimento socioambiental e de defesa dos direitos ind&iacute;genas ser&aacute; ouvido. Segundo ele, &ldquo;o modo de funcionamento da humanidade entrou em crise&rdquo;. N&atilde;o s&oacute;, o capitalismo como o praticado at&eacute; o in&iacute;cio de 2020 ter&aacute; sua decad&ecirc;ncia decretada.<\/p>\n<p>O fato &eacute; que as mortes provocadas pelo coronav&iacute;rus, o isolamento for&ccedil;ado, o aumento da desigualdade econ&ocirc;mica e os problemas sociais aumentam a percep&ccedil;&atilde;o do papel essencial desempenhado pelo setor p&uacute;blico no atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. E levam &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o por uma nova consci&ecirc;ncia. O governo &eacute; obrigado a rever a sua pol&iacute;tica focada exclusivamente em reformas neoliberais. N&atilde;o havia como n&atilde;o rever.<\/p>\n<p>A tese do fim do neoliberalismo ganhou ades&otilde;es de peso pelo mundo. No Brasil, economistas liberais passaram a defender a redefini&ccedil;&atilde;o de prioridades, aceitando a possibilidade de acumula&ccedil;&atilde;o de d&eacute;ficits das contas p&uacute;blicas para reverter a recess&atilde;o que os pa&iacute;ses v&atilde;o enfrentar adiante. At&eacute; mesmo o Financial Times, um dos principais jornais do mundo das finan&ccedil;as, em um editorial, defendeu reformas radicais. Desta vez avalizando a tese de que os governos tenham maior interven&ccedil;&atilde;o na economia.<\/p>\n<p>A converg&ecirc;ncia cria um ambiente favor&aacute;vel, mais tolerante, para a ado&ccedil;&atilde;o de medidas capazes de reduzir os efeitos negativos da pandemia. H&aacute; maior solidariedade para enfrentar os traumas deixados pelas mortes acumuladas e as cenas de desespero de quem n&atilde;o conseguiu atendimento m&eacute;dico. Popula&ccedil;&atilde;o e governo parecem encarar a crise como um aprendizado. A disposi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel &agrave; busca de solu&ccedil;&otilde;es conjuntas reduz a ansiedade pela retomada das rotinas, mesmo com o quadro desolador.<\/p>\n<p>Com nova equipe econ&ocirc;mica, formada por integrantes da nova corrente te&oacute;rica que rejeita dogmas tradicionais de controle da moeda, neo-keynesianos, por defini&ccedil;&atilde;o, volta a existir espa&ccedil;os para programas sociais que enfrentem o elevado desemprego e as dificuldades dos empres&aacute;rios, inclusive com o apoio para a renegocia&ccedil;&atilde;o das d&iacute;vidas acumuladas durante os meses de paralisa&ccedil;&atilde;o de atividades.&nbsp; Essenciais em todo o processo de expans&atilde;o da epidemia, os profissionais da &aacute;rea de sa&uacute;de recebem a promessa de retomada de investimentos p&uacute;blicos na infra-estrutura de atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<h2>CEN&Aacute;RIO 2: Combina&ccedil;&atilde;o explosiva<\/h2>\n<h4>Nem a sociedade e nem governantes aprendem<\/h4>\n<ul>\n<li>a pandemia N&Atilde;O contribui para o desejo de mudar a sociedade?<\/li>\n<li>o governo N&Atilde;O rev&ecirc; as suas prioridades?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Encerrado o isolamento, com a popula&ccedil;&atilde;o traumatizada com todo o processo, inclusive o grande n&uacute;mero de mortes, h&aacute; uma correria incontrol&aacute;vel para retomar as atividades profissionais e o retorno &agrave;s aulas dos filhos. Tudo o que se pretende &eacute;, agora, retomar o passado. Voltar a m&aacute;quina do tempo, sem levar muito conta o ambiente externo, de mis&eacute;ria crescente e desalento.<\/p>\n<p>A economia vive o caos, com recess&atilde;o mundial e no mercado interno. Os pre&ccedil;os sobem ainda mais porque empres&aacute;rios querem recuperar perdas e reverter os impactos do grande n&uacute;mero de fal&ecirc;ncias. O alt&iacute;ssimo endividamento tanto de pessoas quanto de micro e pequenas empresas leva &agrave; expectativa de que as solu&ccedil;&otilde;es para a crise vir&atilde;o a longo prazo.<\/p>\n<p>Os bancos resistem em negociar com os seus credores, mesmo tendo obtido socorro trilion&aacute;rio do governo para compensar a elevada inadimpl&ecirc;ncia de pessoas f&iacute;sicas e jur&iacute;dicas. &Eacute; n&iacute;tida a resist&ecirc;ncia da equipe econ&ocirc;mica em reverter a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica que vinha sendo praticada anteriormente. Privatiza&ccedil;&atilde;o, cortes e reforma administrativa do estado, restri&ccedil;&atilde;o de recursos para programas sociais s&atilde;o novamente priorit&aacute;rios na agenda governamental.<\/p>\n<p>Especialmente para compensar os elevados gastos, realizados &agrave; revelia do desejo dos gestores p&uacute;blicos, de socorro &agrave; popula&ccedil;&atilde;o afetada pela crise de sa&uacute;de e da economia, o governo pretende eliminar gastos. Mas enfrenta novas dificuldades: o Congresso se posiciona abertamente contra novas medidas que signifiquem austeridade.<\/p>\n<p>A trag&eacute;dia se amplia de outra forma agora. A insatisfa&ccedil;&atilde;o popular crescente diante da falta de a&ccedil;&otilde;es de curto prazo estimula o aumento da viol&ecirc;ncia.&nbsp;A popula&ccedil;&atilde;o busca alternativas individuais, isoladas ou em grupos de revoltados, o que aumenta o n&iacute;vel de tens&atilde;o da sociedade. Cresce, tamb&eacute;m, o risco de radicaliza&ccedil;&atilde;o do ambiente interno, com protestos e saques de popula&ccedil;&otilde;es esfomeadas. Sem controle diante da mobiliza&ccedil;&atilde;o popular, a tenta&ccedil;&atilde;o de radicaliza&ccedil;&atilde;o do ambiente &eacute; crescente, levando &agrave; perspectiva de rupturas institucionais.<\/p>\n<h2>CEN&Aacute;RIO 3 &ndash; Renova&ccedil;&atilde;o pela pol&iacute;tica<\/h2>\n<h4>Governo muda, mas a popula&ccedil;&atilde;o quer apenas o passado de volta<\/h4>\n<ul>\n<li>a pandemia N&Atilde;O contribui para o desejo de mudar a sociedade?<\/li>\n<li>o governo rev&ecirc; as suas prioridades?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Pressionado pela profunda crise gerada pelo elevado n&uacute;mero de mortes e o desemprego e a desarticula&ccedil;&atilde;o do setor produtivo do pa&iacute;s, al&eacute;m da recess&atilde;o global, o governo mobiliza uma nova equipe econ&ocirc;mica, de vi&eacute;s keynesiano, para tentar convencer a popula&ccedil;&atilde;o a mudar comportamentos. Eles tentam demonstrar a inten&ccedil;&atilde;o de colocar em pr&aacute;tica a&ccedil;&otilde;es que, dentro dos par&acirc;metros capitalistas, possibilitam uma forte interven&ccedil;&atilde;o do estado na economia.<\/p>\n<p>Mas a pressa por solu&ccedil;&otilde;es tende a ter peso maior do que boas inten&ccedil;&otilde;es, que levem em conta o apoio &agrave;s demandas de trabalhadores, empres&aacute;rios e dos cidad&atilde;os em geral. A percep&ccedil;&atilde;o sobre a realidade e o desalento sobre o futuro levam os indiv&iacute;duos aos movimentos de massa, que tendem ao descontrole. &Eacute; necess&aacute;rio entender que o brasileiro assume a sua irracionalidade.<\/p>\n<p>Mesmo traumatizada pela trag&eacute;dia causada pela pandemia do coronav&iacute;rus, e contra as tentativas de cria&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es coordenadas e favor&aacute;veis, a popula&ccedil;&atilde;o considera priorit&aacute;rio retomar a vida mais rapidamente poss&iacute;vel. Ela tem pressa, quer enviar as crian&ccedil;as para escolas, arranjar trabalho ou voltar a abrir um com&eacute;rcio, assumir um trabalho para aplicativos e retomar as atividades de lazer para esquecer todo o tempo de isolamento. Recuperar todo o preju&iacute;zo de meses de reclus&atilde;o.<\/p>\n<p>As pessoas desconsideram que a vida n&atilde;o tende a voltar &agrave; normalidade rapidamente. A economia estar&aacute; vivendo em processo de recess&atilde;o profunda, com perspectiva de recupera&ccedil;&atilde;o lenta da gera&ccedil;&atilde;o de empregos no gera&ccedil;&atilde;o de emprego e de renegocia&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vida da popula&ccedil;&atilde;o das pessoas que ficaram longos per&iacute;odos dentro de casa.<\/p>\n<h2>CEN&Aacute;RIO 4 &ndash; Mobiliza&ccedil;&otilde;es sociais<\/h2>\n<h4>Sociedade promove mudan&ccedil;as, mas o governo radicaliza<\/h4>\n<ul>\n<li>a pandemia contribui para o desejo de mudar a sociedade?<\/li>\n<li>o governo N&Atilde;O rev&ecirc; as suas prioridades?<\/li>\n<\/ul>\n<p>T&atilde;o logo s&atilde;o baixadas as medidas de restri&ccedil;&atilde;o do acesso da popula&ccedil;&atilde;o as ruas por conta da academia, o governo retoma os programas de austeridade sob alega&ccedil;&atilde;o de que apenas dessa forma ser&aacute; poss&iacute;vel ao pa&iacute;s se reerguer dos traumas deixados por meses de economia travada e isolamento da popula&ccedil;&atilde;o. Trilh&otilde;es de reais foram gastos, principalmente com o sistema financeiro.<\/p>\n<p>A equipe econ&ocirc;mica volta a falar em cortes de despesas enquanto socorre os bancos pela elevada inadimpl&ecirc;ncia que impactou os seus resultados. Com perdas crescentes de apoio popular e mesmo entre a suas bases de apoiadores tradicionais, como evang&eacute;licos e grupos de militares, o governo tende &agrave; radicaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para popula&ccedil;&atilde;o fica evidente que o objetivo do governo n&atilde;o incorpora as expectativas mais urgentes. A popula&ccedil;&atilde;o convive com grande n&uacute;mero de desempregados aus&ecirc;ncia de perspectivas e a mis&eacute;ria crescente de um lado provoca revolta. De outro, refor&ccedil;a a necessidade de mudan&ccedil;a das rela&ccedil;&otilde;es sociais.<\/p>\n<p>Cresce a mobiliza&ccedil;&atilde;o popular, em especial a rejei&ccedil;&atilde;o ao modelo neoliberal. Globalmente, h&aacute; uma onda de questionamento sobre o modelo econ&ocirc;mico. No mundo inteiro as pessoas reivindicam o fortalecimento do Estado, a prioridade para o bem-estar social, como condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para evitar novas trag&eacute;dias. As popula&ccedil;&otilde;es tomam consci&ecirc;ncia, tamb&eacute;m, que a pandemia n&atilde;o foi um evento isolado, mas algo j&aacute; previsto anteriormente. Sem mudan&ccedil;as, que inclusive levem em conta a quest&atilde;o clim&aacute;tica a tend&ecirc;ncia &eacute; de repeti&ccedil;&atilde;o de novas trag&eacute;dias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":9891,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[11,20,19,37],"tags":[107,1894,1892,1893,1895,93],"class_list":{"0":"post-9787","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-cenarios","8":"category-destaques","9":"category-insights","10":"category-um-dia-no-futuro","11":"tag-cenarios","12":"tag-cenarios-brasil","13":"tag-coronavirus","14":"tag-covid-19","15":"tag-o-brasil-no-futuro","16":"tag-tendencias"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/coronavirus-ambulatorio-no-recife_Foto_Andrea_Rego_Barros_fotospublicas-scaled.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9787\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9891"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}